AVALIAÇÃO DO POTENCIAL GENOTÓXICO DE AGENTES CLAREADORES DE DENTES VITAIS E FATORES ASSOCIADOS

  • Leonardo Frezza
  • Rafaela de Castro Vebber
  • Queli Defaveri Varela Cabanellos

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Os padrões alimentares, hábitos de saúde e hábitos de vida vem se tornando cada vez mais nocivos ao organismo. Com a constante adição de substâncias químicas na agropecuária, medicamentos cada vez mais agressivos, hábitos deletérios como alcoolismo e fumo, as células bucais estão sendo constantemente lesadas, causando drásticas alterações em suas estruturas e alterando seu padrão de crescimento, contribuindo assim, para o surgimento do câncer de boca. A procura exagerada por soluções estéticas, como o clareamento dental, soma-se aos demais agressores, potencializando os possíveis danos à mucosa (SCOTTI et al.; 2015). A boca está em constante exposição a elementos químicos contidos em alimentos e bebidas, bem como em cigarros e medicamentos, dessa forma, é um dos locais mais submetidos ao estresse oxidativo do corpo humano. Assim, qualquer substancia com possível capacidade de alterações celulares deve ser considerada. As alterações causadas pelo metabolismo oxidativo estão relacionadas com grande parte das doenças crônicas como o câncer, estas alterações são processos fisiológicos e contínuos que inclui a geração de radicais no organismo. Estes, em quantidade adequada, contribuem para a fagocitose, produção de energia (ATP) e nos mecanismos de defesa, porém um desequilíbrio nas concentrações pode provocar a produção de peróxidos e radicais livres que danificam todos os componentes celulares (MAIA e REIS; 2014) Atualmente os clareadores de dentes vitais podem ser divididos de acordo com a técnica de aplicação (caseiro ou consultório), subdividindo-se conforme a substância clareadora (peróxido de hidrogênio ou peróxido de carbamida) e pela concentração da mesma, sendo as concentrações altas (acima de 35%) para aplicação profissional em consultórios e baixas concentrações (de 6 a 22%) de aplicação caseira feita pelo próprio paciente. (MARTINELLI; 2004)MATERIAL E MÉTODOS: Este estudo consiste em uma revisão, no qual foi realizada consultas em periódicos presentes na biblioteca do Centro Universitário da Serra Gaúcha e artigos científicos através da busca no banco de dados Bases Ebsco e Scielo através da fonte Lilacs. As palavras chaves que foram utilizadas nas buscas são as seguintes, Carbamida. Citotoxicidade. Carcinogênese. Câncer de boca. Micronúcleo. DISCUSSÕES: Quando em contato com os tecidos orgânicos, os peróxidos o e os produtos resultantes de sua degradação, como íons hidroxila (OH-), podem causar peroxidação lipídica e fragmentação de proteínas com consequente lesão da membrana celular, gerando morte celular por apoptose ou necrose (COLDEBELLA; 2009). Alterações como rupturas de cadeias de DNA, mutações, ruptura cromossômica e alteração na capacidade de reparação do DNA foram amplamente aceitos como importantes indicadores de carcinogenicidade (RIBEIRO; 2006).CONCLUSÃO: Após a análise de artigos científicos e periódicos conclui-se que os clareadores, de forma isolada, não têm a capacidade carcinogênica, ou seja, não são considerados agentes iniciadores da carcinogênese, porém, quando combinados com outras substancias comumente encontradas em alimentos e bebidas têm poder de agir como agentes promotores de lesões carcinogênicas, pois, em contato com estas substâncias iniciadoras, atuam na modulação e diferenciação de células lesadas. Além disso, pode-se concluir que os clareadores a base de carbamida causam alterações celulares, como ruptura da membrana e necrose celular, porém, as células tendem a adaptar-se a agressão, diminuindo periodicamente a capacidade citotóxica do agente clareador em questão. Apesar da grande quantidade de estudos feitos sobre a segurança e efeitos dos clareadores de dentes vitais, há poucos que relacionam a sua utilização associada ao fumo e outros agentes agressores.

Publicado
2017-10-27