PREVALÊNCIA DE DESNUTRIÇÃO E DINAPENIA EM DOENTES RENAIS CRÔNICOS DE UM AMBULATÓRIO DE HEMODIÁLISE DE CAXIAS DO SUL - RS

  • Joana Zanotti FSG
  • Bianca Flores Vielmo FSG Centro Universitário
  • Rodrigo Bortolini FSG Centro Universitário

Resumo

INTRODUÇÃO: A doença renal crônica (DRC) caracteriza-se pelo processo lento e progressivo da diminuição ou perda da função renal, devido à insuficiência renal aguda ou a outras patologias prévias, destacando-se síndrome nefrótica crônica, diabetes mellitus (DM), e hipertensão arterial sistêmica (HAS), sendo estas duas últimas as principais causadoras de falência renal e necessidade de terapia renal substitutiva (FRANCO et al., 2013; BOUSQUET-SANTOS et al., 2019). A DRC é um problema de saúde pública com impacto econômico e social significativo, em 1990, a DRC representava a 17ª causa de morte no Brasil, enquanto em 2010 já ocupava a 10ª colocação. Além disso, observou-se um aumento expressivo na contribuição da DRC como causa de morte prematura em mulheres brasileiras (BOUSQUET-SANTOS et al., 2019). Com base no apresentado, o objetivo deste estudo foi avaliar a prevalência de desnutrição e dinapenia em doentes renais crônicos de um ambulatório de hemodiálise de Caxias do Sul – RS. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Dentre os tipos de terapia substitutiva ao paciente com DRC, a hemodiálise (HD) representa a principal escolha, sendo utilizada em 91% dos casos (BOUSQUET-SANTOS et al., 2019). A mortalidade da população com DRC em HD é elevada e a desnutrição energético proteica (DEP) destaca-se como uma das consequências mais comuns. A maioria dos pacientes possui ingestão inadequada de energia, proteínas e nutrientes, o que compromete o seu estado nutricional (ALVARENGA et al., 2017). A desnutrição é um dos principais fatores de morbidade e mortalidade entre os pacientes em HD, causada pela uremia e também pelas restrições alimentares, perda de aminoácidos no período intradialítico, anorexia, intercorrências infecciosas, distúrbios gastrointestinais, administração de certos medicamentos que favorecem anormalidades no perfil nutricional dos pacientes. Sinais de desnutrição são apresentados entre 10% e 70% dos pacientes mantidos em HD (SANTOS et al., 2013). A dinapenia decorre de uma combinação da evolução da sarcopenia e de alterações do sistema nervoso, é a primeira e mais importante manifestação clínica de Síndrome da fragilidade do idoso, fenômeno preditor mais importante de incapacidade e morte, em relação a perda de massa muscular isoladamente (SOARES et al., 2017). MATERIAL E MÉTODOS: A coleta foi realizada em pacientes em uma unidade de hemodiálise capazes de realizar as avaliações e que tenham domínio da língua portuguesa, sendo excluídos pacientes com deficiência física e menores que 18 anos ambos os sexos. Realizou-se a coleta de dados sociodemográficos e antropométricos: peso e estatura para cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), teste de Força de Pressão Palmar (FPP) através da dinamometria manual, perímetro da panturrilha (PP), músculo adutor do polegar (MAP). Foram considerados desnutridos pacientes adultos com IMC <18,5kg/m2 e idosos com IMC <22,0kg/m2, PP ≤33,0cm para mulheres e ≤34,0cm para homens, além de MAP <12,5mm para o sexo masculino e <10,5mm para o sexo feminino; a dinapenia foi considerada como < 20kg/f para o sexo feminino e <30kg/f para o sexo masculino. O estudo foi aprovado pelos Comitês de Ética de ambas Instituições envolvidas, sendo pareceres nº: 2.612.951 e nº: 2.533.095. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Foram avaliados 43 pacientes, 9,3% apresentaram baixo peso segundo IMC, 37,2% apresentaram baixa reserva de massa muscular segundo o PP, 58,1% apresentaram baixa reserva de massa muscular segundo o MAP e 51,1% apresentaram dinapenia. Desnutrição e dinapinemia em pacientes em hemodiálise, são problemas significativos devido a uma variedade de mecanismos que envolvem o tempo de tratamento, controle da dieta e adesão ao tratamento. Desnutrição tem sido associada com uma série de consequências clínicas, incluindo a qualidade de vida que se deteriora, diminuição da resposta ao tratamento, aumento do risco de toxicidade induzida pela hemodiálise e redução na sobrevivência a diálise, (SMIDERLE e GALLON, 2012) CONCLUSÃO: Podemos observar neste estudo que a desnutrição e a dinapenia são relevantes em pacientes com DRC e conforme o método avaliativo apresenta resultados distintos. Diante deste contexto todo, torna-se indispensável a avaliação nutricional precisa, bem como o acompanhamento nutricional em todas as fases do tratamento, a fim de minimizar os danos causados pelo quadro clínico nutricional.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG

Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas

Publicado
2020-12-11
Seção
GT1 (2020): Relação entre Epidemiologia de Doenças e Meio Ambiente