VITAMINA D E PROCESSO INFLAMATÓRIO: UMA VISÃO GERAL

  • Júlia Duarte Ramos Centro Universitário da Serra Gaúcha - FSG
  • Mauricio Sprenger Bassuino
  • Mauricio Sprenger Bassuino
  • Elias da Rosa Hoffmann

Resumo

INTRODUÇÃO: A vitamina D é um hormônio que pode ser obtido por meio da alimentação, ou ainda, sintetizado a partir de derivados do colesterol presentes na pele. Quando proveniente do alimento, pode ser obtida sob duas formas, D2 e D3, denominadas, ergocalciferol e colecalciferol, respectivamente. Quando sintetizamos, inicialmente ocorre a formação do pré-hormônio D, por meio da irradiação de luz ultravioleta sob as moléculas de 7-dehidrocolesterol. (ALVES et al., 2013) Independente da forma de obtenção desse hormônio, seus precursores serão metabolizados no fígado, e posteriormente, nos rins, para originar sua porção com função biologicamente ativa, ou seja, 1,25(OH)2D3. (LICHTENSTEIN et al., 2013) (HOLICK, 2016) Esse hormônio apresenta funções relacionadas ao metabolismo ósseo, atuando sobre o metabolismo fosfocálcico, ou ainda, funções que vem sendo observadas recentemente, como exemplo, função relacionada ao processo inflamatório. (PETERS; MARTINI, 2014) Diante da variedade de efeitos que esse hormônio pode promover no organismo humano, sua carência requer atenção, visto que a hipovitaminose D pode acarretar inúmeros distúrbios e danos à saúde do indivíduo. (TAMAKI et al., 2017) Nesse âmbito, reconhecendo que a maior parcela de vitamina D disponível no organismo é proveniente da síntese endógena, sugere-se que a localização geográfica do indivíduo pode afetar os níveis desse hormônio. (WACKER; HOLICK, 2013) Assim, observa-se que o estado do Rio Grande do Sul, devido a sua latitude, apresenta uma população suscetível à deficiência de vitamina D. (SCALCO et al., 2008) Da mesma maneira, sugere-se que a vitamina D possa desempenhar ação sobre diversos processos inflamatório, como a diabetes, atuando sobre a resistência à insulina, cardiopatias e o processo carcinogênico, dentre outros. (VERMA; HUSSAIN, 2017) (LEE; HÜTTEMANN, 2014) (DALBELLO TIR; LABOR; PLAVEC, 2017) Dessa maneira, reconhecendo a predominância da hipovitaminose D, inclusive, verificando a possível relação desse hormônio com os processos inflamatórios manifestados pelo organismo, o presente estudo tem por objetivo evidenciar se os níveis de vitamina D atuam sobre marcadores inflamatórios, relacionando assim esse hormônio com os processos inflamatórios.  MATERIAL E MÉTODOS: Para alcançar o objetivo estabelecido na construção desse projeto, desenvolveu-se uma revisão sistematizada, na qual buscou-se nas plataformas de busca “Pubmed” e “Scielo”, artigos desenvolvidos com humanos, publicados nos últimos cinco anos, tendo como idioma português ou inglês, e que apresentassem os seguintes descritores: “Ergosterol, calcitriol, colecalciferol, vitamina D, inflamação e processo inflamatório”, para língua portuguesa e “Ergocalciferil, calcitriol, cholecalciferol, vitamin D, inflammation e inflammatory process”, para língua inglesa. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Foram selecionados 379 artigos. Em uma primeira triagem, foram exclusos 168 artigos por meio da análise de título, posteriormente, mais 176 artigos foram exclusos por meio da análise de resumo. Ao final, restaram para análise um total de 35 artigos. Desses, mais de três quartos (85.7%) demonstraram relação entre a vitamina D e os processos inflamatórios, evidenciando, basicamente, que níveis adequados desse hormônio tendem a promover a redução do processo inflamatório. Ainda, a maior parte dos estudos avaliou como marcador inflamatório, a Interleucina-6 (IL-6), seguida de Fator de Necrose Tumoral-Alfa (TNF-α) e Proteína C Reativa (PCR). Com relação ao método de avaliação, foi observada pouca diferença entre o número de artigos que avaliou a PCR qualitativa e a PCR Ultra-sensível (PCR-US). Outro parâmetro avaliado foram Interleucina-8 (IL-8) e Interleucina-10 (IL-10) e por fim, demais marcadores, como o exemplo da Interleucina-23 (IL-23), leucócitos. (DE VITA et al., 2014) (LEE et al., 2015) CONCLUSÃO: Avaliando os resultados obtidos nestes estudos foi possível verificar que a vitamina D pode atuar como um modulador inflamatório, visto que seus níveis adequados tendem a minimizar a expressão de marcadores relacionados aos processos inflamatórios, inclusive, podendo estar sua deficiência associada ao aumento da manifestação de agravamento de processos inflamatórios. Nesse sentido, a avaliação da VitD como estratégia de saúde pode parecer interessante, contudo sugere-se maiores estudos para esclarecimento.
Publicado
2019-01-04
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido