OTIMIZANDO A APRENDIZAGEM AUTOCONTROLADA: EFEITOS DO FEEDBACK POSITIVO RELACIONADO À COMPETÊNCIA DO APRENDIZ

  • S. CHIVIACOWSKY Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas - UFPEL
  • L. T. G. ÁVILA
  • D. H. GONZALEZ

Resumo

Um importante fator, que tem demonstrado melhorar a performance e a aprendizagem de habilidades motoras é a prática autocontrolada. Estudos comparando arranjos de prática controlados pelos aprendizes com arranjos de prática equiparados, mas externamente controlados (por exemplo, Janelle, Kim, & Singer, 1995; Wulf, & Toole, 1999; Wulf, Clauss, Shea, & Witacre, 2001; Chiviacowsky, & Wulf, 2002; Keetch, & Lee, 2007; Huet, Camachon, Fernandez, Jacobs, & Montagne, 2009; Patterson, & Carter, 2010), tem comprovado a superioridade da aprendizagem dos primeiros. Outro fator importante é o feedback relacionado à competência. Vários estudos têm demonstrado que o feedback induzindo percepções positivas relacionadas ao desempenho de um indivíduo resulta em aumentada percepção de competência, um aspecto importante de motivação intrínseca (Allen & Howe, 1998; Amorose & Horn, 2000; Badami, VaezMousavi, Wulf, & Namazizadeh, in press, Koka & Hein, 2003; Vallerand, 1983). Levando em consideração estes aspectos o objetivo do presente estudo foi investigar os efeitos do feedback positivo induzindo altas percepções de competência na otimização da aprendizagem autocontrolada. A amostra foi constituída por 26 estudantes universitários (14 mulheres e 12 homens) e o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade. A tarefa consistiu em pressionar teclas do teclado numérico do computador. A seqüência espacial das teclas foi: teclas 2, 4, 8 e 6, enquanto a seqüência temporal, ou seja, os tempos parciais entre as teclas, em mseg., para as fases de aquisição e retenção foram: 200, 400 e 300. Na fase de transferência foi utilizada a mesma tarefa, tendo sido modificados somente os tempos parciais para 300, 600 e 450. Os tempos relativos de movimento para os três segmentos nas duas fases do experimento foram 22.2 – 44.4 – 33.3%. Em adição ao feedback relacionado ao desempenho, fornecido de forma autocontrolada (os sujeitos podiam receber 3 feedbacks, à sua escolha, em cada bloco de 10 tentativas), os participantes, divididos em dois grupos receberam informações de feedbacks, relacionados à sua competência na realização da tarefa, após cada bloco de 10 tentativas. Tais informações indicavam uma competência positiva (grupo Gcompet) ou eram neutros em relação à competência (grupo Gcontrol). A aprendizagem foi determinada em função do feedback relacionado à competência, através de testes de retenção e transferência, sem feedback, um dia após a prática. Através da Anova One-way foi possível observar diferenças em aprendizagem, com o grupo Gcompet demonstrando resultados superiores no teste de transferência que o grupo Gcontrol, F (1, 25) = 4.28, p < .05. Conclui-se que o feedback positivo, induzindo alta percepção de competência, possui o potencial de otimizar a aprendizagem autocontrolada.

Publicado
2018-04-11