FATORES ASSOCIADOS À GLICEMIA ELEVADA EM IDOSOS EM MUNICÍPIO DE PEQUENO PORTE DO SUL DO BRASIL

  • Franciele Bortolozzo Centro universitário da Serra Gaúcha
  • Ediana Casagrande Centro universitário da Serra Gaúcha
  • Helena Zoraski Centro universitário da Serra Gaúcha
  • Marilene Fiamete Centro universitário da Serra Gaúcha
  • Maria Luisa Gregoletto Centro universitário da Serra Gaúcha
  • Cleber Cremonese Centro universitário da Serra Gaúcha http://orcid.org/0000-0003-2700-7416

Resumo

INTRODUÇÃO: A ampliação da expectativa de vida é um dos maiores feitos da humanidade o que propiciou o aumento da população idosa. No Brasil, a expectativa de vida ao nascer passou de 50 anos em 1950 para 74,8 anos no ano de 2013 (CAMARGOS; GONZAGA, 2015). A glicemia elevada é também a causa mais comum de amputações não traumáticas de membros inferiores, cegueira irreversível e doença renal crônica. O Diabetes Mellitus é uma doença comum, com prevalência crescente, de fácil diagnóstico, e medidas efetivas para a prevenção de suas complicações podem ser tomadas. Os indivíduos comprovadamente com maior risco de desenvolvimento de diabetes incluem aqueles com glicemia de jejum alterada (SOUZA et al., 2012). Diante de tais fatos, percebe-se a necessidade de conhecer o perfil alimentar e nutricional da população idosa, assim o presente trabalho tem por objetivo investigar a prevalência de glicemia elevada identificando possíveis fatores associados em uma amostra de idosos residentes no município de Nova Roma do Sul-RS. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Com o fenômeno do envelhecimento populacional, verificam-se mudanças no perfil epidemiológico, aumentando a necessidade de conhecimento dos fatores que incidem sobre a prevalência de doenças crônico-degenerativas associadas à idade (VENTURINI et al., 2013). A mudança no perfil demográfico da população nas últimas décadas, juntamente com a globalização e industrialização, ocasionou a transição nutricional. Essas alterações nos padrões alimentares são caracterizadas pela maior oferta de alimentos, pelo aumento da realização das refeições fora de casa, tamanho das porções de alimentos cada vez maiores, dependência crescente de alimentos ultra processados e o aumento do uso de óleos comestíveis baratos (MARINHO et al., 2003; POPKIN, 2011). MATERIAL E MÉTODOS: Foi realizado um estudo epidemiológico transversal, composto por 291 idosos, residentes em Nova Roma do Sul/RS, entre março e agosto de 2016. Aplicou-se um questionário padronizado contendo questões sociodemográficas, de estilo de vida, alimentares, nutricionais e relativas à presença de morbidades. As informações sobre o perfil lipídico e glicêmico foram coletadas através da análise de material biológico (sangue). Ainda, foram coletadas medidas antropométricas. Para possível associação do desfecho com variáveis de exposição, teste qui-quadrado foi aplicado e adotou-se um p-valor ≤ 0,05. O projeto foi aprovado pelo CEP do Centro Universitário da Serra Gaúcha com nº 1.402.273. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Foram entrevistados 291 idosos, sendo 163 (56% mulheres). De modo geral a média de idade foi 70 anos (DP+-7,4) e a cor de pele predominante foi branca (94,5%), ainda a escolaridade (x=4,58 anos, DP+-3,89), 171 indivíduos (58,8%) estudaram mais que quatro anos e a renda familiar de 42,3% foi superior a dois salários mínimos. A grande maioria, 264 (95,7%) possuía filhos vivos e 269 (92,4%) alegaram não morar sozinhos. Quanto ao consumo de alimentos como doces, 180 (61,9%) (p=0,048), consomem com frequência mais de cinco vezes na semana, já o consumo de alimentos gordurosos identificou-se que 215 (73,9) entrevistados tem uma menor frequência no consumo, mas no que se refere a proteína 170 (58,4) os entrevistados apresentam uma ingestão frequente. Conforme Andrade e Martins (2011), idosos que possuem uma maior funcionalidade familiar apresentam melhor qualidade de vida. Isso pode ser explicado pela diferença entre os cuidados e a atenção dedicados aos idosos pelos familiares próximos, especialmente os filhos, em relação aos cuidadores formais. Ainda, apresentar 4 ou mais filhos pode ser um indicador de pertencer a classes socioeconômicas menos favorecidas. Em um estudo realizado em Minas Gerais, denominado Projeto Bambuí (LOPES et al., 2005), foi realizado um inquérito alimentar para verificar a adequação da ingestão de alimentos da população, onde 36% dos idosos apresentaram consumo excessivo de gorduras saturadas, e 64% relataram baixa ingesta proteica, contribuindo assim para o aumento de doenças crônicas não transmissíveis.  CONCLUSÃO: O consumo excessivo de doces mostrou associação inversa com o desfecho, ou seja, nem todas as pessoas que consomem doces com frequência apresentam glicemia elevada, isso pode estar relacionado a diversos fatores como: maus hábitos alimentares, sedentarismo, histórico familiar de Diabetes, dentre outras possibilidades. Destaca-se o incentivo de novos buscando aprofundar a frequência do consumo com acompanhamento para evidenciar novos desfechos.

Publicado
2017-10-27