PREVALÊNCIA E FATORES ASSOCIADOS À OBESIDADE ABDOMINAL EM IDOSOS RESIDENTES DE UMA CIDADE DE PEQUENO PORTE DA SERRA GAÚCHA

  • Ediana Casagrande Centro universitário da Serra Gaúcha
  • Franciele Bortolozzo Centro universitário da Serra Gaúcha
  • Helena Zoraski Centro universitário da Serra Gaúcha
  • Marilene Fiamete Centro universitário da Serra Gaúcha
  • Maria Luisa Gregoletto Centro universitário da Serra Gaúcha
  • Cleber Cremonese Centro universitário da Serra Gaúcha

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A longevidade da população é um fenômeno mundial aonde traz importantes repercussões nos campos social e econômico. Nos países desenvolvidos, esse processo se deu de forma lenta, enquanto nos países em desenvolvimento como no Brasil, caracteriza-se pela rapidez no aumento das populações adulta e idosa, modificando a pirâmide populacional. Todavia, nos países desenvolvidos, construíram-se os alicerces de uma sociedade mais inclusiva e mais adequada à população idosa. Já nos países em desenvolvimento, nos quais, apesar dos enormes avanços normativos e institucionais, muito ainda precisa ser feito para que a velhice seja associada a uma vida ativa e saudável. (AIRES et al., 2016). A obesidade é um dos principais fatores as­sociados às DCNT. Sua ocorrência é de caráter multifatorial, podendo ser resultado da combi­nação de fatores genéticos e fisiológicos com um ambiente obesogênico, caracterizado principal­mente, pela presença de atividade física insufi­ciente e de hábitos alimentares inadequados. (COSTA et al., 2016). Diante deste cenário, percebe-se a necessidade de mais estudos científicos envolvendo populações idosas a fim de identificar possíveis doenças relacionadas à obesidade visto que são raros em municípios de pequeno porte, os quais apresentam diversas peculiaridades e especificidades. Assim, o presente trabalho tem por objetivo identificar os possíveis fatores de risco relacionados à obesidade abdominal, em uma amostra de idosos residentes no município de Nova Roma do Sul-RS. MATERIAL E MÉTODOS: Foi realizado um estudo epidemiológico transversal, no qual foram avaliados 293 idosos de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 60 anos, residentes em Nova Roma do Sul, RS. Para a coleta de dados, foi utilizado um questionário composto por variáveis socioeconômicas, relativas à presença de doenças crônicas, prática de atividade física e hábitos alimentares. Foram coletadas amostras de sangue para identificação do perfil lipídico e glicêmico. Ainda, dados antropométricos foram aferidos para uma melhor para uma melhor e mais completa avaliação. O banco de dados e as análises estatísticas foram realizadas no SPSS, através de prevalências e RPs. O projeto de pesquisa foi aprovado através do número 1.402.273. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Foram avaliados 293 idosos, sendo 164 (56%) mulheres. De modo geral a média de idade foi 70 anos (DP+-7,6) e a cor de pele predominante foi branca (94,5%). Quanto a escolaridade, 65% dos entrevistados estudaram no máximo 4 anos e a renda familiar de 57,7% foi inferior a dois salários mínimos. A grande maioria, 162 (55,3%) possuía filhos vivos e 221 (75,4%) alegaram não morar sozinhos. Quando associados, os resultados com maior prevalência do desfecho foram: IMC elevado (RP: 3,24; IC95% 2,33-4,50), colesterol elevado (RP:1,29; IC95% 1,08-1,53) e consumo menos frequente de doces (RP: 1,51; IC95% 1,39-1,64). Ainda, homens apresentaram-se como fator de proteção (RP: 0,60; IC95% 0,50-0,74).  Em relação aos achados do presente estudo, quando comparados a literatura nacional e internacional, a prevalência geral de obesidade abdominal foi semelhante a uma considerável quantidade de estudos, Venturini et al. (2013) com 304 idosos de idade igual ou superior a 60 anos, em Porto Alegre, no período de dezembro de 2005 a julho de 2006 revelou que 72% estavam acima do peso. A prevalência de obesidade foi maior entre as mulheres (35%) já, Scherer et al. (2013) identificou associação significativa entre as variáveis de estado nutricional e circunferência da cintura, patologias presentes para ambos os gêneros. Além disso, segundo dados do artigo, com relação ao estado nutricional a maior prevalência encontrada foi de sobrepeso, homens (60,3%) e mulheres (62,5%). Um maior risco para o desfecho foi observado naqueles indivíduos com excesso de peso, maiores níveis de colesterol e menores frequências de consumo de frutas, legumes e verduras (p<0,005). No que se refere aos hábitos alimentares dos idosos, estudo de Sass & Marcon et al. (2012) realizado em um hospital do Paraná, com dados coletados no período de março a junho de 2009, contando com 75 idosos, foi observado que 78,7% realizavam três refeições diárias, 22,7% realizava de dois a três lanches diários e apenas 18,6% tomavam mais de 8 copos de água por dia, resultados que confirmam a teoria da associação de sobrepeso e obesidade com comportamento alimentar. CONCLUSÃO: Os resultados obtidos mostraram a prevalência de OA muito elevada para essa população como condizente na literatura. Sabe-se dos agravos que este distúrbio metabólico pode causar à saúde, destaca-se então a necessidade de ações visando a elaboração de estratégias que atentem integralmente à saúde do idoso.
Publicado
2017-10-27