ELABORAÇÃO DE UMA CARTILHA DE ATENÇÃO PRIMÁRIA A SAÚDE DE MULHERES IMIGRANTES DO HAITI

  • Caroline Lodi Bonatto
  • Maitê Silva Vicente dos Santos
  • Joice Lisboa Cucolotto
  • Renata D`Agostini Nicolini-Panisson Centro Universitário da Serra Gaúcha/ Professora Doutora Coordenadora do Grupo de Pesquisa em Reabilitação

Resumo

INTRODUÇÃO: O número de migrações para o Brasil tem aumentado nos últimos anos. Nosso estado e cidade têm recebido diversos migrantes, entre eles, as mulheres haitianas. Este artigo propõe a realização de uma revisão bibliográfica e pesquisa de campo para a elaboração de uma cartilha de orientações, afim de auxiliar na atenção primária a saúde dessas mulheres. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: As imigrações haitianas são caracterizadas, em sua maioria, pela população masculina (JORDÃO et al., 2016). Porém, tem-se registro de mulheres advindas do Haiti que estão sendo acolhidas em nosso país (JORDÃO et al., 2016). Diante deste contexto de imigrações, cabe-se ressaltar, as questões relacionadas ao âmbito de saúde destes indivíduos. No Haiti, a cobertura da população com relação a acesso a saúde não chega aos 60%, e os recursos humanos são insuficientes e de baixa qualidade (JACQUES et al., 2017). As políticas públicas dirigidas às mulheres no Haiti são direcionadas principalmente a saúde materna, porém, a maioria dos partos ainda é domiciliar, sendo que destes, menos de 50% são realizados em condições adequadas, predispondo ao elevado risco de morte materna, que atualmente, está em torno de 380:100 mil nascidos vivos e, das mulheres, apenas 18% têm acesso a métodos contraceptivos modernos (JACQUES et al., 2017). Com relação a equidade de direitos e acessibilidade ao serviço de saúde dos imigrantes no Brasil, o 5º artigo da Constituição Brasileira estabelece a igualdade jurídica entre brasileiros e estrangeiros residentes no país, garantindo o acesso às políticas públicas de saúde também aos imigrantes (SANTOS, 2016). A Organização Mundial de Saúde (OMS) descreve como prioridade aos imigrantes: o acesso aos determinantes de saúde (moradia, alimentação, saneamento e acesso à informação e aos serviços de saúde, entre outros), o combate às vulnerabilidades, desigualdades sociais, pobreza e discriminação (GRANADA et al., 2017). MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de uma revisão bibliográfica para o desenvolvimento um trabalho social artístico, através da produção de uma cartilha informativa, que terá sua apresentação em quatro idiomas, sendo eles: português, francês, inglês e crioulo haitiano. A cartilha teve por base requisitos estabelecidos em reunião com representantes do Centro de Atendimento ao Migrante (CAM) da cidade de Caxias do Sul. Ao término da elaboração deste material, ele foi distribuído no CAM e foram realizadas palestras para esclarecer as informações contidas no documento. RESULTADOS E DISCUSSÃO: A cartilha contempla o acompanhamento pré-natal: com informações sobre nutrição, exames periódicos, vacinações, saúde física, trabalho de parto e programas de atenção à saúde da gestante do sistema de saúde pública. No Brasil, a saúde pública tem voltado sua atenção ao contexto materno-infantil, com programas de assistência integral à saúde das mulheres, priorizando o acompanhamento pré-natal pelo seu impacto nos resultados em saúde pública no peri e pós-natal (TREVISAN et al., 2002). Sobre os cuidados com o recém-nascido, foram abordadas informações a respeito do aleitamento materno e vacinações necessárias. Atualmente, percebe-se a importância de se preconizar o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros meses de vida, sendo item de campanhas e diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), Fundação das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Ministério da Saúde (ESCOBAR et al., 2002). Além disso, a cartilha também traz informações sobre vacinações, acompanhamento com ginecologista, exame preventivo de mamas e vaginal, métodos contraceptivos, doenças sexualmente transmissíveis (DST’s), com cuidados preventivos através do uso de preservativo, incontinência urinária e saúde bucal. CONCLUSÃO: A realidade feminina, desde seus primórdios, sempre foi descrita como a mais frágil e oprimida nos processos burocráticos e de direitos humanos. A escassez de conhecimento destas mulheres com relação a sua saúde deve ser suprida pelos profissionais dos sistemas de saúde das cidades em que estas imigrantes estão inseridas. A importância de se elaborar um material com informações sobre a saúde da mulher, com descrição de patologias de maior incidência feminina e que causam, em sua maioria, complicações e óbitos precoces, além de informações sobre acompanhamento pré-natal, aleitamento materno, cuidados na gestação e com o recém-nascido, corroboram para redução dos casos de mortalidade infantil e feminina, além de melhorar a condução gestacional, auxiliando também, futuramente, para redução de custos para o sistema de saúde com medicações e internações hospitalares. Além destas questões, esta cartilha proporcionará um melhor acolhimento e assistência a estes indivíduos.

