AVALIAÇÃO DA PREVALÊNCIA DA PERIIMPLANTITE NA PERCEPÇÃO DE CIRURGIÕES-DENTISTAS QUE TRABALHAM COM IMPLANTES EM CLÍNICAS PRIVADAS

  • Fernanda Perini Fruett Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Patrícia Regina Deon Pissetti Centro Universitário da Serra Gaúcha

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A reabilitação com implantes dentários é um dos maiores avanços da Odontologia nas últimas décadas, permitiu que pacientes parcialmente ou totalmente edêntulos pudessem ter sua função mastigatória reestabelecida de forma eficiente e segura. Entretanto, a perda de implantes osseointegrados é uma realidade que precisa ser melhor entendida e prevenida. A periimplantite é uma doença que causa inflamação nos tecidos de suporte ao redor do implante e perda óssea, é de difícil tratamento e a maior responsável pela perda de implantes ao longo dos anos, por isso a necessidade de um controle frequente. O objetivo desse estudo é analisar a prevalência da periimplantite na percepção de cirurgiões-dentistas que trabalham com implantes, bem como seus fatores de risco e métodos de diagnóstico. Esse estudo também busca conhecer protocolos clínicos eficazes para consultas de manutenção. MATERIAL E MÉTODOS: Foram entrevistados 56 cirurgiões-dentistas por meio de questionários autoaplicáveis com perguntas objetivas e dissertativas em conformidade com o Comitê de Ética em Pesquisa da instituição. Os participantes do estudo foram separados em 4 grupos distintos e de igual número de acordo com sua especialidade e necessitavam ter especialização, mestrado ou doutorado nas seguintes áreas da Odontologia: Implantodontia, Prótese, Periodontia e Cirurgia Buco-Maxilo-Facial, com experiência mínima de 5 anos com implantes. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Para a maioria dos profissionais entrevistados (53,57%), a periimplantite ocorre em menos de 5% dos implantes instalados. Esses valores são menores dos que os achados em uma revisão sistemática realizado por Mombelli et al.,(2012), no qual a prevalência encontrada foi de 10% dos implantes. Estudos específicos realizados no Brasil por Ferreira et al.,(2006) e por Buttendorf (2012) concluíram que a periimplantite ocorre em 7% e 7,4%, respectivamente. Comparando entre as especialidades, a maior prevalência foi encontrada no grupo dos periodontistas seguido por implantodontistas, protesistas e cirurgiões buco-maxilo-faciais. Quanto ao método de diagnóstico da doença, 49% dos entrevistados afirmaram utilizar o exame clínico (sinais clínicos inflamatórios e sondagem periimplantar) associado a exames de imagem. Esse é o único método possível, visto que o diagnóstico da periimplantite requer a mensuração da profundidade de sondagem, ocorrência de sangramento ou supuração à sondagem, sinais clínicos inflamatórios e exame radiográfico para análise do nível ósseo. A ocorrência  das consultas de manutenção também foi uma questão abordada, 96,43% dos profissionais entrevistados afirmaram realizar esse tipo de consulta.  Quanto a frequência dessas consultas, 58,93% dos dentistas realizam com um intervalo menor ou igual a 6 meses. Em uma revisão sistemática realizada por Monje et al., (2015), foi afirmado que o intervalo máximo entre as consultas deve ser de 6 meses, mas acrescentaram que esse período deve ser customizado de acordo com o perfil de risco de cada paciente. Apenas 7,14% dos dentistas entrevistados utilizam o protocolo clínico indicado por Hartshorne (2016)para esse tipo de consulta: exame clínico, radiográfico, profilaxia e instrução de higiene bucal. Higiene oral deficiente (100%), tabagismo (98,21%), histórico de doença periodontal (94,64%), cimento residual (92,86%) e diabetes descompensada (89,29%) foram os principais fatores de risco à periimplantite apontandos pelos profissionais entrevistados. CONCLUSÃO: A menor prevalência da periimplantite encontrada nesse estudo pode ser devido a diversos fatores: desconhecimento dos cirurgiões-dentistas a respeito do diagnóstico da doença ou uso de métodos inadequados ou insuficientes para fazê-lo, falta de protocolos para manutenção periimplantar, população estudada ou tempo de acompanhamento. Consultas de manutenção são fundamentais para prevenir a ocorrência da doença ou para identificá-la precocemente, aumentando as taxas de sucesso dos implantes em longo prazo e, por essas razões, jamais devem ser negligenciadas pelos cirurgiões-dentistas. Pacientes com higiene oral deficiente, fumantes, com histórico de doença periodontal, diabetes descompensada, além dos que apresentam cimento residual em próteses, tem mais chances de desenvolver a periimplantite na percepção dos profissionais entrevistados.

Biografia do Autor

Patrícia Regina Deon Pissetti, Centro Universitário da Serra Gaúcha
Professora do curso de graduação em Odontologia do Centro Universitário da Serra Gaúcha. Disciplina: Periodontia
Publicado
2017-10-27