AVALIAÇÃO DOS MÉTODOS DE DETERMINAÇÃO DA 25(OH)D3

  • Guilherme Gaboardi FSG Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Luisa dos Reis Sambaquy FSG Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Julia Souza Borges FSG Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Mauricio Sprenger Bassuino FSG Centro Universitário da Serra Gaúcha

Resumo

 

A Vitamina D é uma substância que apresenta características semelhantes quando comparada com as demais vitaminas, contudo, exerce papel de hormônio1. Sua síntese ocorre, principalmente, por exposição solar, porém é obtida também pela dieta1,6. Suas duas principais formas precursoras são a Vitamina D2, ou Ergocalciferol, e a Vitamina D3, ou Colecalciferol. A Vitamina D2 provém apenas da dieta, enquanto a Vitamina D3 é sintetizada pela irradiação do 7-dihidrocolesterol, presente na derme dos mamíferos, ou pode ser adquirida, também, pelo consumo de alguns alimentos1. A Vitamina D sintetizada ou ingerida é inerte e necessita de duas hidroxilações, ocorridas, respectivamente, no fígado e no rim, tornando-se 25(OH)D3, forma parcialmente hidrossolúvel carreada ligada à proteína carreadora de vitamina D (DBP)1,4,6, e 1,25(OH)2D3, forma biologicamente ativa que interage com o receptor de Vitamina D1. Sua função principal é atuar no metabolismo do cálcio, potencializando sua absorção e buscando a normocalcemia1. Recentemente foram encontrados receptores de Vitamina D em diferentes tecidos, suportando que ela tenha efeitos extra ósseos e relação com outras patologias, como hipertensão e eventos cardíacos1,2,4. Segundo a Sociedade Americana de Endocrinologia, valores séricos de 25(OH)D3 inferiores a 20ng/mL são classificados como deficiência, entre 21-29ng/mL caracterizam insuficiência e superiores a 30ng/mL representam suficiência2. Em contrapartida, o Instituto de Medicina suporta que níveis acima de 20ng/mL são satisfatórios2,4. Dificuldades para estabelecer diagnósticos podem ser encontradas devido a variações entre métodos utilizados para dosar a 25(OH)D31,4. O objetivo do presente estudo é verificar na literatura qual o melhor método para dosar a 25(OH)D3. Foram avaliados artigos em inglês e português, de 2008 a 2017com os termos "Vitamina D, Determinação, Metabólitos, Assay, Clia" nas plataformas digitais, Google Acadêmico, PubMed e Scielo. Devido ao grande número de metodologias para a dosagem da 25(OH)D3, o presente trabalho abordará características dos métodos ELISA e Quimioluminescência (CLIA), tais como gama de detecção, coeficiente de variação intra-ensaios e tempo mínimo de análise com o padrão ouro, a cromatografia líquida de alto desempenho acoplada à espectrometria de massa (HPLC-MS/MS)5.ELISA (Enzyme-linkedimmunosorbentassay): Baseia-se na ligação de um antígeno com um anticorpo ligado a uma enzima, sendo que um destes é imobilizado em fase sólida. A reação produz um substrato cromógeno, o qual é analisado por um espectrofotômetro. Este teste utiliza soro ou plasma e foi desenvolvido na década de 70, sendo muito utilizado a partir de 1985 com o ensaio anti-HIV7. Quando utilizado para a dosagem de 25(OH)D3 observa-se uma gama de detecção de 6-360nmol/L, coeficiente de variação intra-ensaios de 6-10% e intervalo mínimo de três horas para a realização8. Quimioluminescência (CLIA): É o método mais utilizado para a análise de 25(OH)D3 3. Consiste na emissão de luz por moléculas que passam do estado de excitação para seu estado eletrônico basal em determinadas reações químicas, geralmente envolvendo oxidação7. Esta emissão de luz pode variar de segundos a minutos, de acordo com o metabólito analisado. Ao dosar-se 25(OH)D3, observa-se gama de detecção de 7,5 –375 nmol/L, coeficiente de variação intra-ensaios de 4% e intervalo médio de 40 minutos para a realização8. Cromatografia Líquida de Alto Desempenho Acoplada à Espectrometria de Massa (HPLC-MS/MS): Considerado o padrão ouro para a dosagem da 25(OH)D5,3, contando com a vantagem única de dosar-se a 25(OH)D2 e 25(OH)D3 separadamente, sendo útil para a avaliação da suplementação de 25(OH)D2, visto que a 25(OH)D3 é endógena,porém é considerado um método trabalhoso, que necessita de forte padronização do laboratório e de um volume relativamente grande de amostra (em torno de 500uL)3. Por ser considerada uma metodologia trabalhosa, necessitando de extração e purificação da amostra antes de sua análise, e levando em consideração seu alto custo de aquisição, este método não é usualmente empregado na rotina de laboratórios de análises clínicas, sendo mais utilizado para fins de pesquisa e de validação para outras técnicas de dosagem3. Quando utilizado para a aferição da 25(OH)D3, observa-se uma gama de detecção de até 1250nmol/L; coeficiente de variação intra-ensaios de 5,2% e um intervalo de cerca de 20 minutos para a leitura da amostra8. Dessa maneira, é possível concluir que todos os métodos revisados para dosagem de 25(OH)D3são eficazes. Entretanto, é necessário ao laboratório escolher qual metodologia enquadra-se melhor em sua rotina, levando em conta seu número de análises diárias e disponibilidade de recursos para a aquisição de determinado equipamento e seus respectivos testes.REFERÊNCIAS

