PERFIL EPIDEMIOLÓGICO QUANTO A VARIÁVEIS DEMOGRÁFICAS E SOCIOECONÔMICAS DOS PACIENTES ATENDIDOS NO PROJETO DE EXTENSÃO APAE FSG

  • Marinilce Deon de Almeida Centro Universitário da Serra Gaúcha - FSG
  • Carolina Bitencourt
  • Giovana Pedroni
  • Gissele Dutra Rocha
  • Lidiane Barazzetti
  • Daiane Giacomet

Resumo

 INTRODUÇÃO: O Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG) é uma instituição de ensino superior reconhecida pelo seu protagonismo no desenvolvimento de propostas educacionais integradoras. O Curso de Fisioterapia oferece práticas profissionais estimulando a participação em estágios extracurriculares, estágios obrigatórios, monitorias e bolsas de pesquisa e extensão nas mais diferentes áreas. O Centro Integrado de Saúde (CIS) é um espaço de atendimento para a comunidade que busca qualidade de vida, prevenindo, protegendo, mantendo ou recuperando a saúde (FSG, 2018). A Saúde da Pessoa com Deficiência no Sistema Único de Saúde-SUS, tem como foco principal a habilitação e a reabilitação das funcionalidades humanas, contribuindo com a emancipação social destes usuários. (Secretaria da Saúde, 2018). FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA:A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Caxias do Sul segue os princípios da Federação Nacional das APAEs, sua missão é promover e articular ações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência e representar o movimento perante os organismos nacionais e internacionais. Desenvolve o Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência e suas Famílias, tendo como missão prestar assistência em caráter preventivo, habilitador e reabilitador, buscando seu desenvolvimento global, sua inclusão e integração à vida comunitária (APAE CAXIAS, 2016). No ano de 2017 o Centro Universitário da Serra Gaúcha firmou uma parceria com a prefeitura de Caxias do Sul, a fim de garantir atendimento fisioterapêutico para antigos pacientes da APAE. Os atendimentos são realizados no CIS por acadêmicos de fisioterapia sob a supervisão de docentes do curso. O objetivo do projeto de extensão é enriquecer e proporcionar experiência profissional aos estudantes do curso, unindo a teoria à prática, bem como manter a qualidade de vida destes pacientes através dos atendimentos. MATERIAL E MÉTODOS: Caracteriza-se por um estudo descritivo, no qual foi aplicado um questionário epidemiológico com amostra composta por pacientes do Projeto da APAE, atualmente ativos. O público alvo são pacientes de idades variadas que apresentam alterações neurológicas. A amostra foi recrutada no CIS e teve a participação de 34 dos 40 pacientes. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Segundo FIGUEIREDO e SILVA (2014) há predominância de indivíduos do sexo masculino em relação ao feminino na APAE de Minas Gerais. Quando comparado com o presente estudo, observou-se equiparidade nos resultados, em que 58,8% do público alvo é do sexo masculino. De acordo FREDERICO (2011), seu estudo teve prevalência de 92,3% de pacientes da cor branca. No atual estudo a prevalência foi de 73,5%, confirmando o achado. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), ter alguma deficiência aumenta o custo de vida em cerca de um terço da renda, em média. Além disso, mais de 50% das pessoas com deficiência não conseguem pagar por serviços de saúde. Segundo BARBOSA e SILVA (2003), quem recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC), está fadado a viver exclusivamente desta renda. Dados deste estudo mostram que 70,6% dos indivíduos recebem o BPC, enquanto o restante não tem renda. Conforme dados da ONU, nos países em desenvolvimento, 90% das crianças com deficiência não frequentam a escola. Neste estudo, 44,1 % da amostra frequenta a escola especial APAE, seguido de 29, 4% que nunca frequentou escolas. FREDERICO (2011), afirma que a maioria dos pacientes faz uso de transporte público, sendo que 56% destes encontram dificuldade na utilização tanto de transportes como de locais públicos, devido à falta de acessibilidade dos mesmos. Correlacionando com os achados da pesquisa, 35,3% dos indivíduos usam transporte especial e 32,4% utilizam o convencional. Em relação ao principal cuidador, PIMENTA, et al. (2010), encontrou que 83,3% são do sexo feminino, assim como no estudo atual, onde 82,3% também são. CONCLUSÃO: Diante disto, pode-se afirmar que as características demográficas e socioeconômicas encontradas no presente estudo são compatíveis com estudos realizados em anos anteriores em populações e serviços semelhantes.

 

APAE CAXIAS. Quem somos. Disponível em: <https://apaecaxiasdosul.org.br/site/quem-somos/>. Acesso em: 17 maio 2018.

BARBOSA, M.M.M.; SILVA, M.O.S. O benefício de prestação continuada - BPC: desvendando suas contradições e significados. Ser Social, Maranhão, v. 12, p.221-244, 2003. Disponível em: <http://periodicos.unb.br/index.php/SER_Social/article/view/283>. Acesso em: 16 maio 2018.

FIGUEIREDO, T.M.; SILVA, I.C. PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA POPULAÇÃO ATENDIDA PELA APAE DE VIÇOSA, MG. Anais VI SIMPAC – Volume 6, nº 1, p. 469-474, 2014. 

FSG. QUEM SOMOS. Disponível em: <http://fsg.br/a-fsg/quem-somos>. Acesso em: 17 maio 2018.

FREDERICO, J. T. S. AVALIAÇÃO DA INCLUSÃO SOCIAL DE ALUNOS DA ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS – APAE DE CRICIÚMA/SC COM DIAGNÓSTICO CLÍNICO DE PARALISIA CEREBRAL. 2011. 81 f. TCC (Graduação) - Curso de Fisioterapia, Universidade do Extremo Sul Catarinense, Criciúma, 2011. Cap. 2. Disponível em: http://repositorio.unesc.net/handle/1/690. Acesso em: 17 maio 2018.

ONU. A ONU e as pessoas com deficiência. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/acao/pessoas-com-deficiencia/>. Acesso em: 17 maio 2018.

PIMENTA, R.A.; RODRIGUES, L.A.; GREGUOL, M. Avaliação da Qualidade de Vida e Sobrecarga de Cuidadores de Pessoas com Deficiência Intelectual. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, João Pessoa, v. 3, n. 14, p.69-76, 14 mar. 2010. Disponível em: http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/rbcs/article/view/9687. Acesso em: 17 maio 2018.

Secretaria da Saúde. Secretaria da Saúde - Gestão. Disponível em: <https://caxias.rs.gov.br/gestao/secretarias/saude>. Acesso em: 16 maio 2018.


Publicado
2018-06-26
Seção
Grupo de Trabalho 4: Saúde e Direitos Humanos na Era das Vulnerabilidades Sociais