QUALIDADE DE VIDA E ESTADO NUTRICIONAL DE IDOSAS INSTITUCIONALIZADAS DE CAXIAS DO SUL-RS.

  • Joana Zanotti Centro Universitário da Serra Gaúcha - FSG
  • Rafaela Santi Dell'Osbel Centro Universitário da Serra Gaúcha - FSG
  • Paula Giazzon Centro Universitário da Serra Gaúcha - FSG
  • Maria Celeste Osório Wender Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Resumo

INTRODUÇÃO: Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) são considerados idosos, nos países desenvolvidos, os indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos (ROCHA, 2016). A senescência é acompanhada por diversas mudanças na composição corporal, orgânico-funcionais e também na qualidade de vida. Estas alterações são sucessivas e gerais, podendo ser observadas em menor ou maior grau, conforme as características individuais, sendo também um processo de difícil reversão, causando uma perda progressiva de funcionalidade no idoso e com isso, desencadeando o ingresso em casas geriátricas (CARVALHO, 2008; MARCHON, 2010). Haja vista o desfecho desta transição demográfica, afirma-se a importância de estudos aprofundados no envelhecimento, sendo a avaliação da qualidade de vida e do estado nutricional, um norteador de melhorias na área da saúde.  FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Na senescência há diminuição da estatura, massa magra e tecido adiposo periférico, e aumento de adiposidade central (MOREIRA, 2009). A redução das fibras musculares causa fraqueza e fadiga muscular, lentidão dos movimentos, trazendo limitações para caminhar, levantar-se e manter o equilíbrio postural, assim como, quedas iminentes (SOARES, 2012). O processo de envelhecimento dotado de um estado nutricional inadequado já é tratado como um problema de saúde pública, uma vez que a má nutrição afeta diretamente a qualidade de vida, principalmente em idosos (DUARTE, 2014).   Segundo Batista et al (2014), o ingresso em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) está fortemente vinculado à decadência das habilidades de executar tarefas das atividades de vida diária. MATERIAL E MÉTODOS: O recrutamento ocorreu após autorização do Comitê de Ética e Pesquisa, sob parecer da aprovação 1.628.941. Tratou-se de um estudo epidemiológico observacional do tipo transversal, realizado com 116 idosas residentes em ILPIs, amostra selecionada por conveniência. Para avaliação do estado nutricional foi aferido peso, estatura, índice de massa corporal (IMC), perímetro da cintura, perímetro do quadril e relação cintura-quadril. Para investigação da qualidade de vida (QV) foi aplicado o questionário Short Form Health Survey-36 (SF-36), o qual, o indivíduo recebe um escore em cada um dos componentes do questionário, que varia de 0 a 100, sendo 0 o pior escore e 100 o melhor. RESULTADOS E DISCUSSÕES: A média de idade verificada foi de 80,73 anos, sendo a idade mínima 60 anos e a idade máxima 102 anos. Apenas 25 idosas (21,60%) possuíam mais de oito anos de escolaridade, 114 idosas (98,30%) eram caucasianas. Em relação ao estado nutricional, 52 idosas (44,8%) apresentaram de excesso de peso (IMC >27kg/m2), 68 (58,6%) e 74 (63,8%) idosas apresentaram risco para doença cardiovascular com perímetro da cintura e razão cintura-quadril elevados, respectivamente. Diversos estudos demonstram o sobrepeso com prevalência bastante expressiva em idosas (LOPES, 2012; PEREIRA, 2016). Diante disso, percebe-se que mulheres idosas propendem a aumentar a classificação do estado nutricional segundo o IMC (BRENNER, 2017). Consequentemente, apresentam maior risco para desenvolver doenças crônicas não transmissíveis, doenças cardiovasculares e redução da qualidade de vida (BRENNER, 2017; TRUTHMANN, 2017; KELLI, 2017; LYU, 2017). Por outro lado, estudos associam IMC relativamente maior à maiores taxas de sobrevivência em idosos (LYU, 2017). Sobre a QV, os grupos de 60 a 70 e 71 a 80 anos, apresentaram pior resultado para limitações por aspectos emocionais (escore médio 19,30 e 42,86), respectivamente. Idosas de 81 a 90 anos mostraram pior domínio nas limitações por aspetos físicos (escore médio 21,61) e o grupo com idade igual ou superior a 91 anos, mostrou um pior domínio das limitações por aspectos emocionais (escore médio 23,08). Estudos similares também perceberam os piores escores em aspectos emocionais e físicos, situação que pode ser entendida como incapacidade funcional, isolamento social e familiar, apresentado por idosos institucionalizados (FREITAS, 2010; FARZIANPOUR, 2015; FARZIANPOUR, 2016). CONCLUSÃO: A escassez de socialização e atividades de mobilização são fatores muito importantes na determinação da qualidade de vida do idoso. Quanto ao estado nutricional, o excesso de peso pode estar relacionado com os hábitos alimentares inadequados de longa data e com modificações fisiológicas do envelhecimento. Por fim, torna-se indispensável investimento político com foco nas necessidades da população idosa, tanto para as doenças crônicas, quanto para a QV insatisfatória.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, Centro Universitário da Serra Gaúcha - FSG
Doutoranda em Ciências da Saúde: Ginecologia e Obstetrícia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS);
Rafaela Santi Dell'Osbel, Centro Universitário da Serra Gaúcha - FSG
Estudante do Curso de Nutrição; Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG);
Paula Giazzon, Centro Universitário da Serra Gaúcha - FSG
Graduada em Nutrição pelo Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG);
Maria Celeste Osório Wender, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Docente e Coordenadora do Grupo de Pesquisa Climatério e Menopausa e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde: Ginecologia e Obstetrícia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Publicado
2018-06-26
Seção
Grupo de Trabalho 4: Saúde e Direitos Humanos na Era das Vulnerabilidades Sociais