EFEITOS DO MÉTODO AIR-STACKING NO PICO DE FLUXO DE TOSSE E NA CIRTOMETRIA DE UM INDIVÍDUO COM DISTROFIA MUSCULAR DE DUCHENNE

  • Maitê Silva Vicente dos Santos
  • Caroline Lodi Bonatto
  • Ney Ricardo Alencastro Stedile
  • Jocelito Bijoldo Martins
  • Ana Paula Tedesco
  • Renata D`Agostini Nicolini-Panisson Centro Universitário da Serra Gaúcha/ Professora Doutora Coordenadora do Grupo de Pesquisa em Reabilitação

Resumo

INTRODUÇÃO: A Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), é uma patologia de origem genética, com herança recessiva, causada por mutações no gene que codifica a proteína distrofina. Na ausência ou déficit desta proteína, ocorre a progressiva destruição das fibras musculares, levando a uma hipotrofia generalizada (FARIA et al., 2009; FONSECA et al., 2007). As complicações que levam os portadores da DMD ao óbito são geralmente de origem respiratória e/ou cardíaca, com acometimento também das musculaturas responsáveis pelos mecanismos respiratórios e cardíacos (PASCHOAL, 2009). O comprometimento muscular respiratório causa redução da complacência e elastância pulmonar, redução dos volumes e capacidades, bem como o comprometimento do reflexo de tosse (BRITO et al., 2009; FARIA et al., 2009). Dentre as técnicas da fisioterapia respiratória utilizadas em indivíduos com DMD, com objetivo de manter a elasticidade pulmonar e da parede torácica, auxiliar na expansão pulmonar e melhorar a ventilação alveolar através da desobstrução, salienta-se a manobra de empilhamento de ar (Air-Stacking), que utiliza o reanimador manual, conhecido popularmente como ambu. Técnica pouco conhecida entre os fisioterapeutas, mas que a literatura científica nos traz bons resultados de aplicabilidade (BARRETO et al., 2009). A técnica Air-Stacking pode ter influência positiva sobre algumas variáveis pulmonares como complacência pulmonar, capacidade vital, efetividade da tosse e limpeza pulmonar (BRITO et al., 2009). Tendo em vista os resultados que a técnica de empilhamento de ar pode proporcionar aos indivíduos com DMD quanto aos seus comprometimentos cardiopulmonares e considerando o pouco conhecimento dos profissionais a respeito dos benefícios que a terapia proporciona, este estudo tem como objetivo verificar os efeitos da técnica de Air-stacking em indivíduos com DMD, sobre pico de fluxo expiratório e expansibilidade torácica.  MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um relato de caso de um paciente com DMD. Este estudo obteve a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa - Faculdade da Serra Gaúcha, sob o parecer 2.057.227 e o participante assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Inicialmente foi realizada uma anamnese através da ficha de avaliação e foram mesurados o pico de fluxo de tosse e a expansibilidade torácica. A intervenção ocorreu pelo período de seis semanas, contando com uma frequência de 3 vezes por semanas. A cada sessão de intervenção eram coletados 3 medidas do pico de fluxo de tosse através do aparelho Peak Flow Meter: antes, durante e após a aplicação da técnica, sendo considerado o melhor valor de cada momento. Para a medida durante a realização da técnica foram utilizadas de 3 a 5 insuflações com o Ambu, com o paciente sentado com o clip nasal, sendo que o fluxo de ar foi mantido e expirado em seguida no Peak Flow. Também a cada sessão de intervenção era realizada a medida de cirtometria, para análise da expansibilidade torácica, através de uma fita métrica. A técnica de Air-Stacking foi realizada com consecutivos  empilhamentos  de  ar  nos  pulmões  por  pressão positiva através do Ambu, sendo que a cada insuflação o indivíduo realizava o fechamento da glote, atingindo desta forma a capacidade de insuflação máxima, seguido de uma expiração rápida. Utilizou-se 3 séries de 5 repetições cada, com 3 a 5 insuflações em cada repetição(FARIA et al., 2000). Durante a realização da técnica foi monitorada a saturação periférica de oxigênio e frequência cardíaca para controle clínico do paciente, através do oxímetro de pulso da marca Dellamed. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Os valores de pico de fluxo de tosse obtiveram uma média de 133L/min, 202 L/min e 136,5L/min, antes da intervenção, durante a técnica e após a intervenção, retrospectivamente. Demonstrando que a técnica auxilia no aumento de fluxo de tosse durante a sua execução e o mesmo pode ser observado no momento pós técnica. A cirtometria apresentou uma média para a linha axilar de 1,88cm, antes da técnica e 2,14, após a técnica. Para a linha xifóidea, os valores pré técnica apresentaram uma média de 1,68cm, com valores pós técnica de 1,7cm.  Para a linha umbilical, obteve-se 1,48cm antes da aplicação da técnica e após 1,7cm. Indicando aumento da expansibilidade torácica no momento após a técnica. CONCLUSÃO:  Foi possível observar melhora do pico de fluxo de tosse e da expansibilidade torácica após a intervenção com a técnica de Air-Stacking em um indivíduo com DMD.
Publicado
2017-10-27