GANHO DE PESO GESTACIONAL: PREVALÊNCIA E FATORES ASSOCIADOS EM GESTANTES E RECÉM-NASCIDOS DE CAXIAS DO SUL/RS

  • Rafaela Santi Dell'Osbel Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG) http://orcid.org/0000-0003-4643-0973
  • Maria Luisa de Oliveira Gregoletto Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)
  • Cleber Cremonese Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O peso gestacional é um determinante para uma gravidez saudável. Nesse sentido, o ganho de peso gestacional (GPG) excessivo ou insuficiente é considerado fator de risco para a gestante e também para o feto (COUNCIL, 2009; DREHMER et al., 2013; MCWHORTER et al., 2018; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011; NUCCI et al., 2018; ORNAGHI et al., 2018). Assim, torna-se necessário uma avaliação nutricional correta, visando adequar o GPG, promovendo a saúde materno e infantil e estimulando o crescimento fetal adequado (FRANCISQUETI et al., 2012). Estudos mostram que o GPG está relacionado ao peso ao nascer do recém-nascido, o mesmo está relacionado com a mortalidade infantil, assim, é de extrema importância dar a atenção necessária ao estado nutricional materno e o ganho de peso durante a gestação, sendo uma fase determinante da saúde na vida adulta (HIROOKA-NAKAMA et al., 2018; KASHYAP et al., 2018; MCWHORTER et al., 2018; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011; NUCCI et al., 2018; ORNAGHI et al., 2018; PALIY et al., 2014). Diante disso, o presente estudo teve como objetivo medir o ganho de peso gestacional e identificar os fatores associados em gestantes e recém-nascidos atendidos na Atenção Básica de Saúde de Caxias do Sul/RS. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um estudo epidemiológico observacional longitudinal, com delineamento de coorte, constituído por gestantes e recém-nascidos usuários da Atenção Básica de Caxias do Sul/RS. Os dados foram coletados em três momentos distintos, sendo no primeiro e terceiro trimestre gestacional e no primeiro mês após o nascimento do bebê. O GPG foi mensurado através de dados coletados do prontuário da gestante, onde diminui-se o último registro de peso gestacional pelo peso pré-gestacional, obtendo-se assim o GPG. Desse modo, as gestantes que ganharam peso dentro das recomendações foram classificadas como GPG adequado, já as que ganharam abaixo e acima dos valores recomendados foram classificadas como GPG insuficiente e GPG excessivo, respectivamente (COUNCIL, 2009). Análises foram realizadas com o software SPSS e o projeto foi aprovado por um Comitê de Ética em Pesquisa, sob nº do parecer: 2.184.991. RESULTADOS E DISCUSSÕES: A amostra constituiu-se de 47 gestantes e recém-nascidos, destas 28,3% apresentaram GPG insuficiente, 34,8% GPG adequado e 37% GPG excessivo. Observa-se associação com a escolaridade, onde as gestantes com 11 anos ou mais de estudo apresentaram maior prevalência de GPG adequado e as com até 10 anos de estudo maior prevalência de GPG insuficiente (p=0,024). Em estudo realizado em 6 cidades brasileiras, observou-se que as gestantes com baixa escolaridade apresentaram maior GPG insuficiente e as gestantes com elevada escolaridade apresentaram maior GPG excessivo (DREHMER et al., 2013). Sugere-se que a escolaridade seja um fator determinante do GPG e acredita-se que a baixa escolaridade afete o acesso às informações. Em relação ao comprimento ao nascer, as gestantes com GPG insuficiente tiveram bebês menores (p=0,035). Na Itália, o GPG insuficiente em gestantes com IMC pré-gestacional normal foi associado ao feto pequeno para a idade gestacional no nascimento (ORNAGHI et al., 2018). Acredita-se que o GPG insuficiente possibilite o nascimento de recém-nascidos com menor comprimento ao nascer, aumentando os riscos para a saúde do bebê. A alimentação na primeira semana de vida também apresentou associação, onde as gestantes com GPG adequado e insuficiente apresentaram maior prevalência para o aleitamento misto, com fórmulas infantis ou outros, já as gestantes com GPG excessivo apresentaram maior prevalência de AME (p=0,037). Entretanto, sabe-se que o GPG insuficiente aumenta os riscos para o insucesso no início do aleitamento materno (WINKVIST et al., 2015). Além disso, sabe-se que as gestantes com sobrepeso e obesidade apresentam probabilidade aumentada de desmame precoce e que o aleitamento materno apresenta efeito protetor contra o excesso de peso tanto para a mãe, como para a criança (CASTILLO et al., 2016; MASTROENI et al., 2017) . Sugere-se que o GPG insuficiente aumente o risco para o insucesso do aleitamento materno na primeira semana pós-parto e o GPG excessivo possibilite o AME na primeira semana de vida, mas não se descarta a possibilidade de que esse dado seja influenciado pela falta de instrução sobre o aleitamento materno durante a gestação. CONCLUSÃO: As gestantes apresentam elevada prevalência de GPG excessivo. Identificou-se associação significativa entre o GPG insuficiente com a baixa escolaridade e ao menor comprimento ao nascer. Houve associação entre o GPG excessivo e elevada prevalência para AME na primeira semana de vida. Desta forma, percebe-se a necessidade de estratégias para adequar e orientar o GPG, assim como instruir hábitos de vida saudáveis e reforçar a necessidade do cuidado pré-natal para a saúde da gestante e do recém-nascido.

Biografia do Autor

Rafaela Santi Dell'Osbel, Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)

Acadêmica do curso de Nutrição do Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG).

Maria Luisa de Oliveira Gregoletto, Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)

Docente do Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG).

Cleber Cremonese, Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)

Docente do Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG).

Publicado
2019-01-03