CONSUMO DE MEDICAMENTOS POR AUTOMEDICAÇÃO ENTRE ACADÊMICOS DE ENFERMAGEM: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

  • Juliana Oliveira Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Roberta Soldatelli Pagno Paim Centro Universitário da Serra Gaúcha

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Os medicamentos são importantes no tratamento das doenças, sendo responsáveis pela melhora da qualidade de vida da população. Entretanto, sabe-se que seu uso indiscriminado pode acarretar riscos à saúde (DOMINGUES et al., 2017). Vários são os fatores para tal prática, como  o aumento da expectativa de vida da população e o consequente aumento da carga de doença crônica, o surgimento de novas e velhas doenças transmissíveis, o aumento da prevalência dos transtornos de humor, as doenças resultantes da degradação do meio ambiente, da poluição ambiental e das mudanças climáticas, e os crescentes investimentos financeiros por parte do governo brasileiro para garantir o acesso universal aos serviços de saúde (ARRAIS et al., 2016). Além disso, experiência prévia com o sintoma ou a doença, crença sobre conhecimento da doença, limitação de recursos financeiros para cuidar da saúde, indisponibilidade de tempo para buscar auxílio médico e atitude do indivíduo face a doença também servem como motivação (GAMA; SECOLI, 2017). Para minimizar esse problema, o esperado seria a utilização de medicamentos após indicação de profissional de saúde qualificado. Porém, tal qualificação profissional pode ser questionada, uma vez que dados da literatura mostram que acadêmicos da área da saúde possuem o hábito de se automedicar (SILVA, GOULART, LAZARINI, 2014). Dada a magnitude epidemiológica e o impacto negativo, a prática da automedicação entre estudantes da área da saúde é considerada um importante problema de saúde pública. Estudos mostram taxas de prevalência, que variam de 38,0% a 97,8%, de acordo com o país de origem dos estudantes, do curso de graduação e do período recordativo da automedicação (GAMA; SECOLI, 2017). Assim, o objetivo deste estudo é avaliar o consumo de medicamentos por automedicação entre acadêmicos de enfermagem. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de uma revisão bibliográfica. A busca de artigos foi realizada nas bases de dados LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e SCIELO (Scientific Eletronic Library Online), utilizando-se como critérios de inclusão estar relacionado com o tema da pesquisa e seus objetivos; ser publicado durante o período de 2000 a 2017 e escrito em língua portuguesa. Foram descartados os artigos que não se enquadraram nos objetivos deste estudo. RESULTADOS E DISCUSSÕES: No estudo de Gama e Secoli (2017), com objetivo de determinar a prevalência e os fatores associados à automedicação entre estudantes de enfermagem, tal prática foi motivada especialmente pela percepção de que o problema de saúde não requer visita ao médico. A prevalência de automedicação foi de 76%. No que se refere aos problemas de saúde que levaram a automedicação, 50% dos estudantes relataram dor e os medicamentos mais utilizados foram os analgésicos e anti-inflamatórios não-esteroidais. Corroborando com esta pesquisa, Silva, Goulart e Lazarini (2014) também encontraram esta classe de medicamentos como a mais consumida por automedicação entre acadêmicos de enfermagem. Quanto à prática da automedicação, 86,5% dos acadêmicos da primeira série e 100% da quarta série realizam este método. Segundo os autores, observou-se associação estatisticamente significativa entre a prática de se automedicar com anti-inflamatórios e as séries, mesmo após os estudantes da quarta série terem cursado a disciplina de Farmacologia. Esperava-se que o conhecimento farmacológico das reações adversas ao uso dessa medicação pudesse influenciar nessa prática. Segundo Gama e Secoli (2017), apesar da maioria dos estudantes relatarem conhecimento sobre as implicações negativas da automedicação, estes futuros enfermeiros costumam indicar medicamentos para terceiros. Este aspecto ilustra a seriedade do problema. Além de potencialmente comprometer a própria saúde, eles podem colocar em risco a saúde de outras pessoas, comprometendo a segurança do usuário. Não obstante, essa prática inapropriada pode ocasionar resistência antimicrobiana, reações adversas a medicamentos, interações medicamentosas, risco de mascaramento de doenças evolutivas e aumento do uso de recursos financeiros para o sistema de saúde (GAMA; SECOLI, 2017). CONCLUSÃO: De acordo com os resultados encontrados, percebe-se a necessidade de elaboração de estratégias com o intuito de promover o uso racional de medicamentos entre os acadêmicos de enfermagem. Também é de extrema importância o fortalecimento de ações para com os acadêmicos no que se refere à educação a fim de garantir a segurança do paciente no uso de medicamentos.

 

Publicado
2017-10-27