RELAÇÃO DA ACROLEÍNA COM O CÂNCER: UMA REVISÃO DA LITERATURA

  • Andressa Florencio da Silva FSG
  • Daniela Klipel Ramos FSG
  • Eduarda Camargo Finger FSG
  • Rafaela Santi Dell'Osbel FSG
  • Joana Zanotti FSG

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O consumo de frituras está cada vez mais frequente entre a população. Sabe-se que o óleo vegetal em ebulição, altera as características químicas e orgânicas do alimento que é mergulhado nele. Pode-se notar nos hábitos da população que a fritura vem tomando o lugar de hortaliças, frutas e cereais in natura (SPETHMANN, 2003). O consumo regular e equilibrado de óleos e gorduras é saudável e essencial para a saúde (SANTOS et al., 2013). Os triglicerídeos, importantes constituintes de óleos e gorduras sofrem mudanças quando entram em contato com altas temperaturas, transformando-se em glicerol e ácidos graxos. O glicerol continua sofrendo a ação da elevada temperatura, provocando a desidratação da molécula. Este processo de perda de água forma uma substância chamada acroleína, que é potencialmente cancerígena (GREENSPAN, et al.,2012; SPETHMANN, 2003). O presente trabalho teve como objetivo fazer uma revisão de estudos relacionando os efeitos da acroleína com o câncer. MATERIAL E MÉTODOS: A pesquisa foi realizada a partir das bases de dados do PubMed. Foram incluídos estudos publicados de 2000 a 2017.RESULTADOS E DISCUSSÕES: Segundo Zabłocka-Słowińska (2015), em um estudo realizado com 92 pacientes com câncer de pulmão e 157 controles, na Polônia, os hábitos alimentares são de extrema importância para garantir a saúde e interferem diretamente no aparecimento de canceres. Nesse estudo a prevalência de alimentação demonstra uma relação direta entre o câncer e a baixa ingestão de frutas e vegetais, ao mesmo tempo com a alta ingesta de produtos fritos. O óleo reutilizado, quando aquecido excessivamente apresenta efeito negativo sobre o organismo. A formação de acroleína e a decomposição da gordura ocorrem de forma mais acentuada (SPETHMANN, 2003). O estudo refere também que o nível de acroleína no tecido pulmonar é semelhante ao encontrado nos tecidos orais de fumantes de cigarros, sendo assim, com base na abundância de acroleína na fumaça de cigarro, ela se torna um dos principais agentes etiológicos de câncer de pulmão induzido pela fumaça de cigarro (FENG et al., 2006). De acordo Tott‐Miller, Neuhouser e Stanfor (2013), em um estudo com 1.549 casos e 1.492 controles, a evidência sugeriu que os métodos de cozimento a alta temperatura podem aumentar o risco de câncer de próstata (PCa). As associações observadas com o risco de PCa podem ser específicas para os alimentos fritos identificados, mas também podem representar uma associação com o consumo regular de alimentos expostos a calor muito alto ou, possivelmente, o consumo regular de alimentos de restaurantes de cadeia e fast food. Conforme Fullana et al., (2004) que analisaram a fumaça de óleo de oliva e canola e Andreu-Sevilla et al., (2009) onde analisaram a acroleína nos vapores dos óleos de oliva extra virgem, girassol e palma. Ambos estudos concluíram que a formação de acroleína aumentou significativamente quando a temperatura de cozimento foi maior de 180ºC, porém, para o óleo de girassol e canola a concentração de acroleína reduz com o tempo de aquecimento com a temperatura até 240 ºC.  Esses resultados explicam a relação do consumo de frituras com o surgimento de cânceres, principalmente os relacionados a ingesta acroleína derivada de aquecimentos prolongados de óleos e gorduras. CONCLUSÃO: Percebe-se a necessidade de mais pesquisas sobre a acroleína e a sua associação aos diversos tipos de canceres. Conclui-se que há relação entre o consumo de frituras e o aparecimento de canceres, frequentemente os de pulmão, próstata e colón/reto. Novos estudos devem contribuir para a prevenção de diversos tipos de canceres.

Biografia do Autor

Andressa Florencio da Silva, FSG

Graduanda de Nutrição, Centro Universitário da Serra Gaúcha, FSG.

Daniela Klipel Ramos, FSG

Graduanda de Nutrição, Centro Universitário da Serra Gaúcha, FSG.

Eduarda Camargo Finger, FSG

Graduanda de Nutrição, Centro Universitário da Serra Gaúcha, FSG.

Rafaela Santi Dell'Osbel, FSG

Graduanda de Nutrição, Centro Universitário da Serra Gaúcha, FSG.

Joana Zanotti, FSG
Docente do Centro Universitário da Serra Gaúcha, FSG.
Publicado
2017-10-27