RELATO DE EXPERIÊNCIA DO ESTÁGIO

  • Ana Paula Paz Centro Universitário da Serra Gaúcha - FSG
  • Tânia Rudnicki

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O presente resumo trata de um Relato de Experiência de coordenação de grupo, no Estágio de Ênfase em Saúde, realizado em Instituição cujo objetivo maior seria desenvolver potencialidades entre as mulheres, trabalhando questões relacionadas a violência sofrida, buscando prevenção e promoção de sua saúde. Em 2006 foi sancionada no Brasil, a Lei Maria da Penha, criando mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar (BRASIL, 2017). Entre suas disposições está a criação e promoção de centros de educação e de reabilitação para agressores. Mesmo após mais de uma década da implantação da Lei, o Brasil ainda aponta índices alarmantes de violência contra a mulher. A partir desta experiência sugeriu-se a criação de um grupo, voltado às mulheres, denominado Projeto MORA (Mulheres: Orientação, Reflexão e Atendimento). O objetivo seria proporcionar, em nível multidisciplinar, um espaço de reflexão sobre questões de violência de gênero, funções femininas, autoestima, autoconhecimento e resolução de conflitos. Buscar instrumentalizá-las a fim de buscar alternativas mais saudáveis de relacionamentos, além de orientar sobre questões jurídicas por parte da equipe do direito. MATERIAL E MÉTODO: O grupo foi baseado em técnicas e teorias psicoeducativa, buscando orientar frente à aspectos relativos ao conhecimento de suas potencialidades e necessidades, aquelas que até então não tiveram oportunidade de compreender e manejar. Ao exemplo da questão da violência, saúde, princípios de convivências, entre outros, totalizando 10 encontros com 60 minutos de duração. Optou-se por grupo fechado em função da menor adesão de mulheres vítimas, frente aos homens. Como critério de inclusão, inserir mulheres denunciantes, as quais os acusados não aderiram ao grupo HORA (Homens: Orientação, Reflexão e Atendimento), mesmo tendo sido intimados judicialmente. Para a primeira reunião foram intimadas 41 mulheres. RESULTADOS E DISCUSSÃO: O 1º encontro foi informativo, onde participaram 17 mulheres, sendo que cinco se retiraram antes do término da reunião e não preencheram o questionário biosociodemográfico. Foi explicado o funcionamento do Grupo e sanado dúvidas jurídicas. A coordenação foi da estagiária da Psicóloga Judiciária, sendo parceiro o assessor do Juiz Titular da Vara. A partir do 2º encontro a coordenação foi da estagiária de psicologia. No encontro seguinte, buscou-se conhecer as demandas de cada participante, porém, como compareceram apenas três mulheres, não foi possível aplicar as técnicas projetadas. Foi então, aberta possibilidade para as participantes relatarem suas histórias, se assim desejassem. No terceiro encontro, compareceram duas mulheres. Foram trabalhados tipos de violência através de dinâmica grupal. As participantes compartilharam suas experiências. No quarto encontro, com apenas uma participante, utilizou-se a dinâmica das máscaras. Ela escreveu na parte da frente da ‘máscara’ como as pessoas a enxergavam e na parte de traz como ela se vê, mas não demonstra, sendo então discutidas suas características. O projeto piloto foi encerrado em função da não adesão.  Este grave problema, arruína a integridade das mulheres, emblemado por termos como ‘violência doméstica, violência de gênero e violência contra a mulher’. Pode aparecer como física, psicológica, violência sexual, econômica e violência no trabalho. (GOMES; MINAYO; SILVA, 2005). O trabalho de grupo pretendeu acentuar o crescimento pessoal, desenvolver e aperfeiçoar a comunicação, relações interpessoais, pelo processo experiencial, porém, a não adesão, impossibilitou o trabalho de estabelecimento do vínculo de confiança, que inicia a construir-se pelo sentimento de calor humano e simpatia entre os membros do grupo. Assim, o indivíduo acaba por conhecer a si próprio e a cada um dos outros mais completamente do que lhe é possível nas relações habituais. Os grupos conduzem a uma maior independência pessoal, a menos sentimentos escondidos, maior interesse em inovar, talvez e encontre aqui as considerações acerca do não andamento do trabalho como esperado. CONCLUSÃO: Entende-se que muitas vezes a denunciante não deseja sair do seu papel de vítima e iniciar movimentos de mudanças desse ciclo, além de acreditar que a responsabilização pelo fato deva ser direcionada apenas ao acusado, não compreendendo o seu papel no ciclo de violência.

REFERÊNCIAS

BRASIL, (2017). Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres. Ministério dos Direitos Humanos. Balanço Anual, 2016. Recuperado de: http://www.spm.gov.br/.

GOMES, R.; MINAYO, M. C. S.; SILVA, C. F. R. (2005). Violência contra a mulher: uma questão transnacional e transcultural das relações de gênero. In Secretaria de Vigilância em Saúde, Impacto da violência na saúde dos brasileiros (pp. 117-140). Brasília, DF: Ministério da Saúde.    

Biografia do Autor

Ana Paula Paz, Centro Universitário da Serra Gaúcha - FSG
Estudante de Psicologia
Publicado
2019-01-04
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido