SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL ORAL E DESNUTRIÇÃO EM PACIENTES ONCOLÓGICOS

  • Laressa Mendonça Neques FSG
  • Priscila Arcaro FSG
  • Joana Zanotti FSG
  • Ana Lucia Hoefel FSG

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O câncer apresenta uma fase de diagnóstico cercada de ansiedade, pressão e incertezas, isso acompanhado de sintomas físicos, dentre eles: anorexia, inapetência e fadiga, ressaltando o perfil catabólico da patologia. Aliados a isso, os efeitos colaterais decorrentes do tratamento, como: xerostomia, náuseas e vômitos, contribuem para a fragilidade e debilidade do organismo. A junção de todos esses aspectos pode acarretar na diminuição ou até mesmo a perda da qualidade de vida dos pacientes oncológicos (PEREIRA, NUNES, DUARTE, 2015). Além disso, as necessidades nutricionais do organismo são afetadas pela presença do tumor e o paciente possui um risco aumentado de desnutrição, a qual acarreta em perda de massa e função muscular, à degradação das funções de órgãos e sistemas, adaptação ao estresse diminuída e está relacionada também ao aumento das complicações e sua gravidade, levando o paciente a um maior período de hospitalização, aumento dos custos hospitalares e também se apresenta como fator de risco para a mortalidade (DOS SANTOS et al., 2014). Uma maneira prática e muitas vezes eficaz de atender os requisitos nutricionais adequados aos pacientes oncológicos é o uso de suplementos nutricionais orais, que podem ser utilizados quando a ingestão normal de alimentos é comprometida (RAVASCO, 2015). Assim, o acompanhamento nutricional em pacientes oncológicos é primordial, tendo em vista que a desnutrição tem impacto negativo no tratamento e progressão da doença. Desta forma, o presente artigo tem como objetivo de identificar a importância da suplementação nutricional oral na desnutrição em pacientes oncológicos. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um artigo de revisão da literatura, onde foram pesquisadas as bases de dados eletrônicas Scielo, Pubmed, Revista Brasileira de Cancerologia. A pesquisa foi realizada em agosto de 2017. Os termos de busca utilizados foram: “nutrição e oncologia”, “suplementação na oncologia”, “desnutrição na oncologia” e seus entretermos em português e inglês.  RESULTADOS E DISCUSSÕES: A identificação e intervenção nutricional precoce podem melhorar o prognóstico dos pacientes diagnosticados com câncer, a fim de reduzir deficiências nutricionais, efeitos colaterais e sintomas do tratamento, reduzindo o risco de complicações e a necessidade de hospitalização no decorrer do tratamento (VICARI et al., 2015). Um estudo realizado em janeiro de 2017 com pacientes oncológicos, encontrou uma prevalência de 34% de desnutrição, onde a média de sobrevivência nestes pacientes foi de 13 meses, em comparação aos pacientes não desnutridos, onde a média de sobrevivência foi de 66 meses (ORELL-KOTIKANGAS et al., 2017).  Assim sendo, o acompanhamento nutricional torna-se fator vital para o aumento da qualidade de vida, o que se confirma no estudo realizado em Lisboa, em 2015, onde avaliou o impacto do suporte nutricional precoce na morbimortalidade em pacientes com câncer gástrico. O estudo obteve uma diminuição do número de pacientes que tiveram perda de peso superior a 10%, atingindo apenas cerca de 32% da amostra, o que ocorreu devido à intervenção nutricional precoce, com suplementação oral tanto no período pré, quanto no período pós cirurgia (RUIVO et al., 2015). O suporte nutricional perioperatório, onde os pacientes com desnutrição grave submetidos à cirurgia receberam aconselhamento dietético antes e após a cirurgia foi benéfico, diminuiu o tempo de internação, a incidência de complicações gastrointestinais e infecções (GÓMEZ SÁNCHEZ et al., 2011). A terapia nutricional também traz efeitos benéficos em crianças e adolescentes com câncer, o que se confirma em um estudo desenvolvido em São Paulo, onde foram avaliados os resultados da terapia nutricional em pacientes com câncer e desnutrição. O estudo obteve como resultado a evolução nutricional positiva com suplementação oral industrializada em 41% dos pacientes estudados com desnutrição grave e em 97% dos desnutridos leves, que concluiu que a suplementação oral pode reduzir o déficit nutricional em pacientes crianças e adolescentes com câncer (GARÓFOLO et al., 2010). CONCLUSÃO: É evidente o impacto negativo no estado nutricional nos pacientes oncológicos, seja pela própria doença ou pela sintomatologia dos tratamentos. A nutrição é um fator indispensável nesses pacientes, seja pela influência na progressão da doença, para controle e prevenção dos sintomas e até mesmo a reversão do quadro de desnutrição, melhorando assim a recuperação após o tratamento e tendo um grande impacto na qualidade de vida do paciente e prognóstico da doença. Dessa forma o acompanhamento nutricional individual e adequado deve estar sempre associado ao tratamento do câncer, relacionado ou não à suplementação, para auxiliar no tratamento e recuperação dos pacientes, auxiliando assim na redução da mortalidade.  

Biografia do Autor

Laressa Mendonça Neques, FSG

Acadêmica do curso de Nutrição, Centro Universitário da Serra Gaúcha, FSG.

Priscila Arcaro, FSG

Acadêmica do curso de Nutrição, Centro Universitário da Serra Gaúcha, FSG.

Joana Zanotti, FSG
Docente do curso de Nutrição, Centro Universitário da Serra Gaúcha, FSG.
Ana Lucia Hoefel, FSG
Docente do curso de Nutrição, Centro Universitário da Serra Gaúcha, FSG.
Publicado
2017-10-27