O PROCESSO DE LUTO EM PAIS QUE VIVENCIARAM A PERDA PERINATAL

  • Camila Batistin Centro Universitário da Serra Gaucha
  • Cassia Ferrazza Alves Centro Universitário da Serra Gaucha

Resumo

 

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A morte é um acontecimento que pode desencadear uma série de emoções e sentimentos ao ser humano. Talvez por ser algo que mobilize o ser humano, existe uma evitação em falar sobre o assunto (BROMBERG et al., 1996). Ao pensar sobre o tema da morte, pode-se ponderar o processo de luto que tem por significado dor, desafio ou combate entre os dois: dor e desafio. Desta forma, a maneira como a perda é vivenciada pode gerar sentimentos de ansiedade e sofrimento (FREITAS, 2000).  Assim, é possível considerar o processo de luto como algo dinâmico, envolvendo questões referentes à personalidade do indivíduo, que podem ser conscientes ou não, como as funções de ego, suas defesas e posicionamento diante de outros acontecimentos, bem como suas relações com outras pessoas (FREITAS, 2000). É importante avaliar estes fatores especialmente com a morte perinatal, já que esta é uma perda que nunca é esperada, tendo em vista o ciclo do desenvolvimento humano, considerando de forma mais amena a finitude na velhice. A morte perinatal é compreendida como a morte do feto nas últimas semanas de gestação, ou o bebê recém-nascido nos primeiros dias de vida (VIDAL, 2010). A morte de um filho pode causar uma série de episódios difíceis para a família. O luto dos pais consiste em um emaranhado de sentimentos, como culpa e auto reprovação, por se sentirem impotentes e por não conseguirem evitar a morte dos filhos (BROMBERG et al., 1996). Desse modo, este estudo tem por objetivo geral compreender o processo de luto em pais que vivenciam a perda perinatal a partir de uma revisão de literatura. MATERIAL E MÉTODOS: Esta pesquisa consiste em um estudo exploratório, realizado através de uma revisão de literatura de artigos científicos. Os materiais foram coletados nas bases de dados Scientifc Electronic Libraly Online (Scielo), Lilacs e Ebsco, através das seguintes palavras-chaves: Luto e Perinatal, Luto e Pais, Luto perinatal e Pais, Morte Perinatal e Pais. A revisão foi realizada em duas etapas: inicialmente, foram analisados os resumos, independente do ano de publicação, sendo excluídos materiais que não abordassem a temática do estudo. Na segunda etapa, os artigos foram analisados na íntegra, sendo excluídos artigos em outras línguas sendo analisados inicialmente seu resumo. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Foram localizados 73 artigos a partir das palavras chaves citadas, deste total 25 não foram utilizados por serem repetidos, 42 foram descartados por não possuírem relação com a temática. Assim, seis estudos foram selecionados para análise, sendo que dois não foram utilizados por não apresentarem texto completo. Os resultados foram obtidos a partir da análise dos estudos dos seguintes autores: Lari et al. (2018), Lemos; Cunha (2015), Muza et al. (2015), Silva e Sales (2012), onde foi possível criar duas categorias. A primeira caracteriza-se pela vivência da morte perinatal pelos pais e sentimentos emergentes e a segunda, o preparo da equipe multiprofissional diante da morte de bebês. Na primeira categoria, foi possível identificar que os pais vivenciam o momento do óbito fetal de diferentes formas, contudo identificam-se situações semelhantes como com reações de choque e negação (LEMOS; CUNHA, 2015; SILVA; SALES, 2012). Sendo essa uma temática que mobiliza tanto os pais, torna-se imprescindível que a equipe multiprofissional, aspecto abordado na segunda categoria deste estudo, possa acolher da melhor maneira os genitores (SILVA; SALES, 2012) uma vez que muitas famílias ainda recebem pouco apoio social das instituições ao vivenciar essa perda (MUZA et al., 2015).  CONCLUSÃO: A partir do estudo realizado, entende-se a importância de identificar os possíveis sentimentos que podem surgir em pais que vivenciam a perda perinatal e avaliar as possíveis reações diante da mesma. Possuindo esse conhecimento, é possível auxiliar a equipe multiprofissional que se depara com morte de bebês, para que possam ter uma postura diferente com os pais que vivenciam a perda perinatal.

 

 

REFERÊNCIAS

 

BROMBERG, M. H. P. F. et al. Vida e Morte: Laços de Existência. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1996.

 

FREITAS, Neli K. Luto Materno e Psicoterapia Breve. São Paulo: Summus, 2000.

 

LARI, L. R. et al. Suporte aos pais que vivenciam a perda do filho neonato. Revisão de literatura.  AquichanVol. 18, n. 1, p. 80-94, 2018.

 

LEMOS, L. F. S; CUNHA, A. C. B. d. Concepções Sobre Morte e Luto: Experiência Feminina Sobre a Perda Gestacional. Psicol. cienc. Prof. Vol. 35, n. 4, Brasilia Out/Dez, 2015. 

 

MUZA, J. C. et al. Quando a morte visita a maternidade: atenção psicológica durante a perda perinatal. Revista Psicologia: Teoria e Prática, Vol. 15, n. 3, p. 34-48. São Paulo, SP, set.-dez, 2013.

 

SILVA, J. D. D.; SALES, C. A. Do Imaginário ao Real: A Experiência de Pais Enlutados. Rev Rene. Vol 13, n.5:1142-51, 2012.

 

VIDAL, M. Gravidez Após Morte Perinatal: Sobre a Relação da Mãe com o Bebê Sobrevivente. Ciência & Saúde Coletiva, v.15, n. 2, p.3185-3190, 2010.

 

Publicado
2019-01-03
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido