PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE E A INTOLERÂNCIA AO CULTO DOS ORIXÁS

O BATUQUE DO RIO GRANDE DO SUL E OS DIREITOS HUMANOS

  • Felipe Rosa Muller Universida La Salle

Resumo

INTRODUÇÃO: A diáspora africana trouxe ao Rio Grande do Sul o culto de divindades africanas denominadas de Orixás. A religião dos ancestrais negros escravizados foi estigmatizada no Brasil, figurando ainda assim na contemporaneidade. Problematiza-se o viés preconceituoso da proteção ao meio ambiente aplicado a religião do Batuque do Rio Grande do Sul, vitimada, sem que a sociedade ao menos se esforce para entender os fundamentos dessa crença ancestral. Objetiva-se realizar a aproximação da comunidade educativa ao culto dos Orixás praticado no Batuque do Rio Grande do Sul, visando escoimar o preconceito levantado em nome da defesa do meio ambiente. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A partir da sociologia reflexiva e dos conceitos de dominação e violência simbólica desenvolvidos por Bourdieu (1999, p. 11), aborda-se o preconceito social existente em face de uma religião, o Batuque do Rio Grande do Sul. Conforme a crença das religiões de matriz africana, os Orixás são divindades relacionadas aos elementos da natureza, criados pelo Deus supremo, Olodumare. São relacionados ao progresso e a evolução dos seres humanos, regendo tudo o que existe no planeta terra. No Batuque do Rio Grande do Sul são cultuados os seguintes Orixás: Bará, Ogum, Iansã-Oyá, Xangô, Odé, Otim, Ossanhã, Xapanã, Oxum, Iemanjá e Oxalá (CORRÊA, 1992, p. 174). A sociedade brasileira originada em sua maioria por uma tradição judaico-cristã, impulsionada atualmente por uma incandescência de ideais políticos e religiosos, tenta subjugar os direitos individuais de crença e culto religioso de várias formas, entre essas as críticas estão as de agressão ao meio ambiente pelas oferendas depositadas na natureza, pelos praticantes do Batuque do Rio Grande do Sul em honra aos seus Orixás. As oferendas são parte do culto aos Orixás, herança, tradição religiosa e cultural dos povos de terreiro, compostas de elementos biodegradáveis, servindo de alimento aos animais e adubo ao solo, com simbologia e significados distintos atrelados misticamente ao lugar devocional ao qual são depositadas (FERREIRA, 2007, p. 38-43). A comunidade batuqueira se organiza cada vez mais na conscientização do respeito para com o meio ambiente, formulando inclusive cartilhas pela natureza, com orientações sobre a prática das oferendas (FAUERS, 2016). A liberdade religiosa constitui um direito do ser humano, ensinando Flores (2009, p. 69) que a luta pela dignidade da pessoa humana é um comprometimento universal em que devem ser considerados todos os grupos e pessoas habitantes no mundo, sendo atribuído aos direitos humanos o caráter de um dos elementos mais importantes para se chegar a essa referida dignidade objetivada globalmente por intermédio da luta do Direito. De forma ampla Sarlet (2010, p. 110-118) coloca a dignidade como limite e tarefa do Estado, da comunidade e dos particulares. Acudir ao conceito do que é comum ao humano constitui uma velha tendência histórica, na qual múltiplos povos adotam em processo de validação de suas pretensões mais genéricas (FLORES, 2009, p. 166).  Entretanto, o Batuque do Rio Grande do Sul é combatido por razões mil e os praticantes violentados pelo preconceito social, em grande parte sob argumento de danos ambientais amparados por um discurso irreal, não condizente com a prática da sua fé. Ser batuqueiro(a) é muito mais do que somente exercer uma religião menosprezada, significa revestir-se de uma identidade própria, de filosofia e modo de vida específicos, que se refletem na vivência individual e coletiva no cotidiano. É herança africana, com alto grau de complexidade e riqueza simbólica, dotada de articulação interna desse conjunto (CORRÊA, 1992, p. 68-69).  MATERIAL E MÉTODOS: Far-se-á uso de plataformas virtuais para alcance da comunicação e reflexão. A metodologia consistirá de uma pesquisa qualitativa de natureza aplicada. Possuindo objetivo exploratório, método dedutivo e uso da técnica documental indireta de pesquisa bibliográfica. CONCLUSÃO: O Batuque é uma religião afro-brasileira, característica do Rio Grande do Sul, conservando a maior fidelidade possível a herança africana original. A sociedade brasileira fundada na tradição judaico-cristã, qual concebe o cosmo em uma polaridade dualista, vítima historicamente a religião do Batuque, com várias formas de repressão, entre elas a que aduz a proteção ambiental, em mais uma tentativa de sufocamento, assimilacionismo e purificação.

 

Publicado
2020-12-11