AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA DE PRÉ-ESCOLARES EM UMA ESCOLA MUNICIPAL DE CAXIAS DO SUL – RS

  • Marriete Engler Gerolete FSG Centro Universitário
  • Júlia Mayumi Maciel Hada FSG Centro Universitário
  • Cristine Molinari Brum FSG Centro Universitário
  • Morgana Catafesta FSG Centro Universitário
  • Priscila Wentz FSG Centro Universitário
  • Ana Lúcia Hoefel

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A fase pré-escolar abrange crianças de três a sete anos de idade. Nesse período, as medidas de peso e estatura são extremamente importantes, pois podem refletir variáveis como condições nutricionais e influências do contexto no qual a criança está inserida. Assim sendo, o acompanhamento nutricional se torna essencial para caracterizar as condições de saúde da população infantil (DE SOUZA, 2015). O crescimento envolve aumento das dimensões corporais e número de células, e sofre influência de fatores genéticos, ambientais, psicológicos e da saúde da mãe na gestação. A herança genética é o fator mais previsível na determinação do crescimento e a partir dos dois anos de idade, recebendo as condições adequadas, a criança começará a crescer influenciada pelas características genéticas, até que atinja seu potencial. Durante essa fase, as medidas podem variar constantemente, por esse motivo é importante que haja um acompanhamento contínuo (VITOLO, 2008). Do primeiro ao terceiro ano de vida, várias modificações corporais podem ser observadas. As pernas alongam-se, a criança começa a perder a gordura característica do bebê e há desenvolvimento de massa muscular. A partir dos três anos de idade a criança começa a apresentar velocidade de crescimento constante até o início da puberdade. As duas medidas mais utilizadas são peso e estatura, a primeira expressa o volume corporal total e a segunda é a medida da altura. Ambas são utilizadas para determinar o IMC e são utilizadas nas curvas de crescimento segundo a OMS (VITOLO, 1999). Assim, o objetivo do presente estudo foi analisar dados antropométricos e características de turma de pré-escolares de uma escola do município de Caxias do Sul – RS.  MATERIAL E MÉTODOS: Para a avaliação antropométrica, foram aferidos valores de massa corporal e altura dos alunos da turma do Jardim 2, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Luiz Antunes, bairro Jardim América, em Caxias do Sul, RS. Para isso, foram utilizados como instrumentos de medidas: balança digital e fita métrica com escala milimétrica adesiva à parede. A leitura da medida foi feita atentamente após a criança deixar a posição e registrada imediatamente na ficha de levantamento de dados. A avaliação do estado nutricional foi feita com base nos valores em score-z e curva de crescimento gerados pelo programa Anthro Plus da OMS. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Foram avaliados 18 pré-escolares, sendo que 61% (n=11) eram do sexo feminino e 39% (n=7) eram do sexo masculino. A média de idade (anos) das crianças foi de 5,81 para as meninas e de 5,28 para os meninos, considerando a faixa etária em estudo da amostra. Com relação aos dados antropométricos, verificou-se média de 17,73 kg/m² do IMC para as meninas e 18,71 kg/m² para os meninos.  A classificação do IMC/I para as crianças do sexo feminino (n=11) apresentou 45% IMC adequado e 55% IMC inadequado, já para as crianças do sexo masculino (n=7), 100% da amostra apresentou inadequação do IMC. Nenhuma criança apresentou estado de magreza ou magreza acentuada, sendo todos os resultados de inadequação do IMC considerados para sobrepeso, obesidade e obesidade grave. Após análise dos dados antropométricos no Anthro Plus, observou-se que a turma está acima da curva padrão da OMS. Esse resultado reforça os aspectos da transição nutricional no Brasil, colaborando para o desenvolvimento de sobrepeso e obesidade nas crianças. CONCLUSÃO: Constatou-se variação do sexo feminino e masculino com relação a adequação do IMC para idade. Os meninos alcançaram 100% de inadequação do IMC enquanto as meninas obtiveram proporção de 45% de adequação para 55% de inadequação. A avaliação do conjunto da turma apresentou-se acima da curva padrão da OMS. Nenhuma criança apresentou baixo peso, sendo todos os resultados de inadequação do IMC relacionados a sobrepeso e obesidade. É importante considerar que a amostra estudada consiste de crianças que frequentam uma escola pública municipal, não estando incluídas crianças de melhor nível socioeconômico. O padrão da OMS consiste de uma média obtida observando estudos populacionais, incluindo dados da população infantil brasileira. Dessa forma, os desvios observados obtêm correlação com os aspectos de transição nutricional pelo qual o Brasil passa, marcado pelo o aumento da obesidade e sobrepeso infantil.
 

REFERÊNCIAS

 

Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. Avaliação Nutricional da Criança e do Adolescente: Manual de Orientação. Rio de Janeiro, 2009.

 

DE SOUZA, Eduardo Janir. Avaliação do estado nutricional de crianças pré-escolares em escola pública no município de Herval d’Oeste, SC, no ano de 2014. Unoesc & Ciência - ACBS Joaçaba, v. 6, n. 2, p. 163-170, jul./dez. 2015.

 

FERNANDES, Isidoro Tadeu et al. Avaliação antropométrica de pré-escolares do município de Mogi-Guaçú, São Paulo: subsídio para políticas públicas de saúde. Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 6 (2): 217-222, abr. / jun., 2006.,

 

VITOLO, Marcia Regina e CTENAS, Maria Luiza de Brito. Crescendo com saúde. C2 Editora e Consultoria em Nutrição. Cap. 44. São Paulo, 1999.

 

VITOLO, Marcia Regina. Nutrição: da gestação ao envelhecimento. Ed. Rubio. Cap. 20. Rio de Janeiro, 2008.

Publicado
2020-02-20