UTILIZAÇÃO DE PLANTAS MEDICINAIS EM IDOSOS DA CIDADE DE CAXIAS DO SUL – RS

  • Láiza Maria Savi Mundo Tomazzoni FSG Centro Universitário
  • Caroline Calloni FSG Centro Universitário
  • Júlia Mayumi Maciel Hada Centro Universitário da Serra Gaúcha

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A população idosa tem aumentado significativamente em todo o mundo (DÁTILO; CORDEIRO, 2015), com isso, amplia-se a incidência de doenças (MACHADO et. al., 2014). As plantas medicinais são vastamente utilizadas pela população idosa (MACHADO et. al., 2014), visto que, auxiliam na prevenção e no tratamento de diversas doenças (BALBINOT; VELASQUEZ; DÜSMAN, 2013). Entretanto, intoxicações causadas pela utilização de plantas medicinais são frequentes, sendo ocasionadas por fatores como interações medicamentosas, reações adversas, posologia, tempo de tratamento e escassez de informações (CARNEIRO; COMARELLA, 2016), sendo assim, as plantas devem ser utilizadas com precaução, observando seus riscos (BALBINOT; VELASQUEZ; DÜSMAN, 2013). Neste contexto, é fundamental que os profissionais da saúde disponham destes conhecimentos (BRUNING; MOSEGUI; VIANA, 2016). Desta forma, o presente estudo teve como objetivo avaliar a utilização de plantas medicinais em idosos da cidade de Caxias do Sul–RS. MATERIAL E MÉTODOS: realizou-se um estudo epidemiológico descritivo, com delineamento transversal, com coleta de dados primários que avaliou a utilização de plantas medicinais em idosos de ambos os sexos, frequentadores de um grupo de convivência da cidade de Caxias do Sul – RS. A coleta de dados foi realizada através de um questionário elaborado pelas pesquisadoras baseado em estudos prévios (SZERWIESKI et. al., 2017; SILVA et. al., 2015; PEREIRA, 2013). A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Centro Universitário da Serra Gaúcha (parecer nº: 3.136.234). RESULTADOS E DISCUSSÕES: Foram entrevistados 42 idosos com idade média de 75,67 ± 6,79 anos, sendo 73,8% (n=31) do sexo feminino, o que corrobora com outros estudos (FLOR; BARBOSA, 2015 e PEREIRA, 2013). A maior parte dos idosos informou ser aposentados (n=36 - 85,7%), sendo que a maioria (61,9% - n=26) referiu possuir renda de até R$1.244,00, dados que corroboram com outra pesquisa (PEREIRA et. al., 2016). Já em outro estudo (VENTURA, 2012), a maioria dos entrevistados referiu receber de 2 a 3 salários mínimos. Observou-se também que a grande parte dos idosos (81% - n=34) não concluiu o ensino fundamental, assim como na pesquisa de Ângelo & Ribeiro (2014). Já para Ventura (2012), 31% dos idosos entrevistados relataram possuir o ensino médio completo. A maioria dos idosos (95,2% - n=40) relatou possuir alguma doença, sendo as mais citadas hipertensão arterial sistêmica (64,3% - n=27), patologias de coluna (28,6% - n=12) e diabetes mellitus tipo II (26,2% - n=11). Em diferentes pesquisas (MACHADO et. al. 2014 e ANGÊLO; RIBEIRO, 2014), a maior parte dos idosos também relatou possuir doenças, com prevalência de hipertensão arterial sistêmica. Quanto a frequência do uso de plantas medicinais, 38,1% (n=16) dos idosos relataram utilizar de 1 a 2 vezes por semana. No estudo de Ângelo & Ribeiro (2014), a maior parte dos idosos referiu fazer uso apenas quando estão doentes. Já em outro estudo (BALBINOT et. al., 2013), 71,5% dos idosos relataram fazer uso diariamente. Referente ao motivo da utilização, 47,6% (n=20) referiram que utilizam as plantas como remédio por não fazerem mal. No estudo de Szerwieski et. al. (2017), 69,78% dos idosos usam as plantas para curar enfermidades, e em outro estudo (SILVA et. al., 2015), a maioria dos entrevistados relataram que por serem naturais, as plantas não causam danos à saúde. Ainda, 88,1% (n=37) referiram sentir melhora da saúde quando utilizam plantas medicinais. Em relação à aquisição das plantas, 52,4% (n=22) dos participantes relataram obter no quintal de casa, o qual corrobora com outras pesquisas (SZERWIESKI et. al. 2017 e FRIGOTTO; PORTELLA, 2012). A forma de preparo mais citada pelos participantes foi através do método de infusão (n=31 -73,8%) dado que corrobora com diferentes estudos (SZERWIESKI et. al., 2017; JUNIOR et. al., 2012). A influência dos familiares foi a mais citada para a utilização das plantas medicinais, resultado semelhante a outros estudos (SILVA et. al., 2015; FERNANDES; KRUPEK, 2014). Quanto à obtenção de informações com profissionais da área da saúde, 81% (n=34) dos idosos referiram não buscar informação, assim como dados presentes em outras pesquisas (JUNIOR et. al., 2012; SILVA et. al., 2015). Em relação às plantas medicinais mais utilizadas, as mais citadas foram camomila, marcela, funcho, erva-cidreira e guaco, que coincide com outros estudos (SILVA, et. al., 2015; PACHÊCO et. al., 2013). CONCLUSÃO: De acordo com o presente estudo, as plantas medicinais estão fortemente presentes no cotidiano da população idosa, destacando-se o público feminino. Observou-se que a maior parte dos idosos faz o uso de plantas medicinais sob a forte influência de familiares, enfatizando a cultura popular que prevalece nesta faixa etária. Além disso, a maioria dos entrevistados afirmou não buscar informações com profissionais da saúde, o que mostra que a utilização destas plantas está sendo feita sem nenhum tipo de orientação. Contudo, sugere-se que novos estudos sejam realizados, a fim de avaliar riscos que as plantas podem trazer para a saúde.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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Publicado
2020-02-19
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido