PREVALÊNCIA DE EXCESSO DE PESO EM PACIENTES COM CÂNCER DE MAMA EM TRATAMENTO QUIMIOTERÁPICO AMBULATORIAL DE CAXIAS DO SUL-RS

  • Bruna da Silva Costa FSG Centro Universitário
  • Caroline Borges FSG Centro Universitário
  • Roberta Francescatto FSG Centro Universitário
  • Joana Zanotti FSG

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O câncer ocorre quando uma célula saudável do corpo perde controle e passa a se proliferar de forma desenfreada. (MALZYNER, CAPONERO, 2013). O câncer de mama é o tipo de neoplasia mais prevalente entre as mulheres no Brasil e no mundo, correspondendo a cerca de 29% dos novos casos a cada ano (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018). Os principais fatores de risco associados são a idade, estilo de vida e fatores genéticos. O risco aumentado relaciona-se com a menarca precoce, menopausa tardia, primeira gravidez após os 30 anos, reposição hormonal, pós-menopausa e outros fatores como a ingestão diária de álcool, obesidade, principalmente quando aumento de peso após menopausa e sedentarismo. O câncer de mama hereditário apenas corresponde de 5 a 10% do total dos casos (SCHEIBLER, 2016).  Em 2017, uma revisão sistemática de 204 estudos sobre obesidade e câncer revelou que a condição aumenta significativamente o risco para alguns tipos de câncer, entre eles o de mama (CONSOLARO, 2017). Durante tratamento do câncer de mama, fatores como hormonioterapia, quimioterapia e radioterapia, somando comportamento sedentário e indisposição, fazem com que o paciente ganhe peso adicional (FIGUEIREDO, 2016). Estudos demonstram que pacientes com câncer de mama, em tratamento quimioterápico cursam com aumento de peso, o qual pode ser explicado pela diminuição dos níveis de atividade física, aumento da ingestão alimentar e também utilização de medicamentos como corticoides, por exemplo (KIRJNER, 2007). De acordo com o exposto, o objetivo do presente estudo é investigar a prevalência de excesso de peso em pacientes de câncer de mama em tratamento quimioterápico ambulatorial.  MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um estudo epidemiológico observacional, com delineamento transversal, no qual foram avaliados pacientes do Índice de Massa Corporal (IMC) de pacientes com diagnóstico de câncer de mama, em tratamento quimioterápico vigente, presentes no ambulatório nos dias das coletas. O peso e a estatura para a avaliação do IMC dos indivíduos foram referidos e classificados de acordo com os padrões do Ministério da Saúde para IMC adulto e IMC idoso. O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa de ambas as instituições envolvidas (2.726.138; 2.571.056). Os pacientes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, previamente a coleta de dados. RESULTADOS E DISCUSSÕES:  A amostra foi composta por 74 pacientes, todas do sexo feminina, sendo 44 adultas (idade entre 19 e 59 anos) e 30 idosas (idade >60 anos). A média de peso encontrada foi 70,5kg e a média de IMC foi 26,6kg/m2. Em relação à avaliação antropométrica, quanto ao diagnóstico realizado pela classificação do IMC, 31(41,8%) das pacientes foram classificadas como eutróficas, 25 (33,8%) sobrepeso e 18 (24,4%) como obesas. Além do IMC, estudos apontam que a circunferência da cintura é também um parâmetro para analisar a gordura abdominal como risco para desenvolvimento do câncer de mama, demonstrando que valores acima de 88cm oferecem risco elevado para a doença (FERREIRA, 2016). Ainda, a literatura reforça que a adiposidade corporal está fortemente relacionada a um estado de inflamação crônica sistêmica, criando com isso, um ambiente propicio para o desenvolvimento de neoplasias (GRAPIUNA, 2017). Dados científicos indicam que ter obesidade anteriormente ao diagnóstico de câncer de mama favorece o aceleramento da ocorrência da doença, além de reduzir a taxa de sobrevida para menos de 10 anos (PAPA, 2013). Além disso, outros estudos demonstram que a obesidade é um fator crucial para ocorrer metástases do câncer de mama e até mesmo aumentar a taxa de mortalidade, quando comparado a mulheres não obesas (FELDEN, 2011). CONCLUSÃO: Em conclusão, observou-se uma alta prevalência de excesso de peso em detrimento das eutróficas. Estes resultados apontam para a importância da avaliação nutricional e acompanhamento clínico destas pacientes, com objetivo de evitar complicações, principalmente as relacionadas com doenças cardiovasculares.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG
Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas
Publicado
2020-02-19
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido