COMPARARAÇÃO DOS NÍVEIS DE VITAMINA D ENTRE INDIVÍDUOS RESIDENTES DA ZONA URBANA E ZONA RURAL

  • Júlia Duarte Ramos Centro Universitário da Serra Gaúcha - FSG
  • Mauricio Sprenger Bassuino Centro Universitário da Serra Gaúcha - FSG

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A vitamina D tem por função aumentar as concentrações de cálcio plasmático, podendo ser obtida sob duas formas, D2 ou ergosterol, a qual pode ser absorvida, por meio da dieta, a partir de alimentos de origem vegetal e D3 ou colecalciferol, a qual pode ser absorvida a partir de alimentos de origem animal ou ser sintetizada a partir de lipídeos existentes em nossa pele, por meio da irradiação solar. As duas porções, D2 e D3, seguem para o fígado, onde após metabolização pela ação da enzima 25-hidroxilase, são convertidas em 25(OH)D3, também denominada calciferol. Essa forma é a mais abundante e é a porção que serve para avaliação do status desse composto em nosso organismo. Posteriormente, é carreada aos rins, onde, por meio da ação da enzima 1α-hidroxilase, será convertida em 1,25(OH)2D3 ou calcitriol. A hipovitaminose D pode acarretar em inúmeros distúrbios e problemas de saúde, os quais vão desde alterações do crescimento, na infância, até processos de destruição acelerada da microarquitetura óssea, proporcionando o aumento do risco de fraturas. Essas alterações podem sofrer contribuição no processo fisiopatológico decorrente dos hábitos de vida e região em que os indivíduos residem. Reconhecendo que atualmente, de acordo com a população estudada, até 90% dos indivíduos podem apresentar hipovitaminose D, e sabendo-se ainda que nos dias atuais a deficiência e insuficiência de vitamina D são tratadas como um problema de saúde pública, além de que reconhece-se que uma forma eficaz de manter os níveis adequados dessa substância é por meio da exposição solar, o presente estudo tem por objetivo verificar na literatura se há distinção entre os níveis de vitamina D entre a população residente em zona urbana e zona rural. MATERIAL E MÉTODOS: Foi realizada uma busca por artigos publicados de 2007 a 2017, cujo idioma fosse português ou inglês, os quais descrevessem os níveis de vitamina D entre populações distintas, mais especificamente, populações residentes na cidade e no campo, e apresentassem os termos “vitamina D”, “zona urbana” e “zona rural”, nos de língua portuguesa, e “vitamin D”, “countryside” e “urban area”, nos de língua inglesa. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Utilizando esses mecanismos de busca, foram selecionados 3 estudos que relacionavam os pontos de interesse com os níveis de vitamina D. Por meio da realização de um comparativo com os estudos selecionados, pode-se apresentar que a hipovitaminose D é mais evidente na população residente na zona urbana, contudo tal situação é encontrada em ambas populações, visto que, assim como apresentado anteriormente, a deficiência e insuficiência de vitamina D é um problema de saúde pública, inclusive, presente no mundo todo. Dessa maneira, apresenta-se um estudo realizado por Suppasin Soontrapaet al, 2015, o qual demonstrou um comparativo entre os níveis de insuficiência de vitamina D entre uma população masculina residente na zona urbana e zona rural, sendo que na população urbana os níveis de insuficiência acometeram cerca de 48% da população estudada, enquanto na zona rural apenas 13% dos estudados encontravam-se com insuficiência de vitamina D. Corroborando com o estudo anterior, aborda-se um estudo realizado por Bodekaer et al, 2014, o qual trabalhou com uma população de fazendeiros, as esposas e filhos, relacionando a radiação ultravioleta (UVR) e os níveis de vitamina D, no mesmo, as mulheres, no verão, apresentaram valores superiores dos níveis de vitamina D comparado ao período de inverno, sendo que este padrão repetiu-se nos homens, e esses, por sua vez, apresentaram valores superiores aos das mulheres. Em um terceiro estudo, o qual foi elaborado por Zhiwei Ning et al, 2015, e abordou uma população urbana, foi evidente a hipovitaminose D, tanto em homens quanto em mulheres, sendo que comparando tal estudo com o de Bodekaer, corrobora-se o mesmo com o de Suppasin, já que na população urbana a hipovitaminose é mais evidente. CONCLUSÃO: A elaboração desse estudo possibilitou a visualização de um perfil de hipovitaminose D inferior na população residente na zona rural, quando comparada à população residente na zona urbana, contudo, evidencia-se a necessidade da realização de mais estudos relacionando os níveis de vitamina D em populações distintas, mais especificamente, entre a população residente na zona rural e na zona urbana, inclusive demonstrando a relação entre os diferentes hábitos de vida apresentados por tais indivíduos, como o uso de protetor solar, o período do dia de exposição ao Sol, dentre outras variáveis.
Publicado
2017-10-27