HÁBITOS ALIMENTARES DE TRABALHADORES DE UM CENTRO UNIVERSITÁRIO

MUDANÇAS DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19

  • Patrícia Martinotto FSG Centro Universitário
  • Maria Eduarda Gonçalves Ramon FSG Centro Universitário
  • Roziane Vicenzi Fortes FSG Centro Universitário
  • Rafaela Santi Dell'Osbel UFRGS Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Cleber Cremonese UFBA Universidade Federal da Bahia
  • Joana Zanotti FSG
  • Maria Luisa de Oliveira Gregoletto FSG Centro Universitário
  • Fernanda Pezzi FSG Centro Universitário

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A quarentena possui papel fundamental para o controle da disseminação do Sars-CoV-2. Seus impactos psicológicos negativos, como o aumento da ansiedade e do estresse, também precisam ser considerados (BROOKS et al., 2020; PFEFFERBAUM e NORTH, 2020; WANG et al., 2020). O aumento do estresse, em situação de quarentena, já esteve associado às mudanças alimentares (ROLLAND et al., 2020), como a piora na qualidade da dieta (SCHWEREN et al., 2020). Portanto, embora a prioridade seja conter a pandemia de COVID-19, questiona-se acerca dos efeitos da quarentena a longo prazo, inclusive no que se refere às mudanças de hábitos alimentares e controle de peso (BHUTANI, 2020).  Desta forma, objetivou-se investigar possíveis mudanças nos hábitos alimentares no período da pandemia de COVID-19, em trabalhadores de um Centro Universitário do sul do país. MATERIAL E MÉTODOS: Foram utilizados dados parciais de um estudo epidemiológico observacional transversal, composto por funcionários de um Centro Universitário da Serra Gaúcha, com idade ≥18 anos, de ambos os sexos. Realizou-se a coleta de dados de julho a agosto de 2020, através de um questionário online. Foram investigadas as variáveis sociodemográficas: idade, sexo e cor da pele autodeclarada. Ademais, investigou-se a função realizada na instituição e a existência de outro(os) trabalho(os) remunerado(os). Para avaliar a mudança nos hábitos alimentares, questionou-se: “Você mudou os seus hábitos alimentares com a situação da quarentena?”, com as seguintes opções de resposta: “Não teve mudanças na minha alimentação”, “Melhorou a qualidade de minha alimentação” e “Piorou a qualidade de minha alimentação”. Indagou-se ainda, em relação ao período anterior à quarentena, as seguintes mudanças alimentares: "Estou comendo mais frutas e/ou vegetais", "Estou cozinhando mais em casa" e "Estou comendo mais alimentos industrializados (comidas prontas e congeladas, salgadinhos, biscoitos)”, tendo como opções de resposta: “sim”, “não” e “não houve mudanças”. Medidas de frequências absolutas e relativas foram utilizadas para descrição das variáveis. Efetuou-se o teste de Qui-quadrado, com nível de significância estatística de 5% (p≤0,05), para averiguar associações entre o desfecho e as variáveis de exposição. Esta pesquisa foi aprovada por um Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 4.115.023). RESULTADOS E DISCUSSÕES: A amostra foi composta por 147 participantes, a maioria do sexo feminino (70,7%) e docentes (63,0%). Dentre os indivíduos avaliados, 34,7% pioraram a qualidade da alimentação. Em comparação ao consumo alimentar no período anterior à quarentena, 29% aumentaram a ingestão de frutas e/ou vegetais e 20,8% passaram a consumir mais alimentos industrializados. Mudanças alimentares neste período vem sendo investigadas. Pellegrini et al. (2020), verificou que, durante a pandemia, 40% dos indivíduos avaliados estavam comendo mais, enquanto 12,7% declararam estar comendo menos. No mesmo estudo, 27,3% dos participantes relataram comer mais frutas e/ou vegetais do que antes do período da pandemia, 17,3% consumiram mais alimentos enlatados/congelados e 50% aumentaram o consumo de doces no referido momento (PELLEGRINI et al., 2020), reforçando os achados deste estudo. Além disso, 77,2% dos investigados passaram a cozinhar mais em casa do que antes do período da quarentena. Conforme Cranfield (2020), em situação de quarentena, com estabelecimentos de alimentação trabalhando apenas com drive-thru ou com opções de entrega, é esperado o aumento das refeições realizadas a domicílio, bem como, o crescimento da prática de preparar seus próprios alimentos. Observou-se associação entre as mudanças na alimentação no período da pandemia com a cor da pele (p=0,030), função na instituição (p=0,028) e possuir outro trabalho (p=0,027). Indivíduos que declararam cor da pele não branca, com função administrativa e que possuíam outro vínculo empregatício, apresentavam maior probabilidade de ter piora na alimentação (53,3%, 49% e 42,7%, respectivamente). A melhora na alimentação se mostrou mais provável (66,7%) em funcionários com cargo de gestão. CONCLUSÃO: Os resultados sugerem que o isolamento social exerce influência nos hábitos alimentares desta população. No entanto, devido a limitação de dados anteriores referentes a situações equivalentes, realizou-se comparações com estudos desenvolvidos simultaneamente. Ressalta-se importantes mudanças nos hábitos alimentares, como piora na qualidade da alimentação, aumento no consumo de alimentos industrializados, mas também aumento do consumo de frutas e/ou vegetais. Ainda é preciso ampliar pesquisas com relação à alimentação e a COVID-19, visando identificar as mudanças estabelecidas nos hábitos alimentares e seus impactos na saúde a longo prazo.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG

Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas

Publicado
2021-03-18
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido