A INSERÇÃO DO TRANSEXUAL NO MERCADO DE TRABALHO

  • Willian Gasparetto Faculdade da serra gaúcha
  • Cássia Ferrazza Alves

Resumo

 

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A transexualidade pode ser considerada a não identificação comportamental, social, emocional e sexual com o sexo anatômico atribuído ao nascimento de um indivíduo, em que o indivíduo assume um papel de gênero contrário ao seu biológico (JESUS, 2012; SILVA; SANTOS, 2014). Essa identidade o acompanhará em todas as esferas de sua vida. Uma delas é o mercado de trabalho, no qual o transexual pode ter dificuldades na inserção, pois grande parte das organizações são regidas pela heteronormatização e, com ela, o estigma de quem não se encaixa nesse padrão esperado socialmente (DIAS; BERNARDINELI, 2016). Por essa razão, o objetivo desse estudo foi investigar como ocorre a inserção dos transexuais no mercado de trabalho, a partir de uma revisão de literatura. MATERIAL E MÉTODOS: este estudo configura-se como um estudo exploratório de revisão de literatura, considerando o período de tempo dos últimos 10 anos, nas bases de dados: Scielo, Lilacs e Ebsco. Foram utilizadas as seguintes palavras-chave: transexual e mercado de trabalho, transexual e preconceito no trabalho e qualidade de vida no trabalho e transexual. A análise dos materiais foi realizada em duas etapas. Na primeira, foram localizados os artigos, sendo localizados 427 artigos. A partir da exclusão dos artigos repetidos, restaram 228 para análise do resumo. A partir da análise do resumo, foram selecionados dois artigos que abordassem a temática da inserção dos transexuais no mercado de trabalho. Após, foi realizada a segunda etapa da revisão, sendo a análise dos textos completos. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Referente aos dois artigos analisados, foram construídas três categorias. A primeira abordou o preconceito enfrentado pelos transexuais no mercado de trabalho. Foi possível identificar que o transexual reconheceu o preconceito nas organizações de diferentes maneiras, que tange a violência simbólica e violência interpessoal  (CARRIERI; SOUZA; AGUIAR, 2014). A segunda categoria abordou a percepção de pessoas transgêneras sobre a violência nas organizações, sendo identificado violência advinda de colegas de trabalho e clientes. A invisibilidade é outro fator constatado, no qual restringe oportunidades aos trans. A terceira categoria abordou fatores que perpassam a inserção dos trangêneros até a chegada ao mercado de trabalho, como a evasão escolar, ausências de oportunidades, pela não qualificação e violência associada ao preconceito na qual esse grupo depara-se (BAGGIO, 2016). CONCLUSÃO: Ao analisar as três categorias, concluiu-se que o mercado de trabalho formal é regido sob uma padronização heteronormativo. Dessa maneira, os transgêneros possuem inúmeras dificuldades de inserção no mercado de trabalho, uma vez que o preconceito simbólico e interpessoal advindo de pares, clientes e organização podem estar relacionados a comportamentos violentos. Identifica-se também que o nome social utilizado pelos transgêneros e sua aparência física, são os grandes reforçadores do estigma, tornando-se ainda mais dificultosa a inserção dessa comunidade ao mercado de trabalho. Identifica-se que o preconceito só poderá ser diluído quando esse grupo for reconhecido como indivíduos com valores, direitos e igualdade.

Publicado
2018-12-28