ASPECTOS DAS CONDIÇÕES SOCIOAMBIENTAIS E DE SAÚDE DE UM GRUPO DE HAITIANOS IMIGRANTES PARA O SUL DO PAÍS

  • Joice Lisboa Cucolotto
  • Maitê Silva Vicente dos Santos
  • Bruna Berteaux Reis
  • Caroline Lodi Bonatto
  • Jhúlia Cardoso
  • Renata D`Agostini Nicolini-Panisson Centro Universitário da Serra Gaúcha/ Professora Doutora Coordenadora do Grupo de Pesquisa em Reabilitação

Resumo

INTRODUÇÃO: O crescimento imigratório na região sul do país e a escassez de informações no âmbito múltiplo assistencial a estes indivíduos, tornou evidente a necessidade de disseminação dos conceitos de idealização de saúde dos estrangeiros, condições de saúde primária em que são assistidos e a conscientização dos profissionais de saúde quanto à responsabilidade em relação a este movimento tão presente na atualidade.  Durante uma experiência anterior de contratação de um grupo de haitianos para vínculo empregatício em uma empresa de transporte do Sul do país, foi possível perceber as dificuldades encontradas por este grupo quanto às suas condições gerais de vida, saúde, socioculturais e socioambientais. Tendo em vista este contexto, o objetivo deste artigo é relatar as condições de saúde, socioculturais e socioambientais, observadas durante a contratação de um grupo de haitianos em uma empresa da região sul do país.  FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A realidade das imigrações teve seu início oficialmente a partir do século XX, data em que os imigrantes passaram a ter um “status” institucional legal e abrangente internacionalmente (AYDOS et al., 2008). Estes deslocamentos iniciaram devido ao término da Segunda Guerra Mundial, momento em que muitas pessoas tiveram que deixar seus países de origem em busca de uma nova vida (AYDOS et al., 2008). O Brasil é membro da ACNUR desde sua fundação e foi o país da América Latina que mais acolheu refugiados vindos da Europa após a Segunda Guerra Mundial (AYDOS et al., 2008). Os refugiados recebem assistência, com abrangência de moradia, alimentação, proteção e orientação jurídica (AYDOS et al., 2008). No estado do Rio Grande do Sul, através de convênio estabelecido com a ACNUR, a Associação Antônio Vieira (ASAV), localizada em Porto Alegre, tornou-se instituição referência como implementadora de projetos de assistência aos refugiados, juntamente com alguns órgãos parceiros. Conforme dados fornecidos pela Polícia Federal ao Conselho Nacional de Imigração (CNIg), no ano de 2016 registrou-se 42.026 haitianos (IMDH, 2016). O Haiti é considerado um país com as piores condições econômicas da América Latina, sendo alvo de catástrofes naturais há décadas. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um relato de experiência qualitativo amparado por uma revisão bibliográfica integrativa da literatura. Esta experiência com os haitianos iniciou através de um contato com um padre na cidade de Manaus, local em que a maioria destes migrantes adentram no Brasil. Entre as questões observadas durante este processo de seleção dos candidatos salienta-se a diferença que existe entre os indivíduos de povos e etnias diferentes dentro do mesmo continente, o grau de escolaridade dos candidatos, muitos possuíam diploma universitário e quase a totalidade falava mais que uma língua. A maioria dos indivíduos eram casados e com filhos, sendo que a família permanecia no Haiti onde mensalmente era destinado parte do salário recebido por eles. Com o passar do tempo, observou-se o preconceito por parte dos integrantes da comunidade onde estes imigrantes estavam inseridos, porém sem relato de episódio de discriminação dentro do ambiente organizacional. Padilla et al. (2013) relatam que são vários os elementos que influenciam a saúde do imigrante, do refugiado ou requerente de asilo, desde as próprias condições de vida a nostalgia de casa e as dificuldades quotidiana. Segundo esse autor, a saúde transcende amplamente o tema da doença e inclui um leque alargado de situações que vão desde as ações de promoção da saúde e de prevenção da doença, o acesso aos serviços e cuidados de saúde, o tratamento e a reabilitação, assim como também a acessibilidade linguística, cultural e material. A descrição deste relato é incapaz de abranger toda a magnitude desta experiência, contudo, diante destes fatos pode-se perceber como a população haitiana foi tratada de forma irresponsável, preconceituosa e tiveram seus direitos legais negligenciados. CONCLUSÃO: As principais dificuldades encontradas foram às questões de linguagem, comunicação e a escassez de estudos científicos com relação a aspectos de saúde pública e dados destes indivíduos nas bases de dados pesquisadas. Sugere-se que sejam realizados novos estudos experimentais com estes indivíduos, relacionando com questões mais específicas de saúde a fim de verificar as suas principais necessidades.

REFERÊNCIAS

AYDOS, M.; BAENINGER, R.; DOMINGUEZ, J.A. Condições de Vida da População Refugiada no Brasil: trajetórias migratórias e arranjos familiares. CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO LATINO AMERICANA DE POPULAÇÃO- ALAP III, 2008, Córdoba. Anais do III Congresso da Associação Latino Americana de População. Córdoba: 2008.

PADILLA, B. Saúde dos imigrantes: multidimensionalidade, desigualdades e acessibilidade em Portugal. Rev. Inter. Mob. Hum., Brasília, Ano XXI, n. 40, p. 49-68, jan./jun. 2013.

Publicado
2018-06-26
Seção
Grupo de Trabalho 4: Saúde e Direitos Humanos na Era das Vulnerabilidades Sociais