SOLIDARIEDADE TECNOLÓGICA

OS APLICATIVOS DE CARONA COMPARTILHADA COMO FERRAMENTA DE MITIGAÇÃO DOS IMPACTOS AO MEIO AMBIENTE

  • Cleide Calgaro Universidade de Caxias do Sul
  • Luis Angelo Dallacort Universidade de Passo Fundo - UPF
  • Gabriel Dil Universidade de Passo Fundo - UPF

Resumo

INTRODUÇÃO. A tecnologia se tornou essencial para a vida humana, estando inserida nos mais diversos ramos e contribuindo para o desenvolvimento de áreas como a saúde, educação, lazer e cultura. Tamanha é sua influência na sociedade, se tornando difícil a existência da vida humana sem a presença da tecnologia. Essa onda tecnológica fez com que várias ferramentas digitais pudessem ser desenvolvidas, desencadeando em uma sociedade mais conectada e solidária. Nesse âmbito, emergem os aplicativos de carona, que permitem não somente um maior convívio social, mas também a minimização da emissão de poluentes na atmosfera. Ao adotar essa tecnologia é possível diminuir o número de veículos que circulam diariamente nas ruas e, consequentemente, o nível de poluição emitida pelo setor de transporte, um dos principais responsáveis pela poluição do ar. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O desenvolvimento sustentável, segundo a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (World Commission on Environment and Development), significa um desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras na satisfação de suas próprias necessidades. O objetivo geral do desenvolvimento sustentável é a estabilidade do meio ambiente, que só é possível por meio da integração das preocupações econômicas, ambientais e sociais durante todo o processo de tomada de decisões (EMAS, 2015). Nesse sentido, verifica-se que um forte sistema sustentável reconhece as características únicas dos recursos naturais, que não podem ser substituídos, até mesmo alguns que sequer podem ser renovados, bem como devem atender ao bem-estar das próximas gerações (EMAS, 2015). Os veículos são um dos principais responsáveis pela poluição ambiental, tendo em conta que emitem altas quantias de dióxido de carbono (CO²), poluente altamente prejudicial. Sua emissão acaba sendo vinculada à fumaça emitida pelos escapamentos, ocasionando uma grande contaminação do ar. Uma das formas de reduzir esse impacto pode ser possível por meio do uso das novas tecnologias e da solidariedade, que quando combinadas, possibilitam a redução de poluentes e o despertar de uma sociedade mais solidária. Diante do desenvolvimento de tecnologia, as plataformas digitais provocaram uma inovação no cenário da mobilidade urbana mundial, que passou a proporcionar novas formas de locomoção solidária, baseadas em aplicativos de celular que fazem o compartilhamento de informações em tempo real. O desenvolvimento desses aplicativos, abriram espaço para o surgimento de iniciativas que não se baseiam no lucro, mas sim na ideia de uma economia compartilhada e numa otimização do uso dos automóveis, com a consequente diminuição de emissão de gases poluentes na atmosfera. Esse modelo de carona solidária pode ser vislumbrado em aplicativos de CarPooling, já em funcionamento no Brasil- como o Blablacar.  O fundamento principal do aplicativo de carona solidária é colocar no mesmo automóvel, mais de uma pessoa que tenha o mesmo destino. O aplicativo procede o cálculo da rota mais econômica e o preço que cada passageiro paga ao final da corrida, não visando lucro, mas sim o rateio isonômico dos custos entre os “caroneiros”. (FELTRAN, 2017, p. 55). Nesse caminho, a redução dos danos ambientais provocados pelo uso desenfreado e desequilibrado de veículos individuais, pode se dar com a interação entre tecnologia, solidariedade econômica e inovação colaborativa, assim, a tecnologia poderá possibilitar o estabelecimento de uma economia sustentável e mais humana, promovendo um planeta mais equilibrado e sustentável (LIPOVETSKY, 2016, p. 138). MATERIAL E MÉTODOS: O Estudo configura-se como uma pesquisa de uma revisão bibliográfica que busca analisar de que forma a utilização das chamadas tecnologias solidárias, que possibilitam o compartilhamento de caronas e que podem contribuir para a construção de um mundo mais sustentável. CONCLUSÃO: Diante da análise realizada, foi possível auferir que por meio da tecnologia solidária, que possibilita a locomoção de forma consciente, a redução de veículos nas estradas e, consequentemente, a diminuição da emissão de poluentes, atrelados a solidariedades, é possível o estabelecimento de um meio ambiente mais limpo e sustentável. 

REFERÊNCIAS

EMAS, Rachel. The Concept of Sustainable Development: Definition and Defining Principles. United Nations. 2015. Disponível em: <https://sustainabledevelopment.un.org/content/documents/5839GSDR%202015_SD_concept_definiton_rev.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2020.

 

FELTRAN, Fernanda Rodrigues. O Sistema Nacional de Mobilidade Urbana: do Direito de Acessar a Cidade.

 

LIPOVETSKY, Gilles. Da Leveza. Tradução de Indalina Lopes. Barueri: Manoele, 2016.

 

 

Biografia do Autor

Cleide Calgaro, Universidade de Caxias do Sul

Pós-Doutora em Filosofia e em Direito ambos pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS. Doutora em Ciências Sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS. Doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS, na condição de taxista CAPES. Doutoranda em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC. Mestra em Direito e em Filosofia pela Universidade de Caxias do Sul – UCS. Atualmente é Professora da Graduação e Pós-Graduação em Direito na Universidade de Caxias do Sul. É Líder do Grupo de Pesquisa “Metamorfose Jurídica” da Universidade de Caxias do Sul-UCS e Vice-Líder do Grupo de Pesquisa “Filosofia do Direito e Pensamento Político” da Universidade Federal da Paraíba-UFPB. Atua como pesquisadora no Grupo de pesquisa “Regulação ambiental da atividade econômica sustentável (REGA)” da Escola Superior Dom Helder Câmara e no CEDEUAM UNISALENTO - Centro Didattico Euroamericano sulle Politiche Costituzionali na Università del Salento-Itália. É membro do Comitê Assessor de Ciências Humanas e Sociais da FAPERGS: Membro Titular (2019-2021). Orcid: https://orcid.org/0000-0002-1840-9598. CV: http://lattes.cnpq.br/8547639191475261. E-mail: ccalgaro1@hotmail.com

Luis Angelo Dallacort, Universidade de Passo Fundo - UPF

Mestrando em Direito pela Universidade de Passo Fundo (UPF) com auxílio CAPES. Pós-graduado em Direito do Trabalho pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Graduado em Direito pela Universidade de Passo Fundo (UPF)

Gabriel Dil, Universidade de Passo Fundo - UPF

Advogado. Pós-Graduando em Direito Médico. Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade de Passo Fundo (UPF). Bolsista CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal em Nível Superior). Especialista em Ciências Criminais pela Universidade Estácio de Sá - UNESA. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade de Passo Fundo - UPF

Publicado
2020-12-11
Seção
GT5 (2020): Sustentabilidade e Responsabilidade Social (Tecnologia e Ambiente)