AVALIAÇÃO NUTRICIONAL EM PACIENTES COM CÂNCER DO TRATO GASTROINTESTINAL EM UM HOSPITAL DE CAXIAS DO SUL/RS

  • Marina Della Giustina FSG Centro Universitário
  • Marilia Rossi Chagas FSG Centro Universitário
  • Roziane Vicenzi Fortes FSG Centro Universitário
  • Eduarda Camargo Finger FSG Centro Universitário
  • Joana Zanotti FSG

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A divisão celular ocorre de forma controlada para restaurar perdas decorrentes do processo de envelhecimento. Nas neoplasias, esta divisão é anormal, descontrolada e autônoma, com perda ou redução de diferenciação, em consequência de alterações em genes e proteínas que regulam este processo (FILHO, 2011). Nos países desenvolvidos, predominam os tipos de câncer associados à urbanização e ao desenvolvimento (pulmão, próstata, mama feminina, cólon e reto). Já nos países de baixo e médio desenvolvimento, ainda é alta a ocorrência de cânceres associados a infecções (colo do útero, estômago, esôfago, fígado) (FERLAY et al., 2013). O câncer gastrointestinal destaca-se dos demais por representar a segunda maior causa de morte relacionada a neoplasias no mundo, atrás apenas do câncer de pulmão. É considerada ainda, a quinta neoplasia mais frequente no mundo para ambos os sexos (PARDO; CENDALES, 2015; TRIANA et al., 2017; INCA, 2006; INCA, 2018). A etiologia da doença, a toxicidade e as alterações fisiológicas decorrentes do tratamento, bem como a evolução da própria patologia, provocam nos pacientes sintomas como: dor, anorexia, saciedade precoce, disfagia, náuseas, vômitos, constipação, diarreia e aversão aos alimentos. Perante este cenário, a perda de peso progressiva e a desnutrição, tornam-se complicações comuns das doenças oncológicas e assim, fatores importantes para a determinação do prognóstico e qualidade de vida do paciente (PINTO; CAMPOS, 2016; BARBOSA; FORTES; TOSCANO, 2017). Diante do exposto, este trabalho objetivou avaliar a perda de peso em pacientes com câncer do trato gastrointestinal, em um hospital de Caxias do Sul/RS. MATERIAL E MÉTODOS: Estudo epidemiológico observacional, com delineamento transversal, no qual analisou-se Avaliações Subjetivas Globais Produzidas pelo Próprio Paciente (ASG – PPP), realizadas no período de 2016 e 2017, por acadêmicos de nutrição, integrantes do Serviço de Nutrição Clínica em um Hospital Escola de Caxias do Sul. Participaram do estudo todas as ASG-PPP completas e sem rasuras, pertencentes aos pacientes com câncer gastrointestinal, em tratamento quimioterápico, com idade ≥ 19 anos, realizadas no ambulatório de oncologia. O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa de ambas as instituições envolvidas (2.726.138; 2.571.056). RESULTADOS E DISCUSSÕES: Em um total de 36 ASG-PPP analisadas, observou-se idade média de 61 anos e 67% de pacientes do sexo masculino. A partir do Índice de Massa Corporal (IMC), verificou-se que 31% dos indivíduos classificavam-se como excesso de peso, 50% como eutrófico e 19% na categoria de magreza. Já, segundo a classificação da ASG – PPP, observou-se que 56% dos indivíduos encontravam-se bem nutridos, 28% desnutridos moderadamente e 16% desnutridos gravemente. Ao analisar o questionamento referente a ingestão alimentar, notou-se que 59% dos indivíduos seguem seus hábitos alimentares anteriores, outros 33% relataram que consomem menos alimentos que o habitual e apenas 8% informaram que aumentaram sua ingestão alimentar. Ainda que o estado nutricional “bem nutrido” e a conservação do consumo alimentar detenham os maiores percentuais, ressalta-se que através da ASG-PPP, a desnutrição encontrou-se presente em 44% dos indivíduos no presente estudo, de forma moderada ou grave. Observou-se neste estudo também, os percentuais de perda de peso num período de 6 meses. Os resultados demostraram que 16% não apresentou perda de peso neste período, 23% apresentou perda de até 5 %, 31% de 6-10%, 5% de 11-15% e 25% dos participantes apresentaram perda de peso ˃15%. Em pacientes com câncer do trato gastrointestinal a desnutrição é diagnosticada em 60%-80% dos casos e aumenta a morbidade pós-operatória, diminui o tempo de recuperação funcional, reduz a resposta e tolerância ao tratamento e, consequentemente, aumenta os custos hospitalares (SANTOS, 2014). CONCLUSÃO: O câncer do trato gastrointestinal, está intimamente ligado ao estado nutricional do paciente, uma vez que a desnutrição esteve presente em 44% dos indivíduos avaliados, de forma moderada ou grave, e 84% apresentou alguma redução em sua composição corporal. O acompanhamento nutricional é fator determinante para a condição clínica do paciente, pois detectar precocemente as alterações nutricionais permite intervenção em momento oportuno. O câncer é uma doença que necessita de avaliação e tratamento individualizado, buscando assim, otimizar a tomada de decisões, em busca de resultados mais favoráveis e melhor qualidade de vida para o paciente.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG
Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas
Publicado
2020-02-18
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido