FATORES ASSOCIADOS AO CONSUMO DE ALIMENTOS NÃO SAUDÁVEIS EM GESTANTES DE UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE EM CAXIAS DO SUL - RS

  • Gisele Daiane Mazzochi FSG Centro Universitário
  • Júlia Mayumi Maciel Hada Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Caroline Gomes de Farias FSG Centro Universitário
  • Rafaela Santi Dell'Osbel UFRGS
  • Cleber Cremonese
  • Maria Luísa de Oliveira Gregoletto FSG Centro Universitário

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Nas últimas décadas, houve um processo de transição nutricional no Brasil, onde os padrões alimentares tradicionais foram sendo substituídos pelo consumo principal de alimentos processados e ultra processados (MARINHO et al., 2007). Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2008-2009, houve um aumento significativo na preferência de produtos ultraprocessados e uma diminuição na compra de alimentos in natura (IBGE, 2010). A gestação é um período onde as necessidades nutricionais são aumentadas, portanto a adesão à uma alimentação saudável é um fator condicionante para a saúde da mãe e do feto. A qualidade da alimentação e o estado nutricional da mulher, antes e durante a gravidez, afetam o crescimento, desenvolvimento e a evolução da gestação (TEIXEIRA & CABRAL, 2016). Os hábitos alimentares inadequados podem estar associados com o surgimento de complicações maternas como a diabetes gestacional, síndrome hipertensiva na gravidez, complicações no parto, retenção ponderal materna no pós-parto, aumento nas taxas de morbidade e mortalidade materna (ASSUNÇÃO et al., 2007). Dessa forma, o estudo teve como objetivo identificar a prevalência e fatores associados aos marcadores de alimentação não saudável, em gestantes do terceiro trimestre atendidas na Atenção Básica de Saúde em Caxias do Sul/ RS. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um recorte transversal de um estudo epidemiológico longitudinal, constituído por gestantes usuárias da Atenção Básica de Caxias do Sul/RS. O projeto foi aprovado pelo CEP/FSG sob parecer consubstanciado nº 2.184.991. A amostra foi composta por gestantes de terceiro trimestre, inscritas no SIS-PRÉ-NATAL de 16 Unidades Básicas de Saúde (UBS) . Para a avaliação do consumo alimentar utilizou-se questionário de frequência de consumo alimentar, sendo incluídos os seguintes marcadores de uma alimentação não saudável: consumo de fast food, cucas, doces, industrializados e bebidas açucaradas. Foram realizadas análises bivariadas para investigar a associação entre o desfecho e as variáveis de exposição por meio do teste Qui-quadrado, com nível de significância estatística igual ou inferior a 5% (p<0,05). RESULTADOS E DISCUSSÕES: Participaram do estudo 52 gestantes. Encontrou-se prevalência expressiva no consumo de alimentos marcadores de alimentação não saudável: fast food (13,5%), cucas (48,1%), doces (59,6%), industrializados (57,7%), bebidas açucaradas (67,3%). Segundo a pesquisa da POF 2008-2009, a quantidade média adquirida de alimentos ultra processados aumentou com a renda e este hábito esteve mais frequente em mulheres. O consumo frequente de fast food foi associado com a idade (p=0,001), sintomas de azia/queimação foi associado com consumo de fast food (p=0,020) e industrializados (p=0,097) e diagnóstico de diabetes gestacional foi associado com consumo de fast food (p=0,024) e industrializados (p=0.006). Uma hipótese para o desfecho obtido no consumo de fast food com a idade seria a influência de grupos sociais nos quais as gestantes estão inseridas, hábito de realizar refeições fora de casa e falta de informações sobre a alimentação. Em um estudo realizado no Hospital de Clínicas, foi possível analisar que em gestantes que consumiam ácidos graxos insaturados e poli-insaturados ocorreu o sintoma de azia, o estudo também cita a associação de azia e regurgitação com histórico de ganho de peso na gestação que aumenta a pressão intra-abdominal e intragástrica (DALL’ALBA et al., 2015). Diagnóstico de distúrbio hipertensivo esteve associado ao consumo de doces, porém na literatura não foram encontrados estudos semelhantes. Realizar as refeições assistindo TV esteve associado ao consumo de industrializados. Em outro estudo que analisou grupos de gestantes de baixa renda com sobrepeso ou obesidade, as participantes relataram que consumiam alimentos industrializados e fast food enquanto assistiam televisão (CHANG et al., 2014). O hábito de beliscar entre as refeições esteve associado ao consumo de fast food e doces. Porém, não foram encontrados estudos semelhantes com as mesmas associações. A justificativa mais provável para esta associação seria que as gestantes não relatam seu consumo real, o viés da natureza da pesquisa e o baixo número da amostra (PATINO & FERREIRA, 2016). CONCLUSÃO: O hábito alimentar das gestantes é caracterizado pelo consumo de alimentos não saudáveis, que esteve relacionado ao sintoma de azia/queimação e diagnóstico de diabetes gestacional.  Se reforça a importância de novos estudos para que haja maior atenção por profissionais da saúde quanto à alimentação das gestantes, objetivando proporcionar benefícios para mãe e o bebê. REFERÊNCIAS

ASSUNÇÃO, P. L. D., MELO, A. S. D. O., GONDIM, S. S. R., BENÍCIO, M. H. D. A.,AMORIM, M. M. R., CARDOSO, M. A. A. Ganho ponderal e desfechos gestacionais em mulheres atendidas pelo Programa de Saúde da Família em Campina Grande, PB (Brasil). Revista Brasileira de Epidemiologia, 10:352-360, 2007.

 

DALL'ALBA, V., CALLEGARI-JACQUES, S. M., KRAHE, C., BRUCH, J. P., ALVES, B. C., BARROS, S. G. S. D. Health-related quality of life of pregnant women with heartburn and regurgitation. Arquivos de gastroenterologia, 52(2):100-104, 2015.

 

CHANG, M.-W., NITZKE, S., BUIST, D., CAIN, D., HORNING, S., EGHTEDARY, K.  I Am Pregnant and Want to Do Better But I Can’t: Focus Groups with Low-Income Overweight and Obese Pregnant Women. Maternal and Child Health Journal, 19(5), 1060–1070, 2014.

 

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Orçamento Familiar:

2008- 2009. Rio de Janeiro, 2010. Disponível em:

https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv50063.pdf

 

 

MARINHO, M. C. S., HAMANN, E. M.,  LIMA, A. C. D. C. F. Práticas e mudanças no

comportamento alimentar na população de Brasília, Distrito Federal, Brasil. Rev. bras.

saúde matern. infant, 251-261, 2007.

 

PATINO, C. M., FERREIRA, J. C. Qual a importância do cálculo do tamanho amostral? Jornal Brasileiro de Pneumologia, 42(2):162-162, 2016.

 

TEIXEIRA, C. S. S., CABRAL, A. C. V. Avaliação nutricional de gestantes sob

acompanhamento em serviços de pré-natal distintos: a região metropolitana e o

ambiente rural. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia/RBGO Gynecology and Obstetrics, 38(01):027-034, 2016.

Publicado
2020-02-19
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido