O DECRESCIMENTO COMO POSSIBILIDADE DE MINIMIZAÇÃO DOS DANOS AMBIENTAIS PROVOCADOS PELO CONSUMOCENTRISMO

  • Agostinho Oli Koppe Pereira Universidade de caxias do Sul
  • Caroline Miola Universidade de Caxias do Sul
  • Cleide Calgaro Universidade de Caxias do Sul

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A modernidade consubstanciou a sociedade de consumo, ou sociedade hiperconsumista. O hiperconsumo vem na esteira da busca de um progresso material, econômico. Às portas da pós-modernidade já não mais se pode falar em sociedade hiperconsumista, mas sim em “sociedade consumocentrista”.  Para a consolidação dessa sociedade consumocentrista, os meios de produção e de consumo demandaram e demandam a destruição do meio ambiente, seja na utilização do meio ambiente como matéria prima, seja na utilização do meio ambiente como depósito do lixo descartado pelo consumo. Nesse contexto global, a modernidade desdobra-se impulsionada por interesses mercadológicos, onde os universos jurídicos e sociais recebem influências políticas de poder vindas dos grandes grupos econômicos que buscam, exclusivamente, o propalado desenvolvimento. No meio desses questionamentos insere-se o meio ambiente que, espoliado, mostrou ao ser humano que os danos a ele causados – destruição da camada de ozônio, aquecimento global, inundações, desmoronamentos, etc. - por esse desenvolvimento necessita ser repensado com urgência. O poder dos grandes grupos econômicos desenvolve suas influências em busca do lucro, sem a preocupação com os riscos ambientais que criam através dessa busca desregrada. Nesse diapasão, esses grupos econômicos, como tratores de esteiras, que derrubam montanhas e florestas, passam por do Direito e da sociedade como um todo para atingir seus objetivos. O que se nota é o interesse, único e exclusivo, pelo consumo, confundindo cidadania com consumir, destruição ambiental com progresso, ser com ter, numa verdadeira dispersão conceitual de “Crescimento”, “Progresso”, “Direito” e “Cidadania”. O escopo que se pretende com a presente pesquisa é, visualizando as ideias de “Crescimento”, “Progresso”, “Direito” e “Cidadania”, verificar, dentro da sociedade consumocentrista, se é possível a implantação de um sistema de decrescimento e quais as implicações socioambientais que a implantação desse novo paradigma acarretaria para a sociedade pós-moderna.  MATERIAL E MÉTODOS: O método utilizado para este trabalho é o analítico dedutivo. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Na presente pesquisa analisa-se o consumocentrismo na sociedade moderna e os seus reflexos socioambientais. Num primeiro momento, os autores estabelecem os parâmetros do consumocentrismo, sob a ótica observada pelos mesmos, visualizando a incidência deste novo comportamento social sobre a sociedade contemporânea. Estabelecidas estas referências, trabalha-se, no segundo momento, sobre os reflexos socioambientais causados pelo consumocentrismo, possibilitando uma reflexão sobre o modo de vida que por ir além do hiperconsumismo, causa severos e nefastos impactos à sociedade ao meio ambiente. Por final, no terceiro momento, analisa-se o decrescimento com possibilidade de enfrentamento dos impactos gerados no plano socioambiental por essa sociedade consumocentrista.    CONCLUSÃO: elaboram-se algumas considerações que trazem possibilidades para o enfrentamento dos problemas que envolvem consumo, sociedade e meio ambiente. Nesse ínterim, concebe-se a necessidade de uma mudança na racionalidade moderna e configura-se a indispensabilidade de novas políticas públicas voltadas à preservação ambiental e à minimização dos impactos sociais causados pelo consumocentrismo. Políticas essas, concatenadas com a busca de cooperação social em uma sociedade com menos injustiças socioambientais. Além desses aspectos, pretende-se trazer o decrescimento para o plano da sociedade moderna, vez que os parâmetros de crescimento elaborados por essa sociedade pressupõem a finitude dos recursos naturais o que tem se demonstrado, na realidade insustentável.   

 REFERÊNCIAS

D’ALISA, Giacomo; DEMARIA, Federico; KALLIS, Giorgos (orgs.) Decrescimento: vocabulário para um novo mundo. Porto Alegre: Tomo Editorial, 2016.

 

GEORGESCU-ROEGEN Nicholas. O decrescimento: entropia, ecologia, economia. Lisboa: Instituto Piaget 2008.

 

LATOUCHE, Serge. Pequeno Tratado do Decrescimento Sereno. São Paulo: WMF, Martins Fontes, 2009.


PEREIRA, Agostinho Oli Koppe
; Cleide; PEREIRA, Henrique Mioranza Koppe. Consumocentrismo e os seus reflexos socioambientais na sociedade contemporânea. Revista Direito Ambiental e Sociedade, v. 6, p. 264-279, 2016.

Biografia do Autor

Agostinho Oli Koppe Pereira, Universidade de caxias do Sul

  Doutor em Direito. Professor da Universidade de Caxias do Sul. E-mail: agostinho.koppe@gmail.com 

Caroline Miola, Universidade de Caxias do Sul

Aluna do Curso de Direito da Universidade de Caxias do Sul. E-mail: carolpmiola@hotmail.com

Cleide Calgaro, Universidade de Caxias do Sul

 

Doutora em Ciências Sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS. Pós-Doutora em Filosofia e em Direito ambos pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS. Doutoranda em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS. Mestra em Direito e em Filosofia pela Universidade de Caxias do Sul – UCS. Atualmente é Professora e pesquisadora no Programa de Pós-Graduação – Mestrado e Doutorado - e na Graduação em Direito da Universidade de Caxias do Sul. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa "Metamorfose Jurídica”.  CV: http://lattes.cnpq.br/8547639191475261. E-mail: ccalgaro1@hotmail.com

Publicado
2017-10-27
Seção
Ciências Jurídicas e Sociais - Resumo Expandido