AUTOMEDICAÇÃO EM ACADÊMICOS DE ENFERMAGEM

UMA REVISÃO DE LITERATURA

  • Lilian de Moraes Alessandrini
  • Roberta Soldatelli Pagno Paim UCS

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A automedicação, prática de consumir medicamentos sem prescrição médica ou acompanhamento de um profissional da saúde qualificado, muitas vezes é vista como uma solução para o alívio imediato de alguns sintomas e pode trazer consequências mais sérias. O uso de medicação de forma incorreta pode acarretar o agravamento de uma doença, uma vez que sua utilização inadequada pode mascarar determinados sintomas. Se o medicamento for antibiótico, a atenção deve ser sempre redobrada, pois o uso excessivo destes produtos pode facilitar o aumento da resistência de microrganismos, o que compromete a eficácia dos tratamentos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2012). Estudos indicam que o grau de instrução influencia a prática da automedicação, estando esta atividade intimamente relacionada a acadêmicos da área da saúde. Sabe-se que os universitários tendem a se automedicar pela autoconfiança, baseada na ideia de que eles são detentores de informações e conhecimentos privilegiados em relação ao restante da população, em experiências anteriores bem-sucedidas e na crença de que os conhecimentos adquiridos durante a formação sustentam a seleção correta do medicamento para determinado quadro clínico (AQUINO, BARROS, SILVA, 2010; PILGER et al, 2016.; GALATO, MADALENA, PEREIRA, 2012). Importante considerar que a automedicação em acadêmicos de enfermagem pode influenciar, indiretamente, práticas futuras relativas à administração de medicamentos e afetar a segurança do paciente. Enfermeiros desempenham papel fundamental no uso seguro dos medicamentos, especialmente quanto à educação acerca dos riscos (GAMA, SECOLI, 2017). Os objetivos deste trabalho são avaliar os fatores associados à automedicação em acadêmicos de Enfermagem e identificar quais medicamentos são os mais utilizados. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de uma revisão bibliográfica. A busca das informações foi realizada nas bases de dados LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e SCIELO (Scientific Eletronic Library Online), e em sites, utilizando-se como critérios de inclusão estar relacionado com o tema da pesquisa e seus objetivos; ser publicado durante o período de 2008 a 2019 e escrito em língua portuguesa. RESULTADOS E DISCUSSÕES: A utilização de medicamentos é realizada após a indicação de um profissional de saúde qualificado. Porém, tal qualificação profissional pode ser questionada, uma vez que dados da literatura mostram que acadêmicos da área da saúde possuem o hábito de se automedicar. Os percentuais para essa prática podem variar entre as diferentes áreas de formação (SILVA et al, 2011). Em estudo realizado com estudantes de Enfermagem do Estado do Amazonas mostrou uma prevalência de 76% da prática da automedicação. Diante dos problemas de saúde que levaram à automedicação, 50,0% dos estudantes relatara ser por dor, que incluíam dores de cabeça, dores abdominais e cólicas menstruais, também infecções de garganta e urinária (14,8%) e resfriados (6,8%). Os principais motivos para a automedicação foram a percepção de que o problema de saúde não requeria visita ao médico (46,6%), falta de tempo para consultar (28,4%) e dificuldades de acesso aos serviços de saúde (25,0%). Foram relatados 84 medicamentos utilizados, dentre eles os mais consumidos foram paracetamol e dipirona (48,8%), entre os antimicrobianos, aparecem cefalexina (55,6%), amoxicilina (22,2%), ampicilina (11,1%) e azitromicina (11,1%) (GAMA, SECOLI, 2017). Na pesquisa de Silva, Goulart e Lazarini (2014), os resultados mostraram que, no primeiro semestre 86,5% dos estudantes de Enfermagem praticaram a automedicação e no quarto semestre esse valor correspondeu a 100%. Os analgésicos foram os medicamentos mais citados, além, de antitérmicos, anti-inflamatórios, antialérgicos e antibióticos. Na consulta de enfermagem, o profissional indaga sobre a possível automedicação, avalia o conhecimento e a compreensão do regime terapêutico que tem prescrito, identifica o risco de incumprimento por diferentes causas e põe em marcha os cuidados necessários para que este problema não se prolongue. Por isso, a farmacologia é sem dúvida uma área de conhecimento que os enfermeiros devem incorporar e adaptar às necessidades da sociedade (PEIXOTO, 2008). CONCLUSÃO: A automedicação entre os acadêmicos de Enfermagem é alta, sendo a dor o principal fator para o consumo. Visto isso, a prática do enfermeiro em dar orientações e ensinamentos é de grande relevância, pois muitos pacientes não buscam por informação e continuam praticando a automedicação, podendo assim agravar e mascarar seus sintomas. Por isso, é importante a criação de estratégias de conscientização e incentivo ao uso racional de medicamentos, visto que a automedicação é um problema de saúde pública.

 

Publicado
2020-02-17
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido