EXCESSO DE PESO E RISCO CARDIOVASCULAR ENTRE IDOSAS DE CAXIAS DO SUL – RS

  • Joana Zanotti FSG Centro Universitário
  • Rafaela Santi Dell'Osbel FSG Centro Universitário
  • Edilane Araújo dos Santos FSG Centro Universitário
  • Maria Celeste Osório Wender UFRGS

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O envelhecimento populacional é um fenômeno mundiale inevitável para qualquer ser humano na evolução da vida(DO PORTO et al., 2013; SBGG, 2014). Após a menopausa, a massa óssea e a massa magra tendem a diminuir e a massa gordurosa tende a aumentar, assim, após este período as mulheres propendem a um acréscimo de 20% de massa gordurosa. Em mulheres acima de 47 anos, o acúmulo de gordura na região abdominal é um fator de risco considerável para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (DCV) (ALMEIDA e GREGUOL, 2013). Desta forma, o objetivo do presente estudo foi avaliar o excesso de peso e associar com outros métodos antropométricos preditores de risco cardiovascular (RCV), comparando idosas institucionalizadas e da comunidade na cidade de Caxias do Sul/RS. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um estudo epidemiológico observacional transversal, com amostra selecionada por conveniência. Participaram do estudo mulheres idosas com idade maior ou igual a 60 anos, sendo constituído em dois grupos, um grupo de idosas captadas na comunidade e outro de idosas institucionalizadas, captadas em Clínicas Geriátricas da cidade de Caxias do Sul, RS. A coleta de dados ocorreu de setembro de 2016 a fevereiro de 2017, onde utilizou-se um questionário pré-codificado. As variáveis quantitativas foram descritas por média e desvio padrão e as categóricas por frequências absolutas e relativas. Para comparação das médias utilizou-se o teste t-student e na análise bivariada foi utilizada o teste qui-quadrado de Pearson, por meio do Software SPSS Statistic Data 23.0, com nível de significância de 5% (p≤0,05). A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG), sob parecer do CEP nº 1.628.94. RESULTADOS E DISCUSSÕES: A amostra foi constituída por 391 idosas, sendo 212 da comunidade e 179 institucionalizadas. Referente Índice de Massa Corporal (IMC), a média encontrada foi 27,73 kg/m2 (±5,04), logo, 54,2% foram classificadas com excesso de peso. Corroborando com estes achados, Previato et al., (2014), identificou que66% das idosas investigadas apresentavam excesso de peso. Sabe-se que o excesso de peso sem alterações nos demais indicadores antropométricos não é considerado RCV(GOH e HART, 2018). Em relação ao desfecho e fatores associados, observou-se significância estatística em relação ao RCV nas idosas da comunidade e institucionalizadas, conforme Perímetro da Cintura (PC) (78,4% vs 75,7%; p <0,001), Razão Cintura-Quadril (RCQ) (68,5% vs 59,3%; p < 0,001) e % Gordura Corporal (%GC) (82,1% vs 78,8%; p < 0,001), respectivamente. Assim, identificou-se que as idosas da comunidade apresentam maiores prevalências que representam RCV (PC, RCQ e %GC) comparadas as idosas institucionalizadas. Este estudo demonstrou que idosas institucionalizadas e idosas da comunidade apresentam uma prevalência elevada de excesso de peso, bem como RCV aumentado, demonstrado por variados indicadores antropométricos. Segundo Morosano et al.,(2017), a média do IMC foi de 28,6 kg/m² (± 5,6), valor aproximado ao encontrado no presente estudo. Em uma coorte de mulheres indianas, com mais de 250.000 participantes, demonstrou-se que o IMC foi associado com RCV, sendo o sobrepeso e a obesidade associados positivamente com este risco (KABAT et al., 2014). Sabe-se que a associação dos resultados do IMC e PC refletem a estimativa de gordura abdominal e visceral, sendo considerados indicadores de RCV (KABAT et al., 2014; MELLER et al., 2014). Um estudo transversal de base populacional demonstrou a medida do PC elevado, semelhante ao presente estudo, e quanto a RCQ, 92,0% das participantes apresentaram risco aumentado para DCV(MARTINS, 2015). Segundo Colpani et al. (2013), mulheres inativas apresentam maior risco para PC maior que 88 cm. Ainda, sabe-se que doença arterial coronariana é mais frequente em idosas obesas pós-menopausa, e acredita-se estar associada ao gordura corporal na região abdominal (GOH e HART, 2018; SAEED et al., 2017). Milewska et al. (2016), identificou que mulheres no período de pós-menopausa tardio apresentam maior %GC, quando comparadas a mulheres no período inicial do pós-menopausa, e que o %GC aumentou significativamente conforme a idade das mulheres. Desta forma, sugere-se que segundo o %GC, as idosas com excesso de peso de ambos os grupos apresentem RCV.

CONCLUSÃO: Os resultados deste estudo mostraram que a maioria das idosas apresentaram excesso peso corporal e abdominal, com elevado percentual de massa gorda, levando ao risco para doenças crônicas. Ressalta-se que a combinação de vários métodos de avaliação nutricional é eficaz para um diagnóstico fidedigno.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG Centro Universitário
Docente. Mestra em Ciências Médicas. Centro Universitário da Serra Gaúcha/FSG.
Rafaela Santi Dell'Osbel, FSG Centro Universitário
Acadêmica de Nutrição. Centro Universitário da Serra Gaúcha/FSG.
Edilane Araújo dos Santos, FSG Centro Universitário
Acadêmica de Nutrição. Centro Universitário da Serra Gaúcha/FSG.
Maria Celeste Osório Wender, UFRGS
Docente e Coordenadora do Grupo de Pesquisa Climatério e Menopausa e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde: Ginecologia e Obstetrícia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS.
Publicado
2018-12-28
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido