USO DE PSICOTRÓPICOS ENTRE IDOSOS E O PAPEL DO ENFERMEIRO NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA

  • Thainá Giachelin
  • Roberta Soldatelli Pagno Paim UCS

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Psicofármacos são substâncias químicas que atuam diretamente sobre o Sistema Nervoso Central, alterando o estado mental e constituindo um importante recurso terapêutico no tratamento dos transtornos comportamentais, cognitivos e de humor. Nos últimos anos, observou-se um aumento significativo no consumo de psicotrópicos pelos idosos, sendo que em muitos dos casos, o uso é inadequado (ABI-ACKEL et al., 2017; NOIA et al., 2012; PRADO; FRANCISCO; BARROS, 2017). Como estratégia para minimizar o uso indevido dos psicofármacos, Silva (2014) sugere que a educação continuada dos pacientes e suas famílias aliada à abordagem multidisciplinar e voltada à prevenção dos fatores de risco contribua para a reflexão acerca do uso desses medicamentos. A respeito disso, o enfermeiro que atua na Estratégia de Saúde da Família (ESF), torna-se um forte aliado, em virtude da sua proximidade com as famílias e a comunidade. Objetivou-se identificar o consumo e os fatores associados ao uso de psicotrópicos entre idosos de uma ESF de um município do interior do Rio Grande do Sul (RS) e discutir o papel do enfermeiro quanto à orientação de uso de psicotrópicos entre idosos. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um estudo transversal, descritivo e de abordagem quantitativa, realizado com 71 idosos (acima de 60 anos) cadastrados em uma ESF de um município do interior do RS. Os dados foram coletados por meio de um formulário e analisados por meio de estatística descritiva. A pesquisa ocorreu em conformidade com as Diretrizes e Normas Regulamentadas de Pesquisa envolvendo Seres Humanos, do Conselho Nacional de Saúde, dispostas na Resolução nº 466/2012 (BRASIL, 2012), mediante o parecer de aprovação CAAE 94352618.8.0000.5668, pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Centro Universitário da Serra Gaúcha. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Dos 71 idosos entrevistados, 40 (56,3%) eram do sexo feminino e 31 (43,7%) do sexo masculino. Entre os participantes, 42 (59,2%) não utilizam medicamentos psicotrópicos, enquanto 29 (40,8%) fazem uso de algum medicamento desta classe. A utilização de psicotrópicos foi feita majoritariamente por mulheres, atingindo 69% da amostra, ou seja, 20 idosas. Esse resultado é encontrado na grande maioria dos estudos publicados sobre o tema em questão. Os antidepressivos e os benzodiazepínicos foram os psicofármacos predominantemente utilizados pela população deste estudo, sendo representados pela sertralina e o clonazepam, respectivamente, ambos com uma prevalência de 48,3%, sendo utilizados por 14 dos 29 idosos. Em seguida, a amitriptilina atingiu uma prevalência de 17,2%, ou seja, cinco idosos faziam uso deste medicamento. A fluoxetina, nortriptilina e diazepam, foram utilizados por dois idosos cada, todos com prevalência de 6,9%. Entre os motivos que levaram os idosos a utilizar psicotrópicos, a insônia foi citada por 21 dos entrevistados, a depressão por 19, enquanto a ansiedade mostrou-se presente em apenas quatro idosos. Ainda, a epilepsia e o estresse foram citados por um e dois idosos, respectivamente. Vale lembrar que nesta variável, os idosos citaram mais de um motivo para utilização de psicotrópicos. A problemática do uso de psicotrópicos entre idosos está se tornando cada vez mais preocupante. A respeito disso, por estarem muito próximas das famílias, as equipes multi e interdisciplinar da ESF podem contribuir com a promoção do uso correto e racional destes medicamentos. Nessa perspectiva, o enfermeiro tem exercido um papel peculiar nas ações de educação em saúde, principalmente no que tange à orientação da farmacoterapia, uma vez que a gravidade advinda do uso inadequado de psicotrópicos é elevada (TELLES FILHO et al., 2011). Um processo educativo dos consumidores de medicamentos, que disponibilize informações suficientes e atualizadas por meio dos profissionais da saúde, sobre os psicofármacos e seus efeitos adversos, seria uma estratégia significativa para reduzir a prevalência do uso, muitas vezes inadequado, de psicotrópicos. A melhoria do acesso aos serviços de saúde especialmente nos casos em que é importante a abordagem multidisciplinar; a adoção de critérios cuidadosos na prescrição e dispensação de medicamentos e um maior incentivo à adoção de métodos terapêuticos não medicamentosos, mostram-se estratégias eficazes na conscientização do uso racional de psicotrópicos (MOURA et al., 2016; SILVA, 2014). CONCLUSÃO: Apesar do enfermeiro não ser o prescritor, o profissional tem potencial ação para mudar a realidade que se apresenta, contribuindo para a saúde do usuário, para o sistema único de saúde, para as mudanças de práticas em enfermagem e para o fortalecimento de ações na área de atenção psicossocial. Nesse contexto, os profissionais da saúde, incluindo o enfermeiro, desempenham papel fundamental na orientação do usuário de psicotrópicos, visando uma terapia medicamentosa segura e efetiva.

 

Publicado
2020-02-19
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido