FISSURAS LABIAIS E PALATINAS E FATORES HEREDITÁRIOS ASSOCIADOS: UM ESTUDO TRANSVERSAL

  • Luana Paula Bin Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Aline Estades Bertelli Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Fernanda Tomazoni

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A fissura lábiopalatina ou labiopalatal consiste em uma malformação congênita que aloja-se na face média, caracterizada pelo não fechamento do lábio, palato ou ainda ambas as estruturas. Devido ao alto índice de indivíduos acometidos (1 para cada 650 nascidos vivos), esta malformação facial é considerada a mais frequente na população, responsável por abranger a região alveolar maxilar e maxila (ALONSO et al; 2009). Quanto à etiologia, autores têm encontrado resultados distintos, variando desde fatores genéticos, relacionados a hereditariedade, a fatores ambientais como o uso de medicamentos (SOUZA-FREITAS et al; 2004; GARIB et al; 2010). O presente trabalho consistiu na investigação de fatores etiológicos de fissura lábiopalatina, em pacientes portadores dessas malformações atendidos no Pró- Face: Serviço da Face do Círculo, localizado no município de Caxias do Sul. Este estudo caracterizou-se por um estudo observacional do tipo transversal retrospectivo. MATERIAL E MÉTODOS: As coletas foram realizadas por análise de prontuário de 19 pacientes portadores de fissura lábiopalatina, atendidos pelo Pró-Face: Serviço da Face do Circulo. Este projeto fez parte de um projeto maior denominado Fissuras Labiais e Palatinas e Fatores Associados: um estudo transversal, e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário da Serra Gaúcha (CAAE 69008517.9.0000. 5668 sob o número do parecer 2.109.343). Os dados presentes neste estudo são parciais, sua análise completa será finalizada ao final deste semestre, havendo a avaliação de 60 prontuários presentes no local do estudo. As variáveis dependentes consistiram em fissuras labiopalatinas, enquanto que as variáveis independentes abrangeram o sexo e idade do paciente, o tipo de fissura segundo a classificação de Spina, 1972 (CYMROT et al., 2010), presença de familiares com fissuras labiais e/ou palatinas e grau de parentesco deste familiar com o paciente fissurado. As análises foram feitas pelo software Stata 12, e foi realizado o teste Chi- quadrado e descritas as frequências relativas e absolutas de cada variável. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Foram avaliados os prontuários de 10 pacientes do sexo masculino (52,63%) e 9 do sexo feminino (47,37%). A idade variou de 2 a 35 anos e 60% dos pacientes possuíam algum familiar antecessor a ele com fissura labiopalatina. Quanto ao grau de parentesco do familiar acometido pela fissura, 33,33% eram de primeiro grau, 22,22% de segundo grau e 44,44% de terceiro grau. Quanto ao tipo de fissura mais frequente encontrada nesses pacientes foi a fissura envolvendo palato primário e secundário, e o local da fissura foi predominantemente unilateral do lado esquerdo (50%). O maior achado do presente estudo foi o grande número de familiares antecessores com fissura labiopalatina e a presença da fissura no paciente. Este achado corrobora com a literatura sobre a forte origem genética das fissuras labiopalatinas. Evidências sobre a etiologia genética das fissuras labiopalatinas surgem de alguns estudos familiares, em que é possível demonstrar que os irmãos de pacientes com fissura labial, com ou sem fenda palatina, têm um risco aumentado de apresentarem fissura labial, conjugada ou não, com fenda palatina (FRASER, 1969). Miranda et al (2004) também mostram em seu estudo que quando um dos pais é afetado o risco de fissura para o filho é de 5% enquanto que quando ambos os pais são afetados esse risco aumenta para 10%. O risco de ocorrência aumenta, de acordo com a proximidade do parentesco, assim como a severidade do defeito e o número de indivíduos afetados de uma mesma família. Os mais importantes preditores são a existência de pelo menos um parente considerado de primeiro grau afetado e bilateralidade da fissura labial. (COUTINHO,2007). No presente estudo, a maior parte dos pacientes apresentava um familiar de terceiro grau afetado, porém, este dado pode possuir um viés, já que nossa amostra é pequena. Além do tipo de fissura que os pais apresentam, o sexo da criança exerce influência sobre o tipo de fissura da criança. Quando a criança é do sexo masculino existe um risco maior de apresentar fissura quando a mãe apresenta fissura labial ou labiopalatina (MIRANDA et al, 2004). CONCLUSÃO: É frequente a presença de um familiar antecessor com fissura labial e/ou palatina entre pacientes com fissuras labiais e palatinas. Neste estudo a maior frequência ocorreu com familiares em terceiro grau o que não está de acordo com a literatura, portanto mais estudos devem ser realizados para o esclarecimento deste desfecho.

REFERÊNCIAS

ALONSO, N.; SAKAY, D. Y.; TANIKAWA; JUNIOR, J. E. L.; ROCHA, D. L.; STERMAN, S.; FERREIRA, M. C.; Fissuras labiopalatinas: protocolo de atendimento multidisciplinar e seguimento longitudinal em 91 pacientes consecutivos.  Rev. Bras. Cir. Plást., 2009; 24(2): 176-81.

COUTINHO A. L. F.; Fissuras orofaciais: frequência e fatores associados, Recife: UFPE, 2007. Dissertação (Mestrado em saúde da criança e do adolescente. Universidade Federal de Pernambuco, 2007.

CYMROT, M.; SALES, F. C. D.; TEIXEIRA, F. A. A.; JUNIOR, F. A. A. T.; TEIXEIRA, G. S. B.; FILHO, J. F. C.; OLIVEIRA, N. H.; Prevalência dos tipos de fissura em pacientes com fissuras labiopalatinas atendidos em um hospital pediátrico de nordeste brasileiro, Rev. Bras. Cir. Plást. 2010; 25(4): 648-51.

FRASER, F. C.; The genetics of cleft lip and cleft palate, American Society of Human Genetics, 1970.

GARIB, D et al. Etiologia das Más Oclusões. In: Janson, G et al. Introdução à Ortodontia. São Paulo: Artes Médicas, 2013, p.62-75.

MIRANDA G. E.; MAGALHÃES C. S.; LORENTZ T. C. M.; GALLBACH J. R.; FERREIRA E. F.; Caracterização dos pacientes acometidos por fissura labiopalatina atendidos por um projeto de extensão da FO-UFMG, J Bras Ortodon Ortop Facial  9(52):398-404; 2004.

SOUZA-FREITAS, J. A. S.; DALBEN, G. S.; FREITAS, P. Z.; JR, M. S.; Tendência familial das fissuras lábio-palatais, R Dental Press Ortodon Ortop Facial, Maringá, v. 9, n. 4, p. 74-78, jul./ago. 2004. 

Publicado
2017-10-27