ENGAJAMENTO DE CRIANÇAS COM E SEM DIFICULDADES MOTORAS EM AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

  • M. T. C. COUTINHO Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
  • B. C. SPESSATO
  • N. C. VALENTINI

Resumo

O desenvolvimento global na infância está associado a conquista motora (GALLAHUE; OZMUN, 2005). As habilidades motoras aprendidas nas brincadeiras e jogos proporcionam às crianças uma interação mais eficiente com o ambiente (SANDERS, 2005). A dificuldade na realização de atividades onde se exige elevado nível de coordenação tende a afastar as crianças de atividades físicas (SILVA et al., 2006). Crianças que demonstram dificuldades motoras podem apresentar Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC), o qual implica numa coordenação ineficaz para realização de tarefas cotidianas como amarrar cadarços, receber um objeto ou escrever (APA, 1994). Assim, o objetivo do presente estudo foi identificar sinais sugestivos de TDC em escolares, bem como investigar se as dificuldades motoras influenciam nos níveis de atividade física em aulas de Educação Física. Participaram do presente estudo 135 crianças com idades entre 4 e 10 anos, estudantes de duas escolas públicas da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Para identificar as crianças com dificuldades motoras foi utilizado o Movement Assessment Battery for Children (HENDERSON; SUDGEN, 1992), sendo adotado o ponto de corte proposto no manual, com categorização realizada por percentis: ≤ que 5% = crianças portadoras de dificuldades motoras, entre 6% e 15% = crianças em risco de dificuldades motoras e > 15% = crianças com desenvolvimento normal. Para a mensuração do nível de atividade física das crianças foram utilizados pedômetros (YAMAX sw200) durante quatro aulas de Educação Física. Para análise dos dados utilizou-se estatística descritiva, ANOVA oneway e Post Hoc Tests para comparação entre os grupos (p < 0,05). Os resultados indicam que 28,14% das crianças apresentam dificuldades motoras, 17,05% apresentam riscos de dificuldades motoras e 54,81% apresentam desenvolvimento normal. Diferenças significativas entre os grupos foram encontradas (F(1,132)=4,11; p < 0,01) nos níveis de atividade física para crianças com dificuldades motoras em relação as crianças com riscos de dificuldades motoras e com desenvolvimento normal. O grupo com dificuldades motoras (M=1608,47; DP=564,94) foi significativamente inferior nos níveis de atividades físicas comparados ao grupo com risco (M=2060,81; DP=790,35; p=0,046) e do grupo de desenvolvimento normal (M=1971,53; DP=752,52; p=0,031). Os grupos de crianças de desenvolvimento normal e de risco não diferiram significativamente entre si (p=0,859). Os resultados do presente estudo relatam um percentual de crianças com dificuldades motoras acima do exposto na literatura (em torno de 5% e 15%) independente da faixa etária (APA, 1994; HAGA, 2009; MARTIN, 1998). Promover atividades físicas em níveis elevados pode contribuir com a conquista motora e com a promoção de qualidade de vida das crianças. Crianças com dificuldades motoras por se sentirem constrangidas, frequentemente restringem a participação em brincadeiras e jogos em grupos, diminuindo ainda mais os níveis de atividade física. Destaca-se a importância de que profissionais de Educação Física identifiquem os sinais de dificuldades motoras, facilitando a elaboração de um Programa que promovam o engajamento e experiências motoras variadas.
Publicado
2018-04-11