PREVALÊNCIA DE DESNUTRIÇÃO E PERDA DE PESO EM PACIENTES COM CÂNCER EM QUIMIOTERAPIA EM UM AMBULATÓRIO DE CAXIAS DO SUL/RS

  • Joana Zanotti FSG
  • Bruna Rech FSG Centro Universitário
  • Fernanda Trein FSG Centro Universitário

Resumo

INTRODUÇÃO: Câncer é uma doença multifatorial, crônica, caracterizada pela mutação de uma célula, levando a uma rápida e desordenada proliferação dessas células pelo corpo. Por ser uma proliferação rápida, tende a ser mais agressiva e incontrolável, formando então tumores, que podem ou não se espalhar pelo corpo através de metástases (INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER, 2020). Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o câncer é a segunda principal causa de morte no mundo e em 2018 foi responsável por 9,6 bilhões de óbitos. Antes mesmo do início do tratamento, os pacientes já vêm perdendo peso, sendo que a perda de peso e a desnutrição acabam sendo os distúrbios nutricionais mais frequentemente observados em pacientes com câncer, acometendo 40,0% a 80,0% dos casos (POZIOMYCK, 2011). Com base no exposto, o objetivo deste trabalho foi avaliar a prevalência de desnutrição e perda de peso em pacientes com câncer em quimioterapia em um ambulatório de Caxias do Sul/RS. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A perda de peso em pacientes oncológicos se explica pela inflamação sistêmica ou pela doença ser catabólica, provocando uma desnutrição calórico-proteica, podendo agravar para um quadro de caquexia, uma complicação frequente no paciente portador de neoplasia maligna. A caquexia é uma síndrome caracterizada pela perda de peso, lipólise, perda de massa muscular, perda ou não de massa gorda, anorexia, náusea e astenia, contribuindo para um pior prognóstico da doença e redução da qualidade de vida (DE SOUZA, et al., 2017). Os tratamentos disponíveis para tratar/curar o câncer são cirurgia, quimioterapia, radioterapia, transplante de medula óssea e imunoterapia, sendo que em alguns casos, é preciso combinar mais de uma modalidade de tratamento. A quimioterapia afeta tanto as células tumorais como os tecidos corporais sadios, porém com diferentes graus de toxicidade. Por seu efeito ser sistêmico, diversos sintomas podem ser esperados, como: dor, náuseas e vômitos, alteração de peso, diarreia, alteração no paladar, má absorção, xerostomia, disfagia, constipação, entre outros. Por consequência, esses sintomas resultam na redução da ingestão alimentar e consequente depleção do estado nutricional (DO VALE, et al., 2015; INTERDISCIPLINARIA, Domiciliaria, 2010). MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um estudo epidemiológico observacional, com delineamento transversal, no qual foram analisadas a avaliação subjetiva global produzida pelo próprio paciente (ASG–PPP), de pacientes com diagnóstico de câncer, em tratamento quimioterápico, de um ambulatório de oncologia de Caxias do Sul/RS, incluindo-se avaliações de pacientes com idade acima de 19 anos e excluídas avaliações de pacientes que estivessem incompletas e/ou rasuradas. Este instrumento tem como finalidade classificar o paciente como: nutrido, desnutrido moderado ou gravemente desnutrido para avaliar o estado nutricional. Fazem parte da ASG-PPP alteração de peso e estatura, ingestão alimentar, atividades e função, doenças e sua relação com requerimentos nutricionais, demanda metabólica e exame físico. O estudo foi aprovado pelos Comitês de Ética de ambas Instituições envolvidas, sendo pareceres nº: 2.571.056 e nº: 2.726.138. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Foram avaliadas 413 ASG-PPP, 52,05% deles apresentaram perda de peso. A perda de peso foi mais comum nos cânceres de cabeça e pescoço (66,6%) e gastrointestinal (GI) (66,6%). Em estudo de Buldrini (2019), a perda de peso também foi mais prevalente nestas regiões, sendo 46,0% com câncer GI e 44,0% com câncer de cabeça e pescoço. De acordo com a ASG-PPP, 24,93% dos pacientes estavam desnutridos, sendo 39,3% com câncer de próstata e 37,0% com câncer de cabeça e pescoço. Em estudo realizado com 189 pacientes oncológicos na cidade de Pelotas/RS (CAGOL et al., 2016) encontrou maior prevalência de desnutrição conforme ASG (58,6%), mas, assim como neste estudo, foi mais prevalente nos cânceres de cabeça e pescoço. Foram classificados com desnutrição pelo Índice de Massa Corporal (IMC) 11,38% dos pacientes sendo mais prevalente nos cânceres de cabeça e pescoço (29,6%). De forma semelhante a este estudo, DE SOUZA e BRITO, et al., encontraram valores maiores de desnutrição pela classificação da ASG do que do IMC. CONCLUSÃO: A prevalência de desnutrição foi maior de acordo com a ASG do que de acordo com o IMC. Em ambos os métodos, cânceres de cabeça e pescoço apresentaram alta prevalência, mas, de acordo com a ASG, foi mais prevalente em pacientes com câncer de próstata. A perda de peso foi bastante comum entre pacientes oncológicos, sendo mais prevalente em pacientes com cânceres de cabeça e pescoço e gastrointestinal. Quando associada aos efeitos colaterais do tratamento, aos sintomas da doença e a baixa ingestão alimentar, contribuem ainda mais para a desnutrição. São necessários mais estudos para avaliar esta associação.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG

Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas

Publicado
2020-12-11
Seção
GT1 (2020): Relação entre Epidemiologia de Doenças e Meio Ambiente