USO DA TÉCNICA DE REMOÇÃO PARCIAL DE TECIDO CARIADO EM DENTES PERMANENTES PELOS CIRURGIÕES-DENTISTAS DE CAXIAS DO SUL/RS

  • Franciele Cristiane Lazzari Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Ilda Arbex Chaves Freitas

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A doença cárie é dependente de múltiplos fatores, dentre eles virulência, hábitos de higiene oral, dieta cariogênica (KEYES, 1962), composição e fluxo salivar, morfologia dentária e fatores socioeconômicos (Castro et al., 2015). Lesões em dentina profunda ainda possuem grande prevalência na população. Devido a isso, é necessário encontrar tratamentos alternativos para evitar a necessidade de tratamentos mais radicais como endodontia ou exodontia (ANDRADE, 2008). Por muito tempo, a remoção total do tecido cariado vem sendo recomendada (ARAÚJO, 2010). No entanto, essa remoção em lesões profundas pode causar exposição da polpa dentária, e consequentemente gerar sua contaminação (MALTZ et al., 2004). Estudos atuais mostram que a remoção parcial de tecido cariado (RPTC) seguida de selamento periférico é uma ótima alternativa em lesões de cárie profundas (AZEVEDO et al., 2011; JARDIM et al., 2015). A RPTC consiste na remoção de parte da dentina cariada, porém mantendo-a mais internamente para que esse tecido seja remineralizado (Bjørndal, 2008). Uma vez que a lesão cariosa remanescente é selada com um material restaurador, os microrganismos passam a não ter acesso ao substrato provindo do meio bucal necessário à evolução da doença, com isso sua atividade cessa (Ricketts et al., 2006). O tratamento expectante (TE) consiste na remoção da dentina cariada em duas etapas, com a finalidade de evitar a exposição da polpa (ANDRADE, 2008), porém há discussões na literatura sobre a necessidade de reabertura da cavidade após remoção parcial do tecido cariado (MALTZ et al., 2012). Um estudo realizado por JARDIM et al. (2015) comparou a efetividade da remoção parcial de tecido cariado de lesões profundas em sessão única e TE. Após o período de seis anos verificou-se que a primeira apresentou maiores índices de sucesso, quando avaliada a manutenção da vitalidade pulpar. Resultados semelhantes foram encontrados em um estudo realizado por MALTZ et al. (2012), no qual constataram que a RPTC com selamento do dente por 6-7 meses resultou em mudanças na cor e consistência da dentina remanescente, imagem radiográfica sugerindo ganho mineral e diminuição significativa nas contagens bacterianas, indicando redução ou ausência de atividade metabólica. Contudo, ainda há cirurgiões-dentistas que não fazem uso dessa técnica, quer por falta de conhecimento sobre a mesma, quer por acreditarem trazer insucesso (CHISINIL et al., 2015). A ausência de um consenso a respeito do tratamento para cáries profundas em dentes permanentes, mostra as dúvidas que permanecem sobre este tema (STANGVALTAITE et al., 2013) e, parte dos dentistas graduados a mais tempo pode também não estar familiarizada com esta técnica (CHISINIL et al., 2015). Por se tratar de uma técnica controversa entre os cirurgiões-dentistas (CD) (Oen et al., 2007), o propósito dessa pesquisa será verificar se cirurgiões-dentistas de Caxias do Sul/RS utilizam a técnica de remoção parcial de tecido cariado em etapa única em dentes permanentes, em que circunstâncias, bem como seus conhecimentos. MATERIAL E MÉTODOS: O estudo será quantitativo do tipo transversal descritivo. O presente projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário da Serra Gaúcha, sendo aprovado com o número do parecer: 2.220.417. A população fonte do estudo será cirurgiões-dentistas oriundos da cidade de Caxias do Sul/RS, sendo a amostra por conveniência. Os participantes receberão o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), e um questionário autoaplicável com questões de múltipla escolha a respeito da técnica de remoção parcial de tecido cariado e tempo de atuação profissional, para ser respondido em lugar individualizado em seus ambientes de trabalho. Para análise dos resultados, será realizada a distribuição da frequência absoluta (n) e relativa (%), e a média. A análise estatística será das variáveis qualitativas e feita através do teste Qui-quadrado onde o valor de p > 0,05.

 

 

 

Publicado
2017-10-27