USO DE METILFENIDATO ENTRE ESTUDANTES DE PSICOLOGIA DE UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DA SERRA GAÚCHA

  • Ariane Moreira Roedel Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Francine Xavier Margarin Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Roberta Soldatelli Pagno Paim Centro Universitário da Serra Gaúcha

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) sobre o consumo de psicofármacos no Brasil, nos últimos anos houve um aumento significativo de 300% na importação do metilfenidato. Este medicamento é um dos primeiros a ser escolhido para tratar o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e por se tratar de um psicoestimulante e por causar dependência física e psíquica, deve ser prescrito apenas em casos em que haja a conclusão do diagnóstico para o TDAH (ANVISA, 2012). O uso desta medicação não se restringe exclusivamente às crianças do período escolar, mas observa-se o medicamento sendo administrado por estudantes universitários com a finalidade de melhorar seu desempenho acadêmico ou aprimoramento cognitivo “maximizando sua produtividade, aumentando sua capacidade de concentração, diminuindo o cansaço físico, entre outros efeitos promovidos pelo medicamento, assim atendendo as exigências do mundo pós-moderno, de competitividade e produtividade” (SCHERER E GUAZZELLI, 2016; SILVA et al, 2012). Por esta razão, este estudo tem como objetivo compreender o uso de metilfenidato entre estudantes de Psicologia de uma instituição de ensino superior da Serra Gaúcha. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um estudo transversal, descritivo e com abordagem quantitativa. Foi aplicado um questionário contendo questões fechadas aos estudantes. Os dados foram organizados em tabelas e gráficos com frequências absolutas e percentuais e analisados através de estatística descritiva. A pesquisa ocorreu em conformidade com as Diretrizes e Normas Regulamentadas de Pesquisa envolvendo Seres Humanos, do Conselho Nacional de Saúde, dispostas na Resolução nº 466/2012 (BRASIL, 2012), mediante o parecer de aprovação CAAE 62491316.7.0000.5668 pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Centro Universitário da Serra Gaúcha. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Mediante o questionário aplicado em 190 estudantes, constatou-se que 71,6% dos entrevistados eram do sexo feminino, a faixa etária prevalente ficou entre 18-25 anos. Quanto ao semestre curricular no curso de Psicologia, a maior parte encontrava-se no 9º semestre. No que se refere ao conhecimento do metilfenidato e seu mecanismo de ação, 100% dos entrevistados afirmaram conhecer o fármaco, porém destes, apenas 24% afirmaram não conhecer seu mecanismo de ação. Em relação ao uso da substância entre os acadêmicos entrevistados, a prevalência de respostas ‘Não’ foi de 94,2%. De acordo com o estudo de Cesar et al (2012), a prevalência de respostas ‘Não’ para a variável ‘Uso na vida de metilfenidato’ também foi maior do que ‘Sim’ totalizando 91,9%. Conforme analisado pelos autores deste estudo, a prevalência quase total de respostas negativas ao uso aponta para um fenômeno raro na referida população, que incluiu estudantes de graduação com idade média de 25 anos. Ainda, em relação ao uso da substância, o total de respostas ‘Sim’ foi de 5,8%. Quanto ao uso ser para TDAH o total foi de oito estudantes dentre 11 que já fizeram uso do fármaco. No que diz respeito aos fatores que levaram ao uso da substância, houveram duas respostas para ‘rendimento acadêmico’ e outras duas para ‘Outros’, os quais não foram especificados. Dos três sujeitos que responderam ‘Não’ para a variável ‘Uso para TDAH’, dois afirmaram que a droga aumenta o poder de concentração. Três dos entrevistados relataram cansaço após efeito da droga, nenhum deles aumentou a dose para obter efeito igual ao do início e nenhum observou melhora no rendimento acadêmico com o uso da droga. Barros e Ortega (2011) observaram que a principal motivação destacada pelos estudantes foi a pressão social para melhorar o desempenho. Como justificativa para esta motivação, os entrevistados mencionaram a percepção de que a cobrança social exigia um comportamento e uma postura competitiva, tanto com os outros como consigo mesmo. CONCLUSÃO: Os resultados mostraram uma baixa prevalência no uso do metilfenidato entre os acadêmicos entrevistados, em comparação com outros estudos. A pesquisa apresentou limitações, como o pequeno grupo de indivíduos entrevistados. Pelo fato dos índices associados ao elevado aumento da comercialização do metilfenidato pela população brasileira, nota-se a importância de dar continuidade ao estudo abrangendo os demais cursos da área da saúde, além de incentivar futuros estudos acerca da forma como está sendo conduzido este processo de diagnóstico do TDAH e a equivocada prescrição desta droga para sujeitos que não possuem este diagnóstico. 

 

Publicado
2017-10-27