DESENVOLVIMENTO MOTOR DE BEBÊS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL INSTITUCIONALIZADOS

BRANCO L. P., CHIQUETTI E. M. S.

Resumo


Os primeiros anos de vida são cruciais no desenvolvimento do ser humano, uma vez que é um período marcado por mudanças significativas que ocorrem em ritmo vertiginoso. Há um consenso na literatura que fatores ambientais podem modificar o rumo do desenvolvimento na infância, já que esse processo depende da interação entre o indivíduo, o ambiente e a tarefa. Ambientes inapropriados, inibidores ou pouco estimulantes podem repercutir de forma negativa no desenvolvimento da criança. Uma instituição de acolhimento é, na maioria das vezes, considerada um fator de risco. Isso porque geralmente nestes locais as crianças estão afastadas de suas famílias, os cuidadores são pouco qualificados, há superlotação de crianças, espaço reduzido, poucas atividades de interação com o meio e estimulação pobre. Objetivo: O objetivo deste estudo foi analisar a influência da institucionalização sobre o desenvolvimento motor de crianças de 3 a 16 meses em vulnerabilidade social. Métodos: Este estudo foi desenvolvido em uma instituição de acolhimento de crianças em condições de vulnerabilidade social em um município do Rio Grande do Sul, no período de janeiro a outubro de 2015. Participaram deste estudo nove crianças com idades de 03 a 16 meses de idade. Para avaliar o desenvolvimento motor foi utilizado a Alberta Infant Motor Scale (AIMS), ferramenta que avalia o desenvolvimento motor de bebês do nascimento até o caminhar independente, validada e normatizada para a população brasileira. Este estudo foi aprovado pelo comitê de ética da instituição de origem. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi entregue e assinado pelo Juiz da Vara da Infância e Adolescência. Os dados foram submetidos à análise descritiva, avaliando a distribuição de cada variável estudada. Os resultados foram descritos com distribuição de frequência, medidas de tendência central e variabilidade. Resultados: Foram avaliadas 9 crianças, destas 4 meninas e 5 meninos com idade média de 7 meses. Evidenciou-se em 6 crianças desempenho motor anormal com percentil 5. As três demais crianças obtiveram resultados de até percentil 25, caracterizando risco para o seu desenvolvimento motor. Conclusão: Crianças de três a 16 meses institucionalizadas em situação de vulnerabilidade social possuem atraso no desenvolvimento motor. Esses atrasos motores se dão, possivelmente,  pela falta de oportunidades que essas crianças vivenciam e a provável baixa qualidade e quantidade de experiências prévias ao período de institucionalização.


Palavras-chave


Desenvolvimento infantil, Desenvolvimento humano, Desempenho motor, Atrasos motores, Vulnerabilidade em saúde

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