 

REFERÊNCIAS
  1. ESCOBAR, A.M.D.U.; OGAWA, A.R.; HIRATSUKA, M.; KAWASHITA, M.Y.; TERUYA, P.Y.; GRISI, S.; TOMIKAWA, S.O. Aleitamento materno e condições socioeconômico- culturais: fatores que levam ao desmame precoce. Rev. Bras. Saúde Matern. Infant. v.2, n.3, p.253-261, 2002.
  2. GRANADA, D; CARRENO, I; RAMOS, N; RAMOS, MDCP. Discutir saúde e imigração no contexto atual de intensa mobilidade humana. Interface Comunicação, Saúde e Educação. v.21, n.61, p.285-96, 2017.
  3. JORDÃO, RDS; COTINGUIBA, MLP. A mulher Haitiana em Porto Velho, Rondônia: Imigração, Gênero e Memórias. SEMINÁRIO INTERNACIONAL DO OBSERVATÓRIO DAS MIGRAÇÕES EM RONDÔNIA: POPULAÇÕES E FRONTEIRAS-I, 2016, Porto Velho. Anais do I Seminário Internacional do Observatório das migrações em Rondônia: Populações e Fronteiras. Porto Velho: 2016.
  4. JACQUES, N; MENEGHEL, SN; DANILEVICZ, IM; SCHRAMM, JMDA; FERLA, AA. Equidade na atenção a saúde das mulheres no Haiti. Rev. Panam. Salud Publica. v.41, p.1-7, 2017.
  5. SANTOS, FVD. A inclusão dos migrantes internacionais nas políticas do sistema de saúde brasileiro: o caso dos haitianos no Amazonas. Rev. História, Ciências, Saúde. v.23, n.2, p.477-494, 2016.
  6. TREVISAN, M.D.R.; LORENZI, D.R.S.D.; ARAÚJO, N.M.D.; ÉSBER, K. Perfil da Assistência Pré-natal entre Usuárias do Sistema Único de Saúde em Caxias do Sul. RBGO. v.24, n.5, p.293-299, 2002.

 

 

 

 

 

Biografia do Autor

Caroline Lodi Bonatto
Acadêmica do Grupo de Pesquisa em Reabilitação, Curso de Fisioterapia do Centro Universitário da Serra Gaúcha, Caxias do Sul-RS.
Maitê Silva Vicente dos Santos
Acadêmica do Grupo de Pesquisa em Reabilitação, Curso de Fisioterapia do Centro Universitário da Serra Gaúcha, Caxias do Sul-RS.
Joice Lisboa Cucolotto
Acadêmica do Grupo de Pesquisa em Reabilitação, Curso de Fisioterapia do Centro Universitário da Serra Gaúcha, Caxias do Sul-RS.
Publicado
2018-06-26
Seção
Grupo de Trabalho 4: Saúde e Direitos Humanos na Era das Vulnerabilidades Sociais