LINFOMAS E SUA RELAÇÃO COM FATORES DE RISCO EM HOSPITAL DO SUL DO BRASIL

ANÁLISE DE UMA DÉCADA

  • Caroline Marsilio FSG
  • Fernanda Formolo

Resumo

INTRODUÇÃO: a incidência de neoplasias malignas no mundo aumentou 20% na última década e dentre elas podemos destacar os linfomas (MARCON et al., 2019). Os linfomas se originam nos linfonodos (gânglios) do sistema linfático, sem causas completamente elucidadas, porém com pouca influência de componentes genéticos e alta ligação com fatores de risco ambientais (BRASIL, 2019; MARCON et al., 2019). Os mesmos foram classificados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em dois grandes grupos: os Linfomas de Hodgkin (LH) e os Linfomas não Hodgkin (LNH) (BRASIL, 2019). A análise do perfil dos pacientes acometidos por esta patologia fornece informações que contribuem para o melhor entendimento de suas origens, tornando possível um planejamento e gestão da saúde para prevenção de fatores de risco controláveis, justificando a realização do estudo (ASSIS et al., 2020). Neste contexto, o objetivo do presente trabalho foi identificar o perfil epidemiológico dos pacientes diagnosticados com linfoma assistidos entre os anos de 2010 e 2019 no Hospital Pompéia de Caxias do Sul/RS. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: buscou-se na literatura autores que retratavam a incidência do câncer, de forma geral e com foco nos linfomas, principalmente com abordagens quanto ao perfil epidemiológico da população acometida. MATERIAL E MÉTODOS: estudo descritivo e retrospectivo, com base nos dados coletados e armazenados no Registro Hospitalar de Câncer (RHC) ao longo de 10 anos (2010 – 2019) no Instituto do Câncer do Hospital Pompéia de Caxias do Sul/RS (INCAN). A análise quali-quantitativa ocorreu através da plataforma Microsoft Excel. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital Pompéia (parecer nº 311.052). RESULTADOS E DISCUSSÕES: foram identificados 258 pacientes com diagnóstico de linfoma no período determinado, configurando 5,4% do total de novos casos de câncer da década (4793). Ao que se trata do perfil, pôde-se notar uma prevalência numérica de indivíduos brancos (90,7%), do sexo masculino (53,1%), com média de idade de 54 anos, sendo 55,4% dos indivíduos com idade inferior a 60 anos. Na população do estudo, os Linfomas não-Hodgkin são os que mais acometem os indivíduos (63,4%) e acerca do estadiamento clínico, prevalecem os graus III e IV (15,1% e 43,4% respectivamente). Com relação aos fatores de risco para o câncer – história familiar, tabagismo e etilismo – há grande presença da resposta “sem informação” na base de dados do RHC (72,5%, 51,2% e 60,8%, respectivamente), dificultando a análise das informações. Contudo, foi possível observar nos dados disponíveis a presença de uma maioria sem histórico familiar para neoplasia (52%), tabagistas ou ex-tabagistas (73%) e etilistas ou ex-etilistas (76,2%). Diversos são os fatores relacionados com o aumento da ocorrência de Doenças Crônicas não-transmissíveis (DCNT) como o câncer, como as transições demográficas, epidemiológicas e nutricionais da população que favorecem sua exposição a agentes carcinogênicos (OLIVEIRA et al., 2017; NOBRE et al., 2016). De forma geral, se faz possível relacionar o desenvolvimento de linfomas com o uso de agrotóxicos, infecção pelo vírus HIV e outros agentes infecciosos, doenças autoimunes, imunossupressão, exposição a agentes químicos e algumas ocupações (BRASIL, 2019; COSTA, MELO e FRIEDRICH, 2017). Estas relações foram confirmadas na amostra, ao observar a presença de pacientes HIV positivo e agricultores. CONCLUSÃO: o método utilizado possibilitou alcance do objetivo proposto. Trabalhos como o presente estudo se mostram benéficos por identificar o perfil dos pacientes e relacioná-los com fatores de risco controláveis, auxiliando no desenvolvimento de estratégias preventivas.
Publicado
2020-12-11
Seção
GT1 (2020): Relação entre Epidemiologia de Doenças e Meio Ambiente