PREVALÊNCIA DE CAQUEXIA E FATORES ASSOCIADOS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS EM TRATAMENTO QUIMIOTERÁPICO DE UM HOSPITAL DE CAXIAS DO SUL – RS

  • Camila Pacheco dos Reis FSG Centro Universitário
  • Fernanda Trein FSG Centro Universitário
  • Joana Zanotti FSG

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer é a segunda maior causa de mortalidade em todo mundo, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares (WHO, 1998). Entre as inúmeras complicações que o câncer traz à vida do paciente, a desnutrição é uma delas, promovendo alterações morfológicas e funcionais que agravam o estado já debilitado do paciente. A perda de peso e a desnutrição acabam sendo os distúrbios nutricionais mais frequentemente observados, acometendo 40,0% a 80,0% dos casos (RAVASCO, 2005). Queixas como, inapetência e desinteresse pelos alimentos são frequentes em pacientes oncológicos, o que acaba ocasionando baixa ingestão alimentar, que por sua vez, acarreta em perda ponderal, depleção do tecido magro e adiposo, o que consequentemente, pode evoluir para caquexia (CORREA, 2007). A principal diferença entre desnutrição e caquexia do câncer é a que na desnutrição há uma preferência por mobilização de gordura poupando o músculo esquelético, já na caquexia há mobilização de tecido muscular (BODY, 1999). Um diagnóstico de pré-caquexia se dá quando há uma perda de peso involuntária igual ou menor que 5% em relação ao peso habitual. Já para caquexia, os critérios de diagnóstico incluem perda de peso maior que 5% no período de 6 meses, Índice de Massa Corporal (IMC) menor que 20kg/m2, associado a uma perda de peso de >2%, aliada a diminuição de ingesta ou presença de sarcopenia, também associada a uma perda de peso >2% (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CUIDADOS PALIATIVOS, 2011). Neste contexto, o presente estudo tem por objetivo, analisar a prevalência de síndrome caquexia e fatores associados em pacientes oncológicos de um ambulatório de Caxias do Sul - RS.  MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um estudo epidemiológico observacional, com delineamento transversal, no qual foram avaliados o Índice de Massa Corporal (IMC) e Percentual de Perda de peso em 6 meses (%PP). Para o diagnóstico da caquexia considerou-se os seguintes dados:  perda de peso > 5% nos últimos 6 meses ou de 2% com um IMC <20,0kg/m2. Foram selecionados pacientes de ambos os sexos e idade >19 anos, em tratamento quimioterápico vigente, presentes no ambulatório nos dias das coletas. O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa de ambas as instituições envolvidas (2.726.138; 2.571.056). Os pacientes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, previamente a coleta de dados. RESULTADOS E DISCUSSÕES:  A amostra foi composta por 413 indivíduos, destes, 37,7% (n=156) foram diagnosticados com caquexia. A caquexia neoplásica, é um estado grave e normalmente irreversível, sendo inversamente relacionado com o tempo de sobrevida e prognóstico (CORONHA, 2011). Apesar de a caquexia em pacientes oncológicos ser causa direta da mortalidade em até 40% dos pacientes, dificilmente é diagnosticada, sendo assim, infrequentemente tratada, observando-se que apenas 2,4% dos pacientes recebem o diagnóstico de caquexia e apenas 6,4% dos pacientes caquéticos é tratado de forma correta (FOX, 2009).  No presente estudo, entre os caquéticos, 55,7% (n=87) eram do sexo masculino e 53,8 (n=84) idosos, com prevalência no diagnóstico de doença onco-hematológica (24,3%), mama (10,8%), próstata (10,8%) e colorretal (10,2%). Caquexia é uma condição mais frequente em tumores sólidos como gástricos, de pulmão, cólon e reto, sendo os cânceres do trato digestório frequentemente associados a caquexia, exatamente por agredirem diretamente os órgãos responsáveis pela ingestão, absorção e utilização de nutrientes, prejudicando assim a nutrição do paciente (WAITZBERG, 2006). Os sintomas mais relatados pelos pacientes foram náuseas, em 39,7% (n=62) e xerostomia, em 38,4% (n=60), sendo diarreia o sintoma menos prevalente, acometendo apenas 1 paciente (0,6%), dados que corroboram com um estudo realizado com pacientes oncológicos do Centro de Oncologia no município de Estrela/RS onde Azevedo (2011), encontrou 90% dos pacientes relatando náuseas como principal desconforto. Ainda, estudos de Bovio et al., (2009) e Trabal et al., (2006), encontraram prevalência de 73% e 56%, de xerostomia, respectivamente. No presente estudo, apesar da maioria dos pacientes caquéticos não relatarem alterações de ingestão alimentar, 34,6% (n=54) relataram estar se alimentando em menor quantidade do que o habitual. Na Espanha, Segura et al., (2005) realizou um estudo com 791 pacientes neoplásicos, destes, 56% dos pacientes relataram diminuição na ingestão alimentar. CONCLUSÃO: O presente estudo demonstrou alta prevalência de caquexia, associada com náuseas, xerostomia e baixo consumo alimentar. Evidencia-se que a caquexia ocorrente em pacientes neoplásicos pode ser relacionada de forma negativa com o tempo de sobrevida sendo um preditor de mau prognóstico da doença.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG
Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas
Publicado
2020-02-19
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido