PREVALÊNCIA DE ANOMALIAS DENTÁRIAS EM PACIENTES COM FISSURAS LABIAIS E PALATINAS E FATORES ASSOCIADOS: UM ESTUDO TRANSVERSAL

  • Izabelle Dal Ri Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Fernanda Tomazoni
  • Aline Estades Bertelli

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: As fissuras labiopalatinas são más formações congênitas caracterizadas pela falta de aderência dos processos maxilares, mandibulares e frontonasal que se originam entre a quarta e oitava semana de vida intrauterina.1, 2 A predominância destas fissuras em nosso pais é surpreendemente alta, sendo as anomalias congênitas craniofaciais mais comuns na população, atingindo cerca de 1/650 nascidos vivos. 3,4 Em pacientes portadores de fissuras labiais e palatinas, as anomalias dentárias são alterações frequentes, sendo elas distinguidas por tamanho, forma, número, desenvolvimento e erupção.1 A agenesia é a anomalia dentária mais rotineira, afetando principalmente o incisivo lateral do lado acometido pela fissura, porém outras alterações bucais também se manifestam nestes pacientes, acarretando em mudanças no plano de tratamento destes.1,5 Este trabalho tem como intuito investigar a prevalência de anomalias dentárias na dentição permanente em pacientes portadores de fissuras labiopalatais vinculados ao Pró-Face: Serviço da Face do Círculo no município de Caxias do Sul. MATERIAL E MÉTODOS: Este estudo caracteriza-se por um estudo observacional do tipo transversal retrospectivo. Os dados foram coletados através de análise de prontuários, radiografias e modelos de estudo de 19 pacientes atendidos pelo Pró-Face: Serviço da Face do Círculo, no município de Caxias do Sul. O presente trabalho faz parte de um projeto maior, denominado Fissuras Labiais e Palatinas e fatores associados: um estudo transversal, e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário da Serra Gaúcha (CAAE 69008517.9.0000. 5668 sob o número do parecer 2.109.343). Os dados presentes neste estudo são parciais, sua análise completa será finalizada ao final deste semestre, havendo a avaliação de 60 prontuários presentes no local do estudo.As variáveis foram coletadas da seguinte forma: Sexo – Masculino e Feminino, Tipo de Fissura – conforme classificação de Spina (CYMROT et AL., 2010), presença de anomalia dentária e tipo de anomalia dentária presente. A amostra respeitou critérios de inclusão, como: todos os prontuários de pacientes que possuam fissura labiopalatina atendidos no serviço Pró-Face: Serviço da Face do Círculo, e os critérios de exclusão que foram prontuários preenchidos de forma incorreta, ou que não possuíssem todos os dados necessários para a pesquisa. Os dados obtidos foram analisados pelo software Stata 12 e foram descritas as freqüências relativas e absolutas das variáveis. RESULTADOS E DISCUSSÕES: A prevalência de anomalias dentárias na amostra foi de 82%, sendo que 32% dos pacientes apresentavam mais de uma anomalia dentária em boca. Quanto aos diferentes tipos de anomalias coletadas, encontramos 42% de prevalência de agenesia dentária, 5% de prevalência de dentes supranumerários e 16% de pacientes com erupção ectópica. Quanto aos grupos dentários mais afetados pelas anomalias dentárias, 79% das anomalias dentárias envolveram os dentes incisivos e 21%  envolveram os dentes pré-molares. O principal achado deste estudo foi a alta prevalência de anomalias dentárias presentes em pacientes portadores de fissuras labiopalatinas. A anomalia dentária mais comumente encontrada foi a agenesia dentária e os dentes mais acometidos foram os incisivos. Estes achados parecem estar de acordo com a literatura sobre o assunto. Os incisivos superiores permanentes adjacentes à fenda geralmente são os mais comprometidos. Eles podem irromper apresentando deformações na estrutura, forma, número e posição. Nas fissuras bilaterais nota-se o envolvimento de ambos os incisivos centrais, já nas unilaterais observa-se significativamente apenas no incisivo adjacente a fissura.6 Os incisivos laterais permanentes da região fissurada, quando estão presentes, possuem alta incidência de alteração de forma, com aparência conóide. É bastante comum também a ausência do incisivo lateral, sendo esta agenesia mais frequente nas fissuras transforame incisivo unilaterais.7 Neste mesmo grupo, quando os incisivos estão presentes costumam estar localizadas à distal da fissura.8 As maiores incidências de defeitos estruturais na dentição permanente pode ser justificada pelo fato destes se desenvolverem especialmente no período pós-natal, sendo, então mais sensíveis aos impactos externos, uma vez que os dentes decíduos se desenvolvem no período pré-natal e são protegidos no útero.8CONCLUSÕES: É alta a prevalência de anomalias dentárias em pacientes portadores de fissuras labiopalatinas. Os dentes incisivos parecem ser os dentes mais acometidos e a agenesia parece ser a anomalia dentária mais comum nesses pacientes.

Publicado
2017-10-27