PERFIL NUTRICIONAL E FATORES ASSOCIADOS EM IDOSOS INSTITUCIONALIZADAS DE CAXIAS DO SUL-RS.

  • Joana Zanotti Centro Universitário da Serra Gaúcha - FSG
  • Rafaela Santi Dell'Osbel Centro Universitário da Serra Gaúcha - FSG

Resumo

INTRODUÇÃO: O Brasil passa por uma considerável mudança em sua pirâmide demográfica, com progressivo e acelerado envelhecimento da população (DE LIMA, 2017). A senescência pode ser caracterizada como uma redução geral das capacidades da vida diária, como um período de crescente vulnerabilidade e de cada vez maior dependência no seio familiar (FECHINE, 2015). Segundo Batista et al (2014), a entrada em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) está bastante associada ao declínio das habilidades de exercer tarefas das atividades de vida diária. Desta ascensão vertiginosa da população idosa e, como consequência a necessidade de estudos que envolvam longevidade, os objetivos do presente estudo foram verificar o estado nutricional em um grupo de idosos institucionalizados, caracterizando esta amostra com as comorbidades associadas e tempo de permanência na ILPI.  FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O processo de envelhecimento, juntamente com estado nutricional depletado, é tratado como um problema de saúde pública, uma vez que a má nutrição tem impacto direto sob a qualidade de vida dos idosos (DUARTE, 2014). A desnutrição é um problema constante na terceira idade, podendo contribuir para o aumento da mortalidade, aumento da susceptibilidade às infecções e incapacidade funcional (STROBL, 2013). O Conhecimento precoce do estado nutricional do idoso, portanto, reflete em menores taxas de mortalidade e traz qualidade de vida ao idoso (RODRIGUES, 2017). MATERIAL E MÉTODOS: O recrutamento ocorreu após autorização do Comitê de Ética e Pesquisa, sob parecer da aprovação 1.786.916. Tratou-se de um estudo observacional com delineamento transversal, amostra obtida por conveniência. Foram incluídos no estudo, idosos com idade igual ao superior a 60 anos, de ambos os sexos, residentes da instituição, lúcidos e deambulantes. A participação ocorreu mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foram avaliados estatura e massa corporal para o cálculo do índice de massa corporal (IMC), perímetro da panturrilha (PP) e do braço (PB) e a Mini Avaliação Nutricional (MAN). RESULTADOS E DISCUSSÕES: A amostra foi constituída por 22 idosos, destes, 15 (68,2%) do sexo feminino e 7 (31,8%) do sexo masculino, 95,5% (n=21) de raça branca. Em relação às comorbidades, 7 (31,8%) apresentavam demência, 5 (22,7%) depressão e 17 (77,3%) alguma doença crônica não transmissível (DCNT), como hipertensão arterial, diabetes ou dislipidemia. A transição demográfica, advinda do envelhecimento da população, está diretamente relacionada com o aumento do número de DCNT (SOUSA, 2014), além disso, a institucionalização é uma das situações estressantes e desencadeadoras de depressão (PIZARRO, 2004). A respeito do tempo de institucionalização, 18 idosos (81,8%) residem na ILPI por mais de 1 ano. Observou-se que a idade da amostra variou de 62 a 96 anos e a média etária foi 79,4 anos (DP=9,4 anos). Os valores médios do IMC e massa corporal foram 27,09 kg/m2 (DP=7,3 kg/m2) e 67,24Kg (DP=20,26 Kg), respectivamente. Em relação ao IMC, houve prevalência de 72,7% (n=16) de eutrofia e 27,3% (n=6) de excesso de peso, não se observou nenhum idoso baixo peso.  De acordo com o PB, foi encontrado 100% de idosos com boa reserva adiposa e conforme resultados do PP 90,9% (n=20) apresentaram eutrofia. Conforme resultados da MAN, foram encontrados 100% de idosos sem risco nutricional. Um estudo de coorte, com idosos institucionalizados, demonstrou associação significativa entre excesso de peso e menor mortalidade (VETRANO, 2018). Em idosos institucionalizados, com demência e excesso de peso, o risco de mortalidade reduziu pela metade, segundo estudo de coorte com 3741 indivíduos (DE SOUTO, 2017). Estudos associam IMC relativamente maior, à maiores taxas de sobrevivência em idosos (LYU, 2017). CONCLUSÃO: A prevalência do estado nutricional adequado e presença de DCNT, envolveu a maioria da população estudada, por isso, unir os diferentes métodos de avaliação nutricional torna-se eficaz para um diagnóstico imediato, preciso e uma intervenção adequada. É necessário, ainda, realização de outros estudos com idosos institucionalizados, de forma a verificar a situação nutricional desse grupo em diferentes localidades do Brasil.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, Centro Universitário da Serra Gaúcha - FSG
Doutoranda em Ciências da Saúde: Ginecologia e Obstetrícia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Rafaela Santi Dell'Osbel, Centro Universitário da Serra Gaúcha - FSG
Estudante do Curso de Nutrição; Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)
Publicado
2018-06-26
Seção
Grupo de Trabalho 4: Saúde e Direitos Humanos na Era das Vulnerabilidades Sociais