ERROS DE MEDICAÇÃO E SEGURANÇA DO PACIENTE

  • Claudia Bonatto Vidor Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Roberta Soldatelli Pagno Paim Centro Universitário da Serra Gaúcha

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: No ano de 2004, a Organização Mundial da Saúde instituiu a Aliança Mundial para a Segurança do Paciente, um programa cujo princípio básico consiste em estabelecer assistência à saúde segura (GOMES et al., 2016). Os erros de medicação estão entre os eventos adversos ocorridos aos pacientes hospitalizados mais frequentes na assistência à saúde, sendo um grave problema para esses serviços. Na maioria das vezes esses erros poderiam ter sido evitados em uma das etapas do processo de medicação, sendo elas: prescrição, dispensação e administração (FORTE; MACHADO; PIRES, 2016; GIMENES et al., 2010). A definição para erros de medicação é “qualquer incidente previsível que possa causar dano ao paciente ou que dê lugar a uma utilização inapropriada dos medicamentos, quando estes estão sob controle de profissionais de saúde ou do paciente consumidor”. Um erro cometido na administração de medicações é uma desigualdade entre a terapia medicamentosa que o paciente recebe e a terapia médica planejada (MIASSO, CASSANI, 2000; SANTOS et al., 2014). A administração medicamentosa constitui um processo multidisciplinar e multi-sistêmico, envolvendo respectivamente equipe médica, farmacêutica e de enfermagem, até chegar ao paciente. Lembrando que os erros e intercorrências podem ocorrer em qualquer uma destas etapas (MIASSO, CASSANI, 2000). Sendo assim, é importante conhecer os principais fatores de risco que colaboram para a ocorrência dos erros na assistência, procurando preveni-los da melhor forma possível (GALIZA et al., 2014). Portanto, o objetivo deste trabalho é descrever os principais fatores que influenciam a ocorrência de erros na administração de medicamentos. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de uma revisão bibliográfica. A pesquisa foi realizada na base de dados eletrônicos LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e SCIELO (Scientific Eletronic Library Online), utilizando-se artigos sobre o tema publicados entre 2000 e 2017, em idioma português e que apresentam texto online disponível. Foram descartados os artigos que não se enquadraram nos objetivos deste estudo. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Administrar medicamentos é uma das principais atividades da equipe de enfermagem. O monitoramento dos erros de medicação se faz necessário e merece atenção por parte da equipe, portanto, deve ser notificado e mensurado pelo enfermeiro a fim de servir de parâmetro para avaliação da assistência (BORGES et al., 2016). Segundo Gomes et al (2016), são possíveis causas para a ocorrência de erros relacionados à administração de medicamentos: sobrecarga de trabalho, associado à rotina intensa de trabalho e baixa remuneração; falta de atenção dos profissionais; inexperiência na prática assistencial, em geral, em referência à formação deficiente oferecida por algumas instituições de ensino; e estrutura inadequada oferecida pelos serviços de saúde. Estudos mostram que a maior parte dos erros ocorridos durante o dia está relacionado à dinâmica do serviço, pois é durante o turno diurno que há um maior número de pacientes admitidos nas unidades de internação e consequentemente o número de medicações à serem preparadas e administradas também aumenta. Além disso, o horário de visita é diurno, favorecendo um ambiente desfavorável para a realização das atividades de enfermagem (GALIZA et al, 2014). Problemas com as prescrições médicas, como presença de abreviaturas, letra ilegível, omissão de dose do medicamento e via de administração, dados importantes do paciente incompletos, contribuem significativamente para a ocorrência dos erros de medicação (GIMENES et al, 2009; GIMENES et al, 2010; SANTOS et al, 2014; GALIZA et al, 2014; FORTE; MACHADO; PIRES, 2016). Para uma assistência adequada e sem intercorrências, devido a falhas individuais ou sistêmicas, é necessário colocar em prática algumas medidas preventivas. Os cinco certos devem ser seguidos: medicamento certo, paciente certo, dose certa, via de administração certa e horária de administração certa. O uso da prescrição eletrônica e sem a presença de abreviaturas, minimizará significativamente os erros de prescrição e administração medicamentosa (MIASSO, CASSANI, 2000; SANTOS et al, 2014; GALIZA et al, 2014). É necessária a implementação de uma cultura de segurança dentro das instituições de saúde. A complexidade inerente ao processo de administrar medicamentos exige que o erro de medicação seja visto como um fenômeno multicausal, de abordagem multidisciplinar (CASSIANI, 2005). CONCLUSÃO: Ao término deste estudo, fica claro que os mecanismos preventivos para os erros têm que passar obrigatoriamente por todas as equipes envolvidas no sistema de medicação. Não esquecendo que a assistência à saúde, é um trabalho coletivo no qual as responsabilidades devem ser compartilhadas.

Publicado
2017-10-27