PERFIL DAS FUNÇÕES EXECUTIVAS EM CRIANÇAS COM E SEM ATRASO MOTOR DE UMA CIDADE DO RIO GRANDE DO SUL

SARTORI R. F., ADOLFO J. R., SPADARI S., VALENTINI N. C.

Resumo


A motricidade tem sido considerada berço das funções executivas (FE), já que as primeiras manifestações delas se dão por meio das interações motoras do indivíduo com o meio. Objetivo: O objetivo deste estudo foi descrever e comparar o perfil das funções executivas em crianças com e sem atraso motor de uma cidade do Rio Grande do Sul. Métodos: Participaram do estudo 45 crianças (58% meninos), com idades entre 7 e 10 anos de escolas do município de Pinto Bandeira-RS. Foram incluídas no estudo crianças com termo de consentimento assinado pelos responsáveis, sem condições médicas que inviabilizassem a execução das tarefas. As crianças realizaram o teste Movement Assessment Battery for Children (MABC-2). A partir dos resultados do MABC-2 foram organizados dois grupos de análise, um com desenvolvimento motor típico (DM), e o outro com atraso motor (AM) (percentil<16). Os sujeitos foram submetidos a tarefa GonogoApp, OddOneOut e Trail-Making-Test (TMT). Para o controle inibitório foi utilizado o GonoGoApp em quatro modalidades de input-output: auditivo-motor, visual-motor, auditivo-verbal e visual-verbal. Em cada uma das modalidades o sujeito precisava inibir respostas automáticas dadas ao receber determinado estímulo. Para avaliar a memória de trabalho foi utilizado o OddoneOut, onde eram apresentadas às crianças uma quantidade crescente de informações para em seguida perguntar se lembravam de um aspecto particular da tarefa. Na avaliação da flexibilidade cognitiva foi utilizado o TMT, onde os participantes deveriam conectar letras e números em sequência e depois fazer as conexões alternando entre as duas sequências. Foi utilizada análise descritiva, através de média e desvio padrão, analisados pelo software SPSS versão 20.0. Resultados: Dos 45 avaliados, a média de idade foi de 8,53±0,8 anos e de acordo com a divisão dos grupos, 36 crianças no grupo DM e 9 no grupo AM. Nas avaliações das funções executivas, nos grupos DM e AM, respectivamente: controle inibitório [auditivo-motor (5±2 e 6,4±1,7), visual-motor (4,3±2 e 6,5±2,5), auditivo-verbal (2,6±1,5 e 3,4±2) e visual-verbal (1,9±0,9 e 3,3±2)]; memória de trabalho (8,6±3,2 e 6,3±2,2) e flexibilidade cognitiva (-74,2±29 e -134,5±81). Os resultados apresentam diferenças significativas entre os grupos com e sem atraso motor nas tarefas de controle inibitório em que os estímulos eram visuais. Também foram encontradas diferenças nas tarefas de memória de trabalho e flexibilidade cognitiva. Conclusão: Pode se inferir que os aspectos motores estão interligados com o desempenho das funções executivas. Como trata-se da população de um município sugere-se o acompanhamento desta amostra ao longo do tempo. 

Palavras-chave


Funções executivas, Proficiência motora, Atraso motor

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