PREVALÊNCIA DE OBESIDADE E RISCO CARDIOVASCULAR EM IDOSAS DA COMUNIDADE DE CAXIAS DO SUL/RS

  • Joana Zanotti FSG
  • Bianca Lorensi FSG Centro Universitário
  • Pamela Schaefer Cordeiro FSG Centro Universitário

Resumo

INTRODUÇÃO: O envelhecimento da população é um processo multifatorial que vem acontecendo de forma acelerada. Uma realidade acompanhada da mudança do perfil de saúde da população, onde se ganha destaque o crescente número de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) (MEDEIROS et al., 2009). O envelhecimento também está associado, ao aumento da massa de gordura corporal, sendo seu aumento de 20 a 30% na gordura corporal total. (SILVEIRA et al., 2016). Estudos epidemiológicos identificam crescentes taxas de prevalência de obesidade em idosos, juntamente a fortes impactos negativos à saúde, sendo assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a prevalência de obesidade e risco cardiovascular em idosas da comunidade de Caxias do Sul/RS. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Segundo a Organização Mundial de Saúde, as doenças cardiovasculares são responsáveis por 27% das mortes no mundo, cenário que implica na qualidade de vida da população, e também tem grande impacto na economia e nos sistemas de saúde. (BARROSO et al., 2017). Associada a vários problemas de saúde, como doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial sistêmica, e também certos tipos de câncer, a obesidade é considerada uma epidemia global que afeta todas as faixas etárias (SILVEIRA, et al., 2018). A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a maioria dessas morbidades poderia ser evitada e que grande parte da mortalidade cardiovascular podem ser diminuídos com mudanças no estilo de vida que visam controlar os fatores de risco (MEDEIROS, et al., 2019). O desenvolvimento dessas doenças afeta os indivíduos de maneira diferente, onde sua menor frequência está relacionada com hábitos de vida saudáveis (SILVEIRA, et al., 2018). MATERIAL E MÉTODOS: Tratou-se de um estudo epidemiológico observacional do tipo transversal. As variáveis investigadas foram: idade, peso, estatura, índice de massa corporal (IMC) (considerando os valores: ≤ 22,0 kg/m2 para baixo peso, 22,0-27,0 kg/m2 para eutrófico, ≥ 27,0 kg/m2 para excesso de peso), circunferência da cintura (< 80,0 sem risco, ≥ 80,0 - 88,0 risco moderado, ≥ 88,0 risco grave), circunferência do quadril e a relação cintura/quadril (considerando os valores: < 0,85 como sem risco e ≥ 0,85 com risco para RCV). A amostra foi selecionada por conveniência, foram incluídas no estudo mulheres idosas com idade maior ou igual a 60 anos, captadas nos grupos de idosos da cidade de Caxias do Sul, RS. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob parecer de aprovação número 1.628.941 e todas voluntárias assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.  RESULTADOS E DISCUSSÕES: Participaram do estudo 214 idosas da cidade de Caxias do Sul/RS, com idade média de 71,92 anos (DP±7,23). Em relação ao peso, o valor médio encontrado foi de 69,95kg (DP±11,95), grande parte das idosas estudas apresentavam excesso de peso (média do IMC 28,12kg/m2 ((DP±4,38)). Observou-se também números significativos em relação aos resultados da RCQ (0,89cm) (DP±0,07), onde grande parte apresentou risco para desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A gordura corporal em localização central apresenta grande impacto sobre as DCVs, sendo a circunferência da cintura (CC) e a relação cintura quadril (RCQ), os indicadores mais utilizados como preditora de risco cardiovascular (OLIVEIRA & RODRIGUES, 2016). Segundo a OMS, a classificação do risco de doença cardiovascular a partir da circunferência de cintura, apresenta risco muito alto, com valores ≥ 88,0 cm. Neste estudo, a média dos resultados para CC, foi de 93,56cm (DP±10,98). CONCLUSÃO: Segundo o estudo a prevalência de obesidade nas idosas de Caxias do Sul - RS foi elevada. As informações dos fatores de risco podem colaborar no tratamento multidisciplinar à saúde do idoso, focada para a prevenção de complicações relacionadas às doenças cardiovasculares e para o desenvolvimento de políticas públicas para o envelhecimento saudável.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG

Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas

Publicado
2020-12-11
Seção
GT1 (2020): Relação entre Epidemiologia de Doenças e Meio Ambiente