INSEGURANÇA ALIMENTAR EM GESTANTES ATENDIDAS NO SUS E DIREITOS HUMANOS

  • Rafaela Santi Dell'Osbel Centro Universitário da Serra Gaúcha http://orcid.org/0000-0003-4643-0973
  • Laressa Neques Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Cleber Cremonese Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Maria Luisa de Oliveira Gregoletto Centro Universitário da Serra Gaúcha

Resumo

INTRODUÇÃO: Direito humano à alimentação adequada (DHAA) concede a toda pessoa estar livre da fome e da má nutrição. No entanto, o direito à alimentação adequada está distante da vida de diversas pessoas em todo o mundo (LEÃO, 2013). Neste contexto, o estudo tem como objetivo identificar a insegurança alimentar em gestantes na atenção básica e discutir possíveis efeitos adversos sobre os bebês. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Em 2013, 22,6% dos domicílios brasileiros encontram-se com Insegurança Alimentar (IA), isto é, preocupação com a possibilidade de ter restrição de alimentos (IBGE, 2014). Com o aumento na demanda nutricional durante a gestação (TEIXEIRA et al., 2015), a inadequação da alimentação e a IA podem levar a problemas de saúde, imunológicos (THIELE et al., 2017), ganho de peso inadequado (ROBERTSON, LADLOW, 2017), entre outros (LARAIA et al., 2013; NATAMBA et al., 2017; OLIVEIRA et al., 2017; SANTOS, 2017). Além de afetar o bebê, prejudicando a saúde e qualidade de vida, podendo levar a má nutrição da criança após o nascimento (MONTEIRO et al., 2014). MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de uma abordagem descritiva transversal, com gestantes usuárias da Atenção Básica de Caxias do Sul/RS. Foi utilizado um questionário padronizado, composto por questões sociodemográficas, comportamentais, antropométricas e de hábitos alimentares. Para verificar a IA, utilizou-se a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), composta por 14 perguntas com resposta “sim” ou “não”, com graus de gravidade crescente, desde a preocupação com a falta de alimento, até a situação de algum morador haver passado um dia inteiro sem comer. Essa escala possibilita estimar a prevalência de IA e classifica-la de acordo com a gravidade, podendo ser leve, moderada ou grave (SEGALL-CORRÊA et al., 2004). RESULTADOS E DISCUSSÕES: Foram investigadas 76 gestantes, destas, 46,1% apresentavam IA, sendo 38,2% leve, 7,9% moderada e nenhum caso de IA grave. Os resultados assemelham-se aos de Oliveira et al., (2017), no nordeste brasileiro, envolvendo 363 gestantes, com prevalência de 42,7%. Da mesma forma, uma pesquisa com 8790 gestantes com HIV no Zimbábue, constatou uma prevalência de, 49%, 33% e 18%, de IA, IA moderada e IA severa, respectivamente (MCCOY et al., 2015). Acredita-se que as gestantes apresentem elevada prevalência de IA devido ao nível socioeconômico mais baixo, sabendo que o mesmo influencia no acesso e na qualidade dos alimentos (DE AZEVEDO ARAÚJO, DOS SANTOS, 2017). A baixa renda, outro fator que possivelmente afeta o acesso ao DHAA (BRASIL, 2010; SCORGIE et al., 2015). Sugere-se também que a baixa escolaridade e não possuir um trabalho remunerado sejam fatores que estejam agravando a IA nessa população, sabendo que o DHAA envolve acesso à informações e recursos financeiros (BRASIL, 2010; NA et al., 2016). A IA demonstra uma ineficiência no acesso ao DHAA, afetando as necessidades básicas e impactando diretamente no Direito Humano à Saúde (DHS). Desta forma, IA na gestação pode levar o recém-nascido a desnutrição, interferindo diretamente na saúde da criança após o nascimento e podendo gerar uma série de doenças e complicações na vida adulta (BRASIL, 2010; MONTEIRO et al., 2014; PEDRAZA, GAMA, 2015). Sabe-se que a presença de IA em gestantes favorece ainda mais o surgimento de anemia, o que aumenta os riscos de a criança desenvolver doenças na vida adulta (PEREIRA-DA-SILVA, 2007). Logo, a IA prejudica a saúde da gestante no pós-parto, podendo desenvolver uma alimentação inadequada, afetando diretamente o estado nutricional e elevando o risco para o surgimento de doenças (LARAIA, VINIKOOR‐IMLER, SIEGA‐RIZ, 2015). O que pode melhorar a situação de IA na vida destas gestantes é o atendimento pré-natal grupal adequado, possibilitando ações de educação em saúde, compartilhamento de conhecimentos e experiências, podendo gerar um aumento da confiança e habilidades na gestão dos recursos alimentares. No entanto, se faz necessário programas de assistência alimentar para prevenir ou enfrentar a IA na gravidez (HEBERLEIN et al., 2016).  CONCLUSÃO: A IA está presente nas gestantes, fato associado a falta de estrutura social, políticas públicas, dentre outros. Sugere-se intensificar o monitoramento do acesso à alimentação das famílias. Assim, incluindo o monitoramento de segurança alimentar no pré-natal da atenção primária e impulsionando a avaliação para novas políticas públicas de saúde que são indispensáveis, visando à reversão do problema que afeta a qualidade de vida da população.

Biografia do Autor

Rafaela Santi Dell'Osbel, Centro Universitário da Serra Gaúcha
Acadêmica do Curso de Nutrição do Centro Universitário da Serra Gaúcha
Laressa Neques, Centro Universitário da Serra Gaúcha
Acadêmica do Curso de Nutrição do Centro Universitário da Serra Gaúcha
Cleber Cremonese, Centro Universitário da Serra Gaúcha
Docente do Centro Universitário da Serra Gaúcha
Maria Luisa de Oliveira Gregoletto, Centro Universitário da Serra Gaúcha
Docente do Centro Universitário da Serra Gaúcha
Publicado
2018-06-26
Seção
Grupo de Trabalho 4: Saúde e Direitos Humanos na Era das Vulnerabilidades Sociais