CÂNCER DE MAMA E OBESIDADE: REVISÃO DA LITERATURA

  • Patricia Ribeiro Maia FSG
  • Joana Zanotti FSG

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: De acordo com Tabak (2014), a obesidade representa um grave problema de saúde pública, e ainda, existe uma clara associação entre obesidade e o aumento da mortalidade. Trabalhos científicos indicam que, para cada 5kg/m² de aumento do Índice de Massa Corporal (IMC), se observa um aumento de 12% na incidência do câncer de mama pós-menopausa. Estudos epidemiológicos têm demonstrado que a obesidade é fator de risco para diversas doenças crônicas não transmissíveis, particularmente o câncer, há atualmente comprovação de intensa associação entre a obesidade e risco aumentado de câncer de mama (PISCHON, 2015). Conforme Pischon (2015), indivíduos obesos possuem um risco de 1,5 a 3,5 vezes mais chances de desenvolver um câncer quando comparados com indivíduos eutróficos. Na Europa, cerca de 15 a 45% dos cânceres podem ser atribuídos ao sobrepeso e obesidade. Estudos apontam que a obesidade também aumenta o risco de outros cânceres tais como, endométrio, cólon, rins, adenomas esofágicos malignos, cárdia gástrico, pâncreas, fígado e vesícula biliar. Estima-se que cerca de 20% de todos os cânceres são causados pelo excesso de peso (WOLIN, 2010). Tendo em vista o crescente aumento da obesidade e de casos de neoplasia de mama entre a população brasileira e mundial, o objetivo deste trabalho foi estudar as associações entre o câncer de mana e a obesidade. MATERIAL E MÉTODOS: A pesquisa foi realizada a partir de uma revisão da literatura, foram incluídos estudos publicados de 2006 a 2016, sendo utilizado o PubMed como base para as pesquisas. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Um estudo que avaliou 69.116 mulheres, com o objetivo de estabelecer uma associação entre excesso de peso e câncer de mama, mostrou que é maior risco deste tipo de câncer nas mulheres pós-menopausa que tinham a forma corporal do tipo androide (relação cintura quadril (RCQ) > 0,87cm), confirmando que a adiposidade central está positivamente associada ao maior risco para câncer de mama no período pós-menopausa (TEHARD, 2006). Na busca da ampliação dos conhecimentos sobre a relação de obesidade com o câncer de mama, um estudo brasileiro avaliou a associação entre o IMC, circunferência da cintura (CC) e a RCQ em mulheres com carcinoma mamário, sendo analisadas 473 mulheres, demonstrou-se que a maioria das mulheres tinha obesidade central (PINHEIRO, 2009). O estudo de Million Women, um grande estudo com mulheres, mostrou que aproximadamente a metade de todos os casos de câncer de mama em mulheres pós-menopausa são atribuíveis ao excesso de peso ou à obesidade (REEVES, 2007).  De acordo com Anderson (2009), os mecanismos fisiopatológicos que justificam o aumento do risco de câncer em função da obesidade ainda não estão totalmente elucidados, visto que podem existir variações com a localização do tumor e ainda dependem da distribuição da gordura corporal. Para Sebastiani (2016), a obesidade tem sido consistentemente associada ao risco de câncer de mama na fase de pós-menopausa, as proteínas que são secretadas pelo tecido adiposo, ou que estão envolvidas na regulação da massa corporal, podem ser responsáveis pelo desenvolvimento do tumor de mama. A maioria dos estudos desenhados para avaliar a relação entre obesidade e prognóstico no câncer de mama são concordantes em atribuir ao excesso de peso um pior desfecho, sendo que pesquisas futuras que explorem melhor os mecanismos deletérios da obesidade no câncer de mama serão de grande valia (PAPA, 2013). A mudança dos hábitos de vida, com dieta e exercício físico reduzindo a obesidade, pode ser uma importante ferramenta na prevenção primária do câncer de mama e ainda de uma diversidade de outras doenças (PINHEIRO, 2014). CONCLUSÃO: Com base em diversos estudos e pesquisas realizadas nos últimos anos, conclui-se que a adiposidade central está positivamente associada ao maior risco de câncer de mama no período pós-menopausa. Entretanto, cabe ressaltar que, ao evitar a obesidade também estará evitando outras diversas doenças, ou seja, é inquestionável a adoção de uma alimentação equilibrada para uma boa qualidade de vida.

Biografia do Autor

Patricia Ribeiro Maia, FSG

Graduanda de Nutrição, Centro Universitário da Serra Gaúcha, FSG.

Joana Zanotti, FSG
Mestra em Ciências Médicas, UFRGS. Docente do Centro Universitário da Serra Gaúcha, FSG.
Publicado
2017-10-27