 

1. ALVES, M.; BASTOS M.; LEITÃO F.; MARQUES G.; RIBEIRO G.; CARRILHO F. Vitamina D – Importância da Avaliação Laboratorial. Revista Portuguesade Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo. p. 32-39, 2013.

 

2. HOLICK M.F.; BINKLEY N.C.; BISCHOFF-FERRARI H.A.; GORDON C.M.; HANLEY D.A.; HEANEY R.P.; MURAD M. H.; WEAVER C.M. Evaluation, Treatment, and Prevention of Vitamin DDeficiency: an Endocrine Society Clinical PracticeGuidelineThe Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. p.1911–1930, 2011.

 

3. HOLLIS, B.W. Assessment and Interpretation of Circulating 25-HydroxyvitaminD and 1,25-Dihydroxyvitamin D in the Clinical Environment. Endocrinology and Metabolism Clinics of North America. 2011.

 

4. IQBAL, A.M.; DAHL, A.R.; LTEIF A.; KUMAR S. Vitamin D Deficiency: A Potential Modifiable RiskFactor for Cardiovascular Disease in Children withSevere Obesity. Children. 2017.

 

5. MAEDA S.S.; BORBA V.Z.C.; CAMARGO M.B.R.; SILVA D.M.W.; BORGES, J.L.C; BANDEIRA, F.; LAZARETTI-CASTRO, M. Recomendações da SociedadeBrasileira de Endocrinologiae Metabologia (SBEM) parao diagnóstico e tratamentoda hipovitaminose D. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia. p. 411 – 433, 2014.

 

6. MUNASINGHE L.L.; WILLOWS, N.D.; YUAN, Y.; EKWARU, J.P.; VEUGELERS, P.J. Vitamin D Sufficiency of Canadian Children Did Not Improve Following the 2010 Revision of the Dietary Guidelines That Recommend HigherIntake of Vitamin D: An Analysis of theCanadian Health Measures Survey. Nutrients. 2017.

 

7. VAZ, A.J.; TAKEI, K.; BUENO, E. C.Imunoensaios: fundamentos e aplicações. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.

 

8. ZERWEKH J. E. Blood biomarkers of vitamin D status. The American Journal of Clinical Nutrition. p. 1087 – 1091, 2008.

Publicado
2017-10-27