A INFLUÊNCIA DO CONTEXTO NO NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA DE PRÉ-ESCOLARES EM BRINQUEDO LIVRE

  • B. C. SPESSATO Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
  • K. R. G. PEREIRA
  • M. T. C. COUTINHO
  • N. C. VALENTINI

Resumo

Níveis adequados de atividade física são fundamentais para que as crianças se desenvolvam de maneira harmoniosa, bem como para promoção de saúde e prevenção de doenças como diabetes e obesidade (SOLLERHED et al., 2008). O contexto influencia profundamente a quantidade e a qualidade do engajamento das crianças em atividades motoras (SPESSATO, LOPES, VALENTINI, 2010; SPESSATO, COUTINHO, SOUZA, VALENTINI, 2010). Assim, a participação em programas de Educação Física planejados e adequados ao desenvolvimento, proporciona às crianças a oportunidade de explorar e vivenciar diversas habilidades motoras (SANDERS, 2005; VALENTINI, TOIGO, 2006), o que pode repercutir no seu engajamento em atividades físicas (SPESSATO, LOPES, VALENTINI, 2010). Neste sentido, o objetivo do presente estudo foi comparar o nível de atividade física no brinquedo livre de pré-escolares que atendem a instituicões públicas. Participaram do estudo 67 crianças com idades entre 4 e 6 anos, estudantes da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Foram divididas em dois grupos: G1 – composto por 32 crianças provenientes de uma escola localizada na região central, que dispunha de dois professores (um unidocente e um de Educação Física em formação); e G2 – composto por 35 crianças provenientes de uma creche pública localizada na região periférica, a qual dispunha de um professor unidocente e um auxiliar de creche. Ambos os grupos vivenciavam, em suas rotinas de aula, um período de brinquedo livre. Apenas o G1 tinha aulas de Educação Física estruturadas e orientadas com atividades voltadas para a aquisição e o refinamento das habilidades motoras fundamentais. Durante três dias, pedômetros (YAMAX sw200) foram utilizados para a mensuração do nível de atividade física no brinquedo livre, com duração de 45 min. Para análise dos dados, utilizou-se estatística descritiva e ANOVA oneway para comparação entre os grupos. Os resultados demonstraram diferenças significativas entre os grupos (F(1,65)=172,36; p < 0,001), sendo que as crianças do G1 se mostraram mais ativas (MG1=3049,2; DPG1=449,2) do que as crianças do G2 (MG2=1571,1; DPG2=470,18). As crianças do G1, além de participarem de um programa de Educação Física estruturado dentro de uma perspectiva desenvolvimentista, dispunham de uma maior quantidade de materiais e espaço para a prática motora, o que pode ter repercutido positivamente no nível de atividade física das mesmas. Embora ambos os grupos dividissem os espaços e os materiais no momento de brinquedo livre com outras crianças o G1, por possuir espaço mais amplo e brinquedos diversificados, tinha maiores oportunidades de realizar atividades em níveis mais elevados. A participação no brinquedo livre torna-se importante por propiciar as crianças vivencias que desenvolvam criatividade, autonomia, exploração do corpo e refinamento de habilidades motoras (GALLAHUE, OZMUN, 2005; SANDERS, 2005). No entanto, o contexto onde estes momentos acontecem influencia diretamente as oportunidades de engajamento da criança nas possibilidades de atividades motoras. Programas motores voltados ao desenvolvimento atuam como estimuladores de níveis mais elevados de atividade física. Assim, proporcionar espaços, materiais adequados e oportunidades de prática à criança torna-se essencial para estimular maiores níveis de engajamento no brinquedo livre, além de colaborar com a qualidade de vida e a prevenção de doenças causadas por sedentarismo.

Publicado
2018-04-11