ESTADO NUTRICIONAL DE PACIENTES ONCOLÓGICOS ATENDIDOS EM UM HOSPITAL PÚBLICO E PRIVADO EM CAXIAS DO SUL – RS

  • Bruna Morandi FSG Centro Universitário
  • Gabriela Argenta Isoton FSG Centro Universitário
  • Marina Della Giustina FSG Centro Universitário
  • Joana Zanotti FSG

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: No Brasil, para o biênio 2018-2019, estima-se uma incidência de aproximadamente 600 mil casos de câncer (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018). Os cânceres podem desencadear efeitos colaterais do tratamento quimioterápico e radioterápico causando alterações metabólicas e modificações na ingestão alimentar, comprometendo o aporte nutricional, e consequentemente promovendo a desnutrição e a caquexia. A avaliação antropométrica, bem como a triagem nutricional, constitui os principais parâmetros para avaliação nutricional deste paciente, uma vez que possibilitam a identificação o risco nutricional do mesmo (MACHRY et al., 2011). A detecção precoce dos pacientes em risco nutricional oportuniza intervenções apropriadas para cada paciente. Cabe ressaltar que a combinação de métodos de avaliação nutricional faz-se necessária para a terapêutica clínica e dietética, devendo abranger os indicadores: redução de peso, diminuição do consumo alimentar, sintomas com impacto nutricional, perda de massas adiposa subcutânea e muscular e capacidade funcional. Parâmetros isolados de risco nutricional, tais como: percentual de perda de peso, localização da doença, sintomas do trato gastrointestinal, percentual da ingestão alimentar, também são úteis durante a assistência nutricional ao paciente oncológico (GOMES, et al., 2015). Dentro disso, o objetivo deste trabalho é avaliar o estado nutricional de pacientes oncológicos atendidos dentro de um hospital público e privado, situado na cidade de Caxias do Sul – RS. MATERIAL E MÉTODOS: O estudo avaliou o estado nutricional de pacientes oncológicos internados, por meio da classificação da Avaliação Subjetiva Global (ASG), Índice de Massa Corporal (IMC) e do percentual de perda de peso (%PP) em 6 meses. A ASG, contempla questões sobre o percentual de perda de peso nos últimos 6 meses, modificação da quantidade de alimentos ingeridos, sintomatologia gastrointestinal, presença de perda de gordura subcutânea e de edema, e alterações funcionais. Ao final desta avaliação o paciente é classificado como: bem-nutrido; desnutrido leve, desnutrido moderado ou desnutrido grave. O peso e a estatura para a avaliação do IMC dos indivíduos foram obtidos com base nas respostas da ASG e classificados de acordo com os padrões do Ministério da Saúde para IMC adulto e IMC idoso. Os valores de percentual de perda de peso foram coletados da ASG e os dados sobre o diagnóstico oncológico, obtidos por meio do prontuário do paciente. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Do total de 92 indivíduos avaliados observou-se que 63% (n=58) da população eram do sexo masculino, com idade média de 60,12 anos. Estes pacientes foram avaliados antropometricamente e classificados de acordo com ASG, sendo então enquadrados como: bem nutrido (n=47), desnutrido leve (n=32), desnutrido moderado (n=9) e desnutrido grave (n=4). Em contrapartida, estes mesmos indivíduos foram classificados de acordo com IMC, um método menos especifico para este perfil de paciente. Independentemente, a classificação observada, de acordo com IMC foi: desnutrição (n=19), eutrofia (n=39), sobrepeso (n=15) e obesidade (n=19). A média de peso encontrada foi de 70 kg, assim como o IMC médio foi 24,54 kg/m². Sabe-se que em determinadas patologias, a perda de peso dos pacientes é mais acentuada, como é o caso de neoplasias do trato gastrointestinal (TGI), que envolveram 55 pacientes do estudo, dos quais apresentaram média de %PP de 9,71% em um período de 6 meses da doença. Outras neoplasias que influenciam diretamente a PP são as de cabeça e pescoço, nestas o percentual médio foi de 11,23% de PP, observados em 8 indivíduos. Em outros casos, também foi possível observar diminuição de peso, como no caso das neoplasias do trato geniturinário (TGU), os quais observaram-se perdas de 4,77% de PP em 5 indivíduos. No caso de leucemias, a média observada foi similar à do TGI, com 9,99% de PP em 6 indivíduos analisados. Nos casos de linfomas e sarcomas, a PP média foi de 11,37% em 11 pacientes. Nas demais neoplasias os resultados médios de PP, nos 7 pacientes estudados, foram de 5,67%. CONCLUSÃO: Observou-se com este estudo que embora a minoria dos indivíduos avaliados fossem desnutridos, todos apresentaram algum grau de perda de peso no momento da internação hospitalar.   Desta forma, torna-se imprescindível uma avaliação nutricional criteriosa, bem como o acompanhamento nutricional em todas as fases do tratamento, a fim de preservar o quadro clínico nutricional, reduzir os efeitos adversos do tratamento e, diminuir os riscos de desnutrição, melhorando a adesão ao tratamento e o prognóstico do paciente.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG
Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas
Publicado
2020-02